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Operação 404: ação contra IPTV bloqueia mais de 3 mil sites piratas

O Brasil destacou-se no mundo da pirataria e, na oitava fase da chamada Operação 404, conseguiu fechar mais 535 sites e aplicações ilegais. Ultrapassando a marca dos 3.000 sites neutralizados desde o início da iniciativa, em 2019. No entanto, o aspeto mais relevante não são os números em si, mas sim o seu alcance global.


Operação 404 bloqueia mais de 3 mil sites

Apesar do sucesso, é importante compreender a complexa realidade técnica da Operação 404. As autoridades desativam os sites, mas os criminosos mudam para outros servidores sem serem detetados. Esta dinâmica é frustrante para os titulares de direitos de autor, porque os tribunais demoram semanas ou meses a emitir uma ordem de bloqueio, mas os administradores do site demoram apenas minutos a migrar todo o tráfego.

Enquanto os servidores físicos se mantiverem ligados, a internet continuará a existir, obrigando as autoridades a uma busca interminável onde a burocracia é sempre mais lenta que a tecnologia. Ciente de que o bloqueio de DNS é insuficiente, a Operação 404.8 introduziu uma mudança tática significativa, que consiste em deixar de se concentrar exclusivamente na tecnologia para atacar estas plataformas de pirataria.

Manter uma infraestrutura IPTV pirata capaz de suportar milhares de ligações simultâneas é dispendioso; requer servidores potentes e muita largura de banda. Portanto, se o fluxo de dinheiro for interrompido, o negócio entra em colapso sob o seu próprio peso. A nova estratégia centra-se em sufocar as fontes de financiamento.

Brasil lidera luta contra a IPTV

O objetivo já não é apenas impedir o carregamento do site, mas sim desmantelar as suas estruturas de monetização. Isto envolve atacar os gateways de pagamento que processam as subscrições VIP e pressionar as redes de publicidade que veiculam anúncios nesses portais. Existe uma discrepância notável entre os números divulgados e a realidade administrativa.

Enquanto a Operação 404 se gaba de ter bloqueado 3.000 sites de pirataria, a “lista mestra” de domínios bloqueados do Brasil contém mais de 30.000 domínios pendentes. Esta zona cinzenta levanta sérias questões sobre a transparência do processo. Como a lista de alvos não é pública, é impossível realizar uma auditoria externa para verificar o que está a ser censurado.

Não há dúvida de que o Brasil construiu um quadro legal invejável para a indústria do entretenimento, e o mundo tomou nota disso. Isto sugere que é muito provável que assistamos a um endurecimento global das leis de direitos de autor com base neste “modelo brasileiro” de ação rápida e bloqueio em massa.

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