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Vaca austríaca demonstra uso flexível e complexo de ferramenta pela primeira vez

Vaca austríaca demonstra uso flexível e complexo de ferramenta pela primeira vez. A descoberta, documentada por investigadores e publicada numa revista científica de referência, desafia a perceção tradicional sobre a cognição dos bovinos.


Investigadores publicaram recentemente na revista Current Biology um estudo que apresenta o primeiro caso documentado de utilização de ferramenta de forma flexível e com múltiplos propósitos por um bovino, desafiando ideias tradicionais sobre a cognição destes animais.

Contexto do estudo e observação

O caso centra-se numa vaca chamada Veronika, uma suíça da raça Swiss Brown que vive como animal de companhia com um agricultor orgânico.

Ao longo de mais de uma década, o dono observou Veronika a pegar em paus para se coçar, comportamento que inicialmente passou despercebido mas que foi registado em vídeo e depois levado para investigação sistemática.

Testes controlados e comportamento observado

Os cientistas realizaram experiências em que Veronika foi exposta a objectos semelhantes a ferramentas (por exemplo, uma escova de chão) em diferentes orientações.

Verificou-se que:

Significado da descoberta

Este comportamento corresponde à definição de uso de ferramenta, manipular um objecto externo para atingir um objetivo, mas, mais importante, demonstra uso flexível e multipurpose, ou seja, diferentes funções com o mesmo objecto consoante a necessidade.

Até agora, este nível de utilização de ferramentas raramente tinha sido documentado fora dos grandes símios, tornando esta vaca um caso singular entre mamíferos domésticos.

Implicações para a cognição animal

Os investigadores destacam que a vida de Veronika, vida longa, ambiente variado e contacto próximo com humanos, pode ter facilitado a emergência desta capacidade cognitiva.

A descoberta sugere que a inteligência e capacidade de adaptação de bovinos pode ser subestimada se se basear apenas em observações superficiais ou em situações de produção intensiva onde tais comportamentos não emergem.

Conclusão

O estudo amplia a nossa compreensão sobre capacidades cognitivas em espécies tradicionais da pecuária e abre portas para futuras investigações sobre como o ambiente e as interacções com humanos influenciam a expressão comportamental complexa em animais considerados “não inteligentes”.

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