O Global Firepower voltou a publicar a sua análise anual ao poder militar dos países do mundo. Com 145 nações avaliadas e mais de 60 parâmetros em análise, o ranking de 2026 confirma algumas tendências e traz surpresas. Este ano, Portugal volta a constar na lista, numa tendência de melhoria das suas forças armadas.
O que é o Global Firepower e como funciona?
O Global Firepower (GFP) é uma das referências mais consultadas a nível mundial quando se fala de capacidade militar convencional.
Publicado anualmente desde 2005, o site agrega dados sobre forças terrestres, aéreas e navais, orçamentos de defesa, logística, recursos naturais e até cobertura geográfica de cada nação.
A classificação baseia-se num índice próprio, o PowerIndex (PwrIndx), que define que, quanto mais próximo de zero, mais poderoso é o país. Na prática, uma pontuação perfeita de 0.0000 é considerada inatingível.
O modelo permite ainda que nações tecnologicamente avançadas mas de menor dimensão possam competir com grandes potências menos desenvolvidas, algo que torna a lista bastante interessante de analisar.
Estados Unidos, Rússia e China no topo
O pódio de 2026 não traz grandes surpresas. Os Estados Unidos mantêm o primeiro lugar com um PwrIndx de 0.0741, seguidos da Rússia (0.0791) e da China (0.0919), um trio que se mantém estável face ao ano anterior.
A Índia aparece na quarta posição (0.1346), consolidando o seu estatuto de potência regional em expansão.
Na Europa, França sobe ao sexto lugar com um PwrIndx de 0.1798, enquanto o Reino Unido desce ligeiramente para a oitava posição.
A Alemanha, que tem vindo a aumentar o seu investimento em defesa nos últimos anos, sobe para o 12.º lugar, num reflexo do esforço que Berlim tem protagonizado desde a invasão da Ucrânia.
Top 10 forças armadas do mundo
- Estados Unidos
- Rússia
- China
- Índia
- Coreia do Sul
- França
- Japão
- Reino Unido
- Turquia
- Itália
Forças armadas de Portugal no top 40 mundial
Uma das notas positivas para Portugal é que o país entra no ranking na 38.ª posição, com um PwrIndx de 0.6659, e com tendência de subida assinalada pelo GFP.
Tendo em conta a dimensão do país, trata-se de um resultado bastante sólido, colocando Portugal à frente da Noruega, por exemplo, bem como de outras nações com maior população e território.
No contexto da NATO, de que Portugal é membro, a posição é relevante, especialmente num momento em que a aliança pressiona os seus membros a atingir a fasquia dos 2% do PIB em despesa de defesa.
Curiosidades observadas
Entre as subidas mais notadas está a Suécia, que entra no top 30, em 26.º lugar, e o Japão, que sobe para 7.º, no que poderá ser um reflexo da revisão da sua política de defesa e do aumento significativo do orçamento militar nos últimos anos.
Já a Coreia do Norte, apesar do seu arsenal nuclear, aparece apenas na 31.ª posição, o que reflete uma das limitações metodológicas do GFP: armas nucleares e capacidades não convencionais não são contabilizadas na fórmula.
Vale a pena consultar este ranking?
O Global Firepower é uma ferramenta útil para ter uma visão geral e comparativa do estado das forças armadas mundiais. No entanto, deve ser lido com sentido crítico.
Afinal, fatores como capacidade nuclear, ciberguerra, Inteligência Artificial militar e alianças estratégicas ficam de fora da equação.
Em 2022, poucos dias após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a autoridade de cibersegurança ucraniana disse estar a travar uma guerra digital, além daquela que o país estava a enfrentar no terreno. Conforme informou, na altura, a Ucrânia estava a ser vítima de ciberataques constantes que visavam o governo e as infraestruturas, com funcionários individuais a serem também um alvo. Esta tendência de guerra híbrida mantém-se até hoje.
Ainda assim, para quem quer perceber a evolução do equilíbrio de poderes no mundo, é uma leitura curiosa.
O ranking completo de 2026 está disponível aqui.