Existe uma base de dados oficial da União Europeia (UE), gratuita e acessível a qualquer pessoa, que permite verificar se as alegações “eco-friendly” de um eletrodoméstico são reais. A plataforma já reúne mais de dois milhões de produtos registados, mas é possível que ainda não a conheça.
A Comissão Europeia já confirmou que mais de metade das alegações “verdes” no mercado são vagas, enganosas ou não têm qualquer fundamento. Aliás, quatro em cada 10 nem sequer apresentam prova alguma.
Juntando a isto mais de 230 rótulos de sustentabilidade e 100 rótulos de energia verde a competir pela atenção do consumidor na UE, o famoso greenwashing deixou toda a gente desconfiada.
A boa notícia é que, desde 2019, qualquer eletrodoméstico que exija etiqueta energética na UE, como máquinas de lavar, frigoríficos, máquinas de lavar loiça e até pneus, tem obrigatoriamente de ter os seus dados de desempenho registados numa base de dados pública antes de poder ser vendido.
Disponível para todos, chama-se European Product Registry for Energy Labelling (EPREL) e já conta com mais de dois milhões de produtos registados.
Como funciona a plataforma EPREL
Para utilizar a plataforma, basta digitalizar o código QR presente na etiqueta energética do produto, ou pesquisar diretamente pelo modelo no website da EPREL.
A informação oferecida vai muito além do que está impresso na etiqueta, desde consumo elétrico por cada 100 ciclos de lavagem, consumo de água, desempenho de centrifugação, ruído, aderência em piso molhado no caso dos pneus, ou até o pico de consumo escondido nas definições de alto contraste das televisões.
A plataforma permite ainda ordenar por até três critérios em simultâneo e comparar produtos lado a lado. Desta forma, o “eco-friendly” ou aparece nos dados ou não aparece.
Também é possível verificar quantos concorrentes partilham a mesma classificação. Por exemplo, se metade do mercado tem nota A, a alegação perde bastante força.
Além disso, se a etiqueta na loja não bater certo com o registo oficial, é possível reportar a situação diretamente ao fabricante e aos reguladores.
Desde junho de 2025, smartphones e tablets têm etiqueta energética própria, com uma classificação de reparabilidade de A a E. O sistema avalia como componentes críticos (bateria, ecrã e porta de carregamento) se comportam em termos de design, ferramentas necessárias para reparação e disponibilidade de suporte a longo prazo.
Quase ninguém conhece esta plataforma
Um inquérito financiado pela UE, feito a mais de 2500 consumidores, revelou que nove em cada 10 compradores europeus pesquisam produtos online antes de comprar, mas mais de metade nunca reparou no código QR da etiqueta energética, e apenas um em cada 16 já o digitalizou alguma vez.
Curiosamente, os consumidores dizem querer exatamente aquilo que o EPREL já oferece, como dados completos, filtros e comparação lado a lado.
Originalmente pensada apenas para cumprimento regulatório, a base de dados abriu-se ao público em 2022 e, na altura, praticamente ninguém a divulgou.
Entretanto, este ano, a Comissão adicionou uma nova ferramenta de comparação, e há um projeto financiado pela UE a desenvolver uma app que vai juntar os dados oficiais a preços e disponibilidade em tempo real.
Assim sendo, com o tanto de informação disponível, não compre o seu próximo eletrodoméstico sem consultar esta plataforma da UE.
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