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Fim da mensalidade? Netflix e Disney estudam lançamento de streaming grátis

À medida que sobem os preços, as gigantes do streaming parecem estar a estudar formas de mudar a sua estratégia. Recentemente, a Netflix e a Disney admitiram estar a analisar versões gratuitas dos seus serviços, num modelo que as aproximaria da televisão tradicional.


O streaming está cada vez mais caro

O streaming nasceu como alternativa barata à televisão por cabo. Sem anúncios, sem grelhas fixas, sem mensalidades pesadas. Contudo, esse cenário mudou radicalmente nos últimos anos.

O Disney+ já aumentou os preços várias vezes desde o lançamento em Portugal, com o incremento mais recente, aplicado a partir de novembro de 2025, a subir o preço dos planos Standard com anúncios, Standard e Premium para 6,99 euros, 10,99 euros e 15,99 euros, respetivamente.

A Netflix, por sua vez, já conduziu também aumentos dos preços em Portugal, com o plano Básico com anúncios a custar 8,99 euros, o Standard 12,99 euros e o Premium 17,99 euros, mensalmente.

Disney analisa oferta gratuita

Numa chamada recente com investidores, o diretor-executivo da Disney, Josh D’Amaro, explicou que uma oferta gratuita permitiria à empresa chegar a um público mais sensível ao preço, algo que descreveu como prioridade estratégica.

Além disso, contrariamente a muitos concorrentes no mercado do streaming gratuito suportado por publicidade, segundo D’Amaro, o Disney+ já tem o seu espaço publicitário praticamente esgotado.

Mais inventário publicitário, resultante de uma versão gratuita, poderia acelerar significativamente as receitas de anúncios.

Uma oferta gratuita poderia ajudar-nos a impulsionar o crescimento do número de assinantes do Disney+ na fase inicial do funil de conversão.

Disse Josh D’Amaro, conforme transcrito, esclarecendo que, sem nada em concreto para anunciar, é algo que a empresa está “sem dúvida […] a considerar”.

Netflix também não descarta a ideia

Em julho, o co-diretor-executivo da Netflix, Greg Peters, já tinha abordado o tema numa chamada com investidores, sublinhando a necessidade de a empresa ser “cuidadosa” com este tipo de oferta, uma vez que poderia acabar por prejudicar os planos pagos, mais lucrativos.

Apesar de tudo, a Netflix não afasta a hipótese de vir a explorar o streaming gratuito no futuro. Para isso, contudo, terá de consolidar e expandir o seu negócio publicitário em vários mercados locais.

Uma oferta gratuita pode fazer sentido em alguns mercados, mas temos de ter cuidado com a possibilidade de prejudicar os níveis pagos. Temos de garantir que temos a oferta certa e a diferenciação adequada dessa oferta.

Disse Greg Peters, explicando que a Netflix não tem “planos a curto prazo para lançar nada”.

Importa destacar que a Netflix continua a liderar o setor, com mais de 325 milhões de subscritores, contra os 131,6 milhões do Disney+.

Mesmo assim, a plataforma de streaming sente sinais de abrandamento no crescimento e alguma fadiga dos utilizadores face às subidas de preço.

Streaming, mas com cara de televisão

Na prática, ainda que sem nada confirmado, está em jogo uma potencial mudança dos modelos de negócio.

De facto, plataformas como a Tubi ou a Pluto TV já provaram que há espaço para o streaming gratuito com anúncios, e continuam a ganhar terreno junto de quem não quer pagar uma mensalidade.

Se a Netflix e a Disney avançarem nesta direção, o streaming aproximar-se-á ainda mais daquilo que tentou substituir, ou seja, os canais gratuitos, financiados por publicidade. A diferença deverá continuar a ser a necessidade de login.

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