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Suecos boicotam os supermercados por causa dos preços “excessivos”

Com o custo da alimentação a aumentar brutalmente, os consumidores da Suécia tomaram medidas: boicotar os maiores supermercados do país durante sete dias.


De acordo com algumas estimativas, desde janeiro de 2022, o custo anual da alimentação de uma família na Suécia aumentou até 30.000 coroas suecas (cerca de 2768 euros). Um pacote de café, por exemplo, deverá atingir o preço-limite de 100 coroas suecas (cerca de 9,23 euros).

Conforme a agência governamental Statistics Sweden, desde o início do ano passado, trata-se de um aumento de mais de um quarto.

Perante o aumento brutal do preço dos alimentos, milhares de pessoas em toda a Suécia decidiram boicotar os maiores supermercados do país durante sete dias, na semana passada.

O movimento ganhou força por via de publicações virais no TikTok e no Instagram, tendo assumido a forma de tema nacional e disputa política, segundo o The Guardian.

De acordo com os consumidores suecos, o aumento dos preços resulta de um “oligopoly” (em português, “oligopólio”) de supermercados e grandes produtores. Na perspetiva dos manifestantes, além da falta de concorrência entre empresas, estes dão prioridade aos seus lucros em detrimento dos clientes.

Sob a crença de que não têm nada a perder, mas tudo a ganhar, os consumidores suecos reclamam que “os preços dos alimentos dispararam enquanto as gigantes da alimentação e os grandes produtores estão a fazer milhares de milhões de lucros à nossa custa”.

Por sua vez, os supermercados culpam fatores alheios:

De nome “Bojkotta vecka 12” (que significa “Semana de boicote 12” por realizar-se na 12.ª semana do ano civil), a iniciativa do protesto incentivou os consumidores a deixarem de fazer compras nas grandes superfícies alimentares, incluindo Lidl, Hemköp, Ica, Coop e Willys, por forma a protestar contra o aumento dos preços.

Entretanto, os suecos planeiam continuar a protestar, com um boicote de três semanas à Ica, a principal retalhista de produtos alimentares da Suécia, com cerca de um terço da quota de mercado, e ao produtor de lacticínios Arla.

Depois disso, deverão acrescentar outras empresas à lista.

Uma das principais figuras do boicote, Filippa Lind, disse esperar que este protesto “conduza a uma ação política que baixe indefinidamente os preços dos produtos básicos”.

Os políticos têm de intervir e acabar com este “oligopólio” que está a causar preços elevados devido à falta de concorrência entre as empresas de mercearia.

Na sexta-feira, o Governo sueco apresentou uma nova estratégia alimentar que inclui medidas para aumentar a produção alimentar no país. O ministro dos Assuntos Rurais, Peter Kullgren, disse que quer ver mais concorrência na indústria alimentar, incluindo através do lançamento de novas mercearias.

Nessa altura, alertou, também, para o facto de os boicotes poderem ter “o efeito contrário” ao pretendido, justificando não poder apoiá-los.

 

Suécia não é o único país a boicotar supermercados

Conforme a informação partilhada pela imprensa, este é um dos vários protestos contra o custo de vida que se têm registado em toda a Europa, nas últimas semanas.

No mês passado, por exemplo, os consumidores búlgaros boicotaram as grandes cadeias de retalho e os supermercados, em protesto contra a subida dos preços dos produtos alimentares. Esta ação terá provocado uma quebra de quase 30% no volume de negócios.

Em janeiro, um boicote semelhante na Croácia estendeu-se até à Bósnia e Herzegovina, a Montenegro e à Sérvia.

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