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Sabia que Singapura proibiu as pastilhas elásticas? E não foi devido aos microplásticos!

É verdade! Em 1992, Singapura decidiu proibir a venda, importação e fabrico de pastilhas elásticas, fossem elas de origem vegetal ou sintética. Curiosamente, o motivo não tem que ver com a libertação de microplásticos por estas gomas, descoberta por um estudo recente.


No dia 30 de dezembro de 1991, o Ministério do Ambiente de Singapura emitiu um comunicado, no qual explicou que a proibição das pastilhas elásticas seria imposta principalmente porque o lixo provocado por estas gomas tinha perturbado o bom funcionamento dos comboios do seu sistema Mass Rapid Transit (MRT).

Segundo uma publicação, no National Library Board, relativa a Singapura, a comunicação foi feita, após, em julho e agosto do mesmo ano, a pastilha elástica presa entre as portas dos comboios MRT ter provocado paragens. Aparentemente, as portas não podiam fechar completamente.

Os dois incidentes provocaram interrupções nos comboios, com os passageiros a terem de desembarcar antes de o transporte poder voltar a circular.

Além da questão com os comboios, a eliminação descuidada de pastilhas elásticas usadas estava, também, a criar problemas de limpeza em áreas públicas, como cinemas e bairros residenciais.

Aliás, os problemas criados pelo lixo das pastilhas elásticas já tinham sido identificados, em 1983, e abordados pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cultura. Nesse ano, foi referido que o Housing and Development Board direcionava 150.000 dólares por ano para a limpeza.

Para lidar com os problemas causados pelas pastilhas elásticas, o Governo deu instruções às lojas de conveniência das escolas para deixarem de vender pastilhas elásticas, bem como à Singapore Broadcasting Corporation (atualmente conhecida como MediaCorp) para deixar de passar anúncios que as promovessem.

A proibição da venda, importação e fabrico de pastilhas elásticas entrou em vigor, mais tarde, em janeiro de 1992, abrangendo todas as substâncias fabricadas a partir de “pastilhas de origem vegetal ou sintética”, tais como “pastilhas elásticas ou pastilhas dentárias”.

Entretanto, segundo a BBC, que falou com singapurenses, as pastilhas elásticas são, hoje em dia, “em grande parte legalmente mastigáveis”.

Além da possibilidade de levar pequenas quantidades para o país para consumo próprio, desde 2004, os farmacêuticos e dentistas estão autorizados a vender pastilhas elásticas “terapêuticas” a clientes com receita médica, em resultado do Acordo de Comércio Livre entre os Estados Unidos e Singapura.

Contudo, ainda assim, a eliminação indevida das pastilhas elásticas continua sujeita a multa.

 

Novo estudo conclui que as pastilhas elásticas podem libertar microplásticos

De acordo com um estudo piloto apresentado durante a reunião de primavera da American Chemical Society, uma única pastilha elástica é suscetível de libertar centenas de partículas de polímeros na nossa boca.

Além disso, apesar de uma parte dela ser provavelmente ingerida por quem mastiga, o facto de a deitar fora de uma maneira incorreta pode, também, contribuir para o problema dos microplásticos no ambiente.

Os peritos calcularam, anteriormente, que os seres humanos ingerem anualmente dezenas de milhares de partículas de microplástico com dimensões entre um micrómetro e cinco milímetros de largura.

Apesar de uma única pastilha elástica poder ser pequena, o consumidor médio de pastilhas elásticas mastiga 160-180 pastilhas por ano. Por isso, uma equipa liderada por Sanjay Mohanty, professor de engenharia da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), interrogou-se sobre a quantidade de microplásticos que poderia resultar deste hábito.

A nossa hipótese inicial era que as gomas sintéticas teriam muito mais microplásticos, porque a base é um tipo de plástico.

Surpreendentemente, tanto as gomas sintéticas como as naturais tinham quantidades semelhantes de microplásticos libertados quando mastigadas.

Explicou Lisa Lowe, colaboradora do estudo e estudante de pós-graduação no laboratório de Mohanty, num comunicado, onde os investigadores partilharam pormenores sobre os testes.

A maioria das pastilhas elásticas do estudo liberta a maior parte dos seus microplásticos durante os primeiros minutos de mastigação.

Contudo, embora a saliva recolha uma grande parte desse material, a equipa descobriu que são os dentes os principais responsáveis pela libertação das partículas: cerca de 94% do plástico contado foi eliminado ao oitavo minuto.

Sabendo isto, Lowe recomenda mastigar uma pastilha elástica o máximo de tempo possível antes de passar à pastilha seguinte.

⚠️ As contagens finais dos investigadores indicam que quem mastiga pode esperar uma média de pelo menos 100 microplásticos por grama de pastilha elástica, apesar de este número poder aumentar até 600 partículas por grama.

Extrapolando ainda mais, um pedaço de pastilha elástica de dois a seis gramas pode libertar até 3000 microplásticos. Se multiplicarmos este número pela quantidade média de pastilhas elásticas mastigadas anualmente, podemos estar a falar de cerca de 30.000 microplásticos ingeridos por ano.

Assegurando que o objetivo do estudo não passa por alarmar as pessoas, a equipa explicou que procurou apenas perceber a medida da libertação de microplásticos das pastilhas elásticas.

Mais do que isso, alertou para a forma como as pessoas devem eliminá-las, não devendo atirá-las para o chão ou colá-las numa parede.

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