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Cúpula de calor: temperaturas extremas estão a ser provocadas por uma “assassina silenciosa”

As temperaturas dos últimos dias têm estado desconfortavelmente altas e há uma razão a justificá-las. Na verdade, há uma cúpula de calor a provocá-las. Entenda este fenómeno que os cientistas apelidam “assassino silencioso”.


Sob uma cúpula de calor, a Europa está a sofrer com temperaturas desconfortavelmente altas.

Em Portugal, já vários distritos foram colocados em alerta amarelo, laranja e até vermelho, com o elevado risco de incêndio a fazer soar os alarmes.

 

O que é uma cúpula de calor?

O fenómeno que está a provocar esta onda de temperaturas elevadas por toda a Europa chama-se cúpula de calor e forma-se quando uma área de alta pressão permanece sobre uma região durante dias ou semanas.

De forma semelhante à cúpula de um forno de pizza, por exemplo, esta pressão retém o ar quente, aquecendo o ar e a terra abaixo dela. À medida que o solo seca, absorve calor e torna as temperaturas ainda mais quentes.

Além disso, a cúpula de alta pressão bloqueia, também, as nuvens e o ar mais frio, resultando em céu limpo e calor persistente.

Segundo Michael Byrne, da Universidade de St. Andrews, “algumas investigações sugerem que as cúpulas de calor tornar-se-ão mais comuns à medida que o clima aquecer, com ondas de calor mais frequentes como resultado”. Contudo, não há consenso científico sobre este tema.

[…] o que está claro é que as alterações climáticas estão a alterar as probabilidades de tal forma que, quando uma cúpula de calor ocorre, ela traz temperaturas mais quentes e mais perigosas.

De facto, apesar de as cúpulas de calor não serem novidade, os seus impactos mais intensos são. De recordar que a Europa está mais de 2 °C mais quente do que na era pré-industrial.

Neste momento, cada onda de calor e cada cúpula de calor é mais quente do que seria normalmente.

 

Não estamos preparados para as vagas de calor intenso

O mundo precisa de se adaptar: é crucial garantir que as pessoas e os edifícios conseguem manter-se frescos, por forma a evitar os efeitos secundários perigosos, segundo os especialistas citados pela Sky News.

Para os cientistas, estas ondas de calor, que estão a tornar-se mais frequentes, são “assassinas silenciosas”, porque causam um excesso significativo de mortes, especialmente entre aqueles que são mais vulneráveis.

Especificamente, representam um risco para crianças pequenas, uma vez que os seus corpos pequenos aquecem mais rápido, e mulheres grávidas, aumentando o risco de partos prematuros.

Os efeitos perigosos vão além das pessoas, afetando o solo e os edifícios: o calor cria condições para incêndios florestais e pode causar falhas nas colheitas, nas ferrovias e nas linhas de energia.

Na perspetiva de Madeleine Thomson, da Wellcome Trust, precisamos de uma abordagem de longo prazo para lidar com o calor mais prolongado e intenso: “a estratégia de reagir a cada crise está a falhar, e a ciência diz-nos que a situação vai piorar; precisamos de mudar para uma ação proativa, rápida e coordenada para mitigar e adaptar-nos às alterações climáticas”.

Na sua opinião, “as ferramentas existem; as evidências são claras; o que falta é a urgência”.

 

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