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As primeiras imagens do Euclid mostram que afinal a escuridão tem muita luz

O Telescópio Espacial James Webb e o Hubble têm um novo companheiro: o Telescópio Espacial Euclid. Esta peça de fina arte tecnológica foi desenvolvida pelos cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) e tem como missão olhar para o espaço profundo do cosmos. Colocado já a funcionar, o telescópio já nos brindou com imagens incríveis.


Telescópio espacial Euclid da ESA vai estudar o espaço profundo

A ESA lançou o Telescópio Euclid no dia 1 de julho de 2023. A missão deste equipamento é o aperfeiçoamento da compreensão da energia e da matéria escura. Esta missão será conseguida medindo com precisão a aceleração do universo.

Euclid está equipado com um telescópio de 1,2 metros de diâmetro e dois instrumentos científicos. Dentro da sua estrutura há um elemento chamado VIS, que não é mais do que um espectrógrafo que medirá as propriedades das galáxias, como a sua massa, composição química e velocidade.

Além disso, o telescópio que também foi colocado no Ponto de Lagrange L2 (onde também de encontra o James Webb), conta com outro elemento chamado NISP, um fotómetro que medirá a luminosidade e a forma das galáxias.

Durante seis anos, Euclid observará milhões de galáxias em mais de um terço do céu. Os dados recolhidos pelo telescópio permitirão aos astrónomos:

 

ESA divulga primeiras fotos feitas pelo telescópio Euclid

A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou nesta terça-feira (7) as primeiras cinco imagens produzidas pelo telescópio Euclid, enviado a 1,5 milhão de quilómetros da Terra para investigar os mistérios da matéria e da energia escuras, que ocupam 95% do Universo.

As fotos mostram galáxias nunca antes observadas, um gigantesco aglomerado estelar e até os detalhes do interior de uma nebulosa, nuvens de poeira e gases que dão origem às estrelas.

Enxame Galáctico de Perseu

Este incrível instantâneo do Euclid é uma revolução para a astronomia. A imagem mostra 1000 galáxias pertencentes ao Enxame de Perseu e mais de 100.000 outras galáxias, mais distantes, no fundo.

Muitas destas galáxias indistintas nunca tinham sido vistas anteriormente. Algumas delas estão tão distantes que a sua luz demorou 10 mil milhões de anos a chegar até nós. Ao mapear a distribuição e as formas destas galáxias, os cosmólogos terão possibilidade de descobrir mais sobre como a matéria escura formou o Universo que vemos hoje.

Esta é a primeira vez que uma imagem tão grande nos permitiu captar tantas galáxias de Perseu com um tão elevado nível de pormenor. O Enxame de Perseu é uma das estruturas mais compactas do Universo, localizado a “apenas” 240 milhões de anos-luz de distância da Terra.

Os astrónomos demonstraram que os enxames de galáxias como o de Perseu só se podem formar se a matéria escura estiver presente no Universo. O Euclid observará numerosos enxames galácticos como o de Perseu através do tempo cósmico, revelando o elemento “escuro” que as mantém juntas.

Galáxia espiral IC 342

Ao longo da sua vida, o nosso Universo escuro será o reflexo de milhares de milhões de galáxias, revelando a influência nunca antes vista que a matéria escura e a energia escura têm nas mesmas. Por isso é que é apropriado que uma das primeiras galáxias que o Euclid observou tenha sido apelidada de “Galáxia Oculta”, também conhecida como IC 342 ou Caldwell 5.

Graças à sua visão infravermelha, o Euclid já descobriu informações fundamentais sobre as estrelas nesta galáxia, que é uma sósia da nossa Via Láctea.

Galáxia irregular NGC 6822

Para criar um mapa 3D do Universo, o Euclid observará a luz das galáxias até uma distância de 10 mil milhões de anos-luz. A maioria das galáxias no início do Universo não se parecem com uma perfeita espiral, mas são irregulares e pequenas.

São os blocos estruturais para galáxias maiores como a nossa e ainda podemos encontrar algumas destas galáxias relativamente perto de nós. A primeira galáxia anã irregular que o Euclid observou designa-se NGC 6822 e encontra-se perto, a apenas 1,6 milhões de anos-luz da Terra.

Enxame globular NGC 6397

Esta imagem cintilante mostra a vista do Euclid num enxame globular designado NGC 6397. Este é o segundo enxame globular mais próximo da Terra, localizado a uma distância de cerca de 7800 anos-luz.

Os enxames globulares são coleções de centenas de milhares de estrelas que se mantêm juntas devido à gravidade. Atualmente, nenhum outro telescópio para além do Euclid pode observar um enxame globular completo numa só observação e, ao mesmo tempo, distinguir tantas estrelas no objeto. Estas estrelas desvanecidas contam-nos a história da Via Láctea e onde se encontra matéria escura.

A Nebulosa Cabeça de Cavalo

O Euclid mostra-nos uma vista detalhada espetacularmente panorâmica da Nebulosa Cabeça de Cavalo, também conhecida como Barnard 33 e parte da constelação de Orionte.

Na nova observação do Euclid deste viveiro estelar, os cientistas esperam encontrar muitos planetas com a massa de Júpiter, nunca antes vistos, na sua infância celeste, bem como jovens estrelas e anãs castanhas.

 

Novas descobertas, em breve

A primeira vista do cosmos do Euclid é não apenas bela, mas também extraordinariamente valiosa para a comunidade científica.

Primeiro, mostra que o telescópio Euclid e os instrumentos estão a ter um excelente desempenho e que os astrónomos podem utilizar o Euclid para estudar a distribuição da matéria no Universo e a sua evolução às maiores escalas. A combinação de muitas observações com esta qualidade, abrangendo amplas áreas do céu, mostrar-nos-á as partes escuras e ocultas do cosmos.

Segundo, cada imagem contém individualmente um manancial de informação sobre o Universo próximo.

Nos próximos meses, os cientistas do Consórcio Euclid analisarão estas imagens e publicarão uma série de artigos científicos na revista Astronomy & Astrophysics, bem como documentos sobre os objetivos científicos da missão Euclid e o desempenho do instrumento.

Disse Yannick Mellier, líder do Consórcio Euclid.

Finalmente, estas imagens levam-nos para além do reino da matéria escura e da energia escura, mostrando também como o Euclid irá criar um tesouro de informação sobre a física de estrelas e galáxias individuais.

Ao longo de seis anos, o Euclid examinará um terço do céu com uma exatidão e sensibilidade sem precedentes. À medida que a missão for avançando, o banco de dados do Euclid será lançado uma vez por ano e será disponibilizado à comunidade científica global através do Astronomy Science Archives alojado no Centro de Astronomia Espacial Europeu da ESA, em Espanha.

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