A rede social X, anteriormente conhecida como Twitter, encontra-se no centro de uma complexa investigação criminal em França. As autoridades suspeitam de manipulação algorítmica e interferência eleitoral, alegações que a empresa de Elon Musk refuta veementemente.
França investiga X por manipulação e fraude
As autoridades judiciais francesas deram início, a 11 de julho, a um inquérito criminal para averiguar se a plataforma X esteve envolvida em práticas de manipulação do seu algoritmo e em extração fraudulenta de dados.
A investigação, que surge na sequência de denúncias feitas em janeiro, procura determinar se existiu interferência em processos eleitorais, tendo chegado a classificar a atuação do X como a de um “grupo organizado”.
O governo francês solicitou formalmente que a empresa fornecesse acesso total ao seu “algoritmo de recomendação e a dados em tempo real sobre todas as publicações dos utilizadores na plataforma”. Para analisar esta informação, França recorreu a vários especialistas.
A conta oficial de Relações Governamentais do X emitiu uma crítica contundente ao que considera ser uma “investigação criminal com motivações políticas” por parte de França, anunciando a sua recusa em colaborar.
French authorities have launched a politically-motivated criminal investigation into X over the alleged manipulation of its algorithm and alleged “fraudulent data extraction.” X categorically denies these allegations.
This investigation, instigated by French politician Eric…
— Global Government Affairs (@GlobalAffairs) July 21, 2025
A empresa manifestou particular descontentamento com a escolha dos peritos envolvidos, nomeadamente David Chavalarias, diretor do Instituto de Sistemas Complexos de Paris (ISC-PIF) e líder da campanha “Escape X“, e Maziyar Panahi, um engenheiro de IA do mesmo instituto.
Segundo o X, ambos os especialistas participaram em projetos de investigação que “demonstram uma hostilidade aberta em relação ao X”. A empresa argumenta que a sua participação no inquérito poderá levar a um resultado predeterminado e, como tal, recusa-se a facultar o acesso solicitado pelas autoridades francesas.
No seu comunicado, o X afirmou que a investigação, liderada pelo deputado Éric Bothorel, “mina de forma flagrante o direito fundamental do X ao devido processo legal e ameaça os direitos à privacidade e à liberdade de expressão dos nossos utilizadores”.
A empresa acrescenta:
O Sr. Bothorel acusou o X de manipular o seu algoritmo para fins de ‘ingerência estrangeira’, uma alegação que é completamente falsa.
Face a este impasse, o confronto entre a gigante tecnológica e o Estado francês parece destinado a escalar: estão em cheque questões de soberania digital, transparência algorítmica e os limites da regulação das redes sociais.
Leia também: