A OpenAI chamou a atenção do público com uma campanha, feita através de outdoors minimalistas que apresentam o ChatGPT como o companheiro ideal para o dia a dia. O estilo simples, mas ambíguo dos anúncios gerou alguma confusão, a ponto de uma paródia ter-se tornado tão convincente que enganou, ainda que brevemente, a Internet.
Campanha da OpenAI procurou aproximar a IA das pessoas
Recentemente, a OpenAI lançou a sua primeira grande campanha com uma série de anúncios que destacam o lado prático e humano do ChatGPT.
Num momento em que a Inteligência Artificial (IA) ocupa um espaço crescente no dia a dia das pessoas, os anúncios procuraram mostrar a tecnologia como um assistente funcional, contrariando a ideia de que se trata de um substituto sem alma dos seres humanos.
Em vez de recorrer à IA, a OpenAI optou pelo oposto: as curtas-metragens, realizados por Miles Jay, foram filmados inteiramente em 35 mm, enquanto a fotografia ficou a cargo de Samuel Bradley. O resultado foi uma sensação quase documental.
Desenvolvidos pela equipa criativa interna da OpenAI, os novos anúncios procuravam oferecer um retrato das utilizações práticas do ChatGPT no quotidiano de cada utilizador.
Além dos vídeos curtos, há uma série de anúncios exteriores que mostram momentos autênticos em que a IA pode ser útil. Com uma marca subtil do ChatGPT, colocam os humanos – literalmente – no centro, apresentando o chatbot como uma extensão funcional da vida.
Can someone tell me what this billboard is supposed to convey to me about ChatGPT? pic.twitter.com/caNCPGAyVC
— Will Held (@WilliamBarrHeld) February 2, 2026
Paródia da campanha do ChatGPT levanta questões
Entretanto, imitando o aspeto simplista da campanha da OpenAI, um utilizador do X partilhou um outdoor com uma mulher de coração partido rodeada de caixas de take-away, insinuando que o ChatGPT era o remédio perfeito.
Devido à marca de água do Nano Banana, no canto inferior direito, é possível detetar que a imagem foi criada com IA. Contudo, por momentos, a Internet viu-se enganada: “Como é que… como é que isto passou despercebido a alguém? Estão a associar explicitamente o ChatGPT a um sofrimento emocional extremo, ao ponto de causar disfunção”.
not sure i understand the vision behind this one pic.twitter.com/j1dM3Ms6WL
— typedfemale (@typedfemale) February 2, 2026
O facto de tantos utilizadores questionarem a forma estranha como a IA estava a ser promovida num contexto tão humano levanta questões sobre a nossa relação com a tecnologia.
Ao apresentar o ChatGPT como um parceiro diário capaz de nos apoiar em várias situações, estes anúncios confrontam as pessoas com a linha ténue entre utilidade e humanização da tecnologia, suscitando dúvidas sobre até que ponto podemos confiar nas suas capacidades.
A confusão causada pela campanha e a paródia que a seguiu evidenciam, também, os desafios éticos na publicidade, mostrando como a criatividade pode facilmente ser confundida com manipulação.