A Meta prepara-se para implementar uma das alterações mais controversas da sua história no que toca à privacidade dos seus utilizadores. A nova política, que afeta serviços como o WhatsApp, Instagram e Facebook, permitirá que a inteligência artificial (IA) da empresa analise o conteúdo das suas interações para fins publicitários.
Uma nova era de publicidade direcionada
A justificação oficial da Meta para esta mudança é a melhoria da experiência publicitária, tornando os anúncios mais relevantes e alinhados com os interesses de cada pessoa. Contudo, o método para alcançar este objetivo está a gerar grande preocupação.
A partir da implementação da nova política de privacidade, a Meta AI terá permissão para utilizar as suas conversas com o assistente de IA para treinar os seus algoritmos e personalizar a publicidade que lhe é exibida.
Isto significa que qualquer interação de texto ou áudio com a Meta AI será processada para refinar o seu perfil de utilizador. Se, por exemplo, conversar com a IA sobre umas férias em Paris, é muito provável que, em breve, comece a ver anúncios relacionados com voos para França, hotéis na capital francesa ou outras atividades turísticas semelhantes nas aplicações do ecossistema Meta.
Neste momento, o alcance exato desta monitorização ainda não é totalmente claro. A Meta confirmou que as conversas diretas com a sua IA serão utilizadas, mas subsistem dúvidas sobre outros cenários. Por exemplo, a Meta AI pode ser invocada em conversas de grupo ou individuais com outros utilizadores. Se mencionar a IA num chat com amigos, essa conversa será também alvo de análise para fins publicitários?
É certo que qualquer mensagem enviada diretamente para o chat da Meta AI será incluída neste sistema de análise. A grande incógnita permanece sobre as interações indiretas, o que deixa um espaço cinzento considerável no que diz respeito à privacidade das conversas entre utilizadores.
É possível contornar esta nova política da Meta?
Tal como acontece com outras alterações às políticas da Meta, a aceitação é, na prática, obrigatória para quem deseja continuar a utilizar os seus serviços. A única forma de garantir a 100% que as suas conversas não são utilizadas é deixar de usar o WhatsApp, Instagram e Facebook, um passo irrealista para a maioria das pessoas.
A boa notícia é que a medida está centrada na utilização da Meta AI. Portanto, a abordagem mais pragmática para evitar esta monitorização passa por não utilizar o assistente de IA da empresa. No entanto, esta solução depende do esclarecimento da Meta sobre a análise de conversas onde a IA é apenas mencionada.
Existe ainda uma distinção importante: enquanto no Instagram e no Facebook a medida parece ser inevitável para quem usa a IA, no WhatsApp a situação é ligeiramente diferente. Segundo a própria empresa, a recolha de dados só ocorrerá se a conta do WhatsApp estiver associada ao Centro de Contas da Meta.
Ainda assim, esta nova política está a gerar uma onda de críticas por parte dos utilizadores, que sentem que a sua privacidade está cada vez mais vulnerável. A solução definitiva seria abandonar estas plataformas, mas o problema reside na sua popularidade e integração no dia a dia de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo.
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