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Gigante tecnológica francesa corta relação com filial nos EUA por contrato polémico com o ICE

A gigante tecnológica francesa Capgemini anunciou, este domingo, que irá cortar a relação com a sua subsidiária americana, a Capgemini Government Solutions, após ligações da empresa ao Serviço de Imigração e Alfândega (em inglês, ICE) dos Estados Unidos da América (EUA).


A Capgemini foi fundada em 1967 e, atualmente, funciona como empresa de serviços informáticos e consultoria. Avaliada em 22 mil milhões de euros, emprega mais de 340 mil funcionários em todo o mundo.

Agora, devido a um contrato assinado pela sua subsidiária norte-americana com o ICE, a Capgemini tem estado sob pressão de deputados franceses, num contexto de escrutínio internacional sobre os métodos usados pelos agentes.

O tiroteio fatal dos cidadãos norte-americanos Renee Nicole Good e Alex Pretti por agentes do ICE, em Minneapolis, desencadeou protestos em todo o país e motivou um aumento desse escrutínio.

Conforme tem sido amplamente divulgado, o ICE intensificou a sua operação nas ruas norte-americanas, detendo milhares de pessoas, desde que o Presidente dos EUA Donald Trump regressou à Casa Branca com a promessa de aumentar as deportações.

As ações de fiscalização do ICE têm ocorrido regularmente em locais públicos, levando a vários confrontos com manifestantes.

Milhares de novos polícias têm sido recrutados nos EUA para integrarem o ICE. A qualificação mais importante, diz-se, é a lealdade. Crédito: Armando L. Sanchez/Chicago Tribune/Tribune News Service via/Getty Images, via zeit.de

Filial de empresa francesa associada ao ICE

Registos públicos, citados pela BBC, mostram que a Capgemini Government Solutions, a subsidiária americana da Capgemini, tem um contrato desde 18 de dezembro para fornecer “serviços de skip tracing para operações de fiscalização e remoção”.

Os serviços de skip tracing permitem localizar indivíduos cujo paradeiro é desconhecido. Normalmente utilizado por cobradores de dívidas, este método nunca tinha sido usado pelo ICE.

Como parte de um novo programa, o ICE recrutou várias entidades não governamentais para localizar 50 mil imigrantes por mês, começando por identificar onde vivem e trabalham através de “todos os sistemas tecnológicos disponíveis” e depois confirmando por meio de “vigilância física presencial”, incluindo fotografias, segundo o The Washington Post.

A agência atribuiu contratos a 10 empresas, em dezembro, por via dos quais essas poderão ganhar mais de mil milhões de dólares até ao final do próximo ano, de acordo com o The Intercept.

A maior fatia potencial, de 365 milhões de dólares ao longo de dois anos, iria para a Capgemini Government Solutions, que trabalha com o Departamento de Segurança Interna (em inglês, DHS) dos EUA há mais de 15 anos, segundo o diretor-executivo da Capgemini, Aiman Ezzat.

Aliás, segundo registos do Governo dos EUA, a Capgemini Government Solutions deverá receber mais de 4,8 milhões de dólares pelo seu trabalho de rastreamento de pessoas para o ICE, que deverá continuar até 15 de março.

Um manifestante segura uma bandeira dos EUA de cabeça para baixo ao lado de agentes do ICE que fazem a guarda em frente ao Edifício Federal Bishop Henry Whipple durante uma manifestação contra o aumento da fiscalização da imigração, dias depois de um agente ter disparado fatalmente sobre Renee Nicole Good, em Minneapolis, Minnesota, EUA, a 10 de janeiro de 2026. Crédito: Tyrone Siu/Reuters, via CNN

França pede que gigante tecnológica seja “transparente”

A Capgemini, uma das maiores empresas cotadas em França, afirmou, num comunicado, que não conseguiu “exercer um controlo adequado sobre certos aspetos das operações desta subsidiária, de forma a garantir o alinhamento com os objetivos do Grupo”, acrescentando que “o processo de desvinculação do negócio será iniciado imediatamente”.

Na semana passada, o diretor-executivo da Capgemini escreveu que “fomos recentemente informados, através de fontes públicas, da natureza de um contrato atribuído à Capgemini Government Solutions pelo [ICE] do DHS em dezembro de 2025”.

A natureza e o alcance deste trabalho levantaram questões quando comparados com aquilo que normalmente fazemos enquanto empresa de negócios e tecnologia.

Afirmou Aiman Ezzat, numa publicação no LinkedIn, cuja informação provocou indignação entre políticos franceses.

O ministro francês das Finanças, Roland Lescure, por exemplo, apelou à empresa para que seja “transparente” relativamente aos contratos que mantém com o ICE.

Entretanto, o deputado da oposição de esquerda Hadrien Clouet apelou à imposição de sanções às empresas francesas que trabalhem com o ICE, comentando que “não aceitamos” que empresas privadas francesas estejam a colaborar com a agência norte-americana.

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