Pplware

Esta banda 100% IA tem quase 500.000 ouvintes em menos de um mês no Spotify

Em menos de um mês, uma misteriosa banda de rock psicadélico acumulou uma audiência massiva no Spotify, o que levantou um aceso debate sobre a autenticidade e o futuro da criação musical na era da inteligência artificial (IA).


Mais de 400.000 ouvintes mensais

No panorama musical atual, onde a notoriedade se constrói habitualmente ao longo de anos, o surgimento dos The Velvet Sundown é um verdadeiro enigma digital. Em poucas semanas, esta banda, que aparenta ter sido inteiramente gerada por IA, conseguiu cativar mais de 400.000 ouvintes mensais no Spotify, um feito notável para qualquer “novo artista”.

A discografia da banda apareceu na plataforma de forma quase instantânea. O álbum de estreia, “Floating On Echoes”, foi lançado a 5 de junho, seguido por “Dust and Silence” apenas 15 dias depois, a 20 de junho.

A sua biografia no Spotify descreve um quarteto composto por figuras fictícias: “o vocalista e feiticeiro do mellotron Gabe Farrow, o guitarrista Lennie West, o alquimista de baixo e sintetizadores Milo Rains, e o percussionista de espírito livre Orion ‘Rio’ Del Marr”. O seu som é catalogado como pop alternativo cinematográfico e soul analógico sonhador.

Contudo, a fachada cuidadosamente construída não tardou a ser posta em causa. Utilizadores do Reddit, ao encontrarem as músicas da banda nas suas playlists “Descobertas da Semana”, iniciaram uma investigação. A ausência total de um historial ou de qualquer presença online fora das plataformas de streaming levantou as primeiras suspeitas.

A especulação intensificou-se com a criação de uma conta de Instagram a 27 de junho, que exibe imagens dos supostos membros da banda com uma estética que muitos utilizadores identificaram de imediato como sendo gerada por IA.

Investigação mais profunda desmascarou a banda

O remate final na sua credibilidade foi a inclusão de uma citação falsamente atribuída à Billboard, que descreveria a sua música como “a memória de algo que nunca vivemos, e que de alguma forma se torna real” – uma crítica que a prestigiada nunca escreveu.

Atualmente, o Spotify não possui restrições explícitas quanto ao uso de tecnologia na criação musical, o que abre portas a projetos como os The Velvet Sundown. A sua música está igualmente disponível em serviços concorrentes, como a Apple Music e a Deezer.

No entanto, as plataformas começam a tomar posições distintas. A Deezer, por exemplo, já anunciou estar a desenvolver tecnologia capaz de identificar e etiquetar publicamente as músicas que são produto de IA. A empresa revelou que recebe diariamente cerca de 10.000 músicas geradas por IA, o que já constitui 10% de todos os novos carregamentos na plataforma.

Este fenómeno insere-se numa controvérsia muito mais vasta que assola a indústria musical. Um estudo recente sugere que os profissionais da música poderão perder até um quarto dos seus rendimentos nos próximos quatro anos devido à crescente influência da IA.

A preocupação com a desvalorização do trabalho humano e a violação dos direitos de autor levou a que figuras proeminentes como Elton John, Coldplay, Dua Lipa e Paul McCartney apelassem ao governo do Reino Unido para uma revisão urgente da legislação de propriedade intelectual, de forma a fazer frente à ameaça representada pela IA.

 

Leia também:

Exit mobile version