Pplware

O que é o “pangenoma”, o marco científico que é a chave para o tratamento de doenças raras?

Esta semana, a ciência ficou mais rica, com a publicação da mais ampla gama de genes, a chave para o tratamento de doenças raras: o primeiro “pangenoma” humano.


O primeiro genoma humano, que corresponde ao conjunto de material genético de um ser humano, foi sequenciado, há 20 anos, em 2003. Nessa altura, a descoberta significou um ponto de viragem na investigação biomédica.

Para Bill Clinton, em 2000, a Humanidade estava “prestes a ganhar um novo e vasto poder de cura”. No entanto, esse genoma foi sequenciado a partir da informação genética de uma única pessoa, de ascendência europeia e africana.

Como já vimos muitas vezes, a ciência pula e avança e, esta semana, ficou ainda mais rica.

A comunidade científica revelou o primeiro “pangenoma” humano. Este nada mais é do que o mapa mais completo e atualizado alguma vez produzido do ADN humano. De tal forma que, 20 anos depois, contém a informação genética de 47 pessoas, oriundas da Ásia, América, Europa e África.

O “pangenoma” humano consegue, pela primeira vez, representar a diversidade genética humana: metade das 47 pessoas tem ascendência da África subsariana, um terço da América, 13% da China e 2% da Europa, com os povos indígenas representados.

 

Primeiro “pangenoma” humano: cada vez mais, percebemo-nos enquanto matéria

Simplificando, o genoma é o “manual de instruções” presente em todas as células do ser humano, sendo constituído por três mil milhões de letras, que se referem à letra inicial de um composto químico. Este novo modelo acrescenta 119 milhões de letras à sequência do ADN. Além disso, segundo o relatório dos cientistas, é mais exato e tem menos erros, quando comparado com o anterior.

Um pangenoma que reflete a diversidade da população humana permitirá aos cientistas compreender melhor como a variação genética influencia a saúde e a doença. Isto leva-nos a um futuro em que a medicina traz benefícios para todos.

Explicou Eric Green, diretor do Instituto de Investigação do Genoma Humano, dizendo que esta novidade vai revolucionar completamente a investigação médica:

Representa um feito científico incrível!

Eric Green, diretor do Instituto de Investigação do Genoma Humano

O “pangenoma” humano pode ajudar a esclarecer, por exemplo, como é que a variação genética pode condicionar a saúde e o desenvolvimento de doenças. Com a sua sequenciação, espera-se que forneça informações fundamentais para a compreensão de perturbações do desenvolvimento neurológico, como a esquizofrenia, o autismo, a macrocefalia e a microcefalia. Além disso, também promoverá o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes.

Exit mobile version