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O que há de errado com a Nokia e RIM no mercado Mobile?

Há muito que o sol brilha forte para as gigantes de Cupertino e Mountain View enquanto “se põe” para a finlandesa Nokia e a canadiana RIM, dona do conhecido BlackBerry.

A Apple continua a bater recordes nas suas receitas, a Google consegue actualmente cerca de 900 mil activações diárias de contas Google ligadas ao seu sistema operativo, a Samsung lança o Galaxy S III em todo o mundo e bate recordes de pré-vendas… já a Nokia anunciou recentemente o despedimento de 10,000 funcionários em todo o mundo e a RIM, há cerca de 6 dias, confirmou que avançou com o seu programa de despedimentos.

Foi o porta-voz da RIM, Tenille Kennedy, que confirmou a reestruturação da empresa. Não há confirmação do número de despedimentos mas estima-se que seja entre 2,000 e 6,000. Ontem surgiram mais informações que apontam para uma separação de duas divisões dessa empresa: smartphones e rede de mensagens.

Tudo poderá partir do gosto, fanatismo ou simplesmente ser fiel a determinada marca, mas o que é certo é que os utilizadores de Android e iOS não param de crescer e os motivos para olhar, gostar e comprar produtos RIM são cada vez menores. Já a Nokia, mesmo com a Microsoft a apostar forte (ou vice-versa), o alargamento da oferta a OEMs – Samsung, Huawei, ZTE e HTC – poderá deixar para a Nokia apenas uma pequena percentagem de utilizadores do Windows Phone.

 

Nokia

Os vulgares telemóveis sempre foram o que de melhor foi comercializado pela Nokia. O “boom” destes dispositivos fez parte das receitas dessa empresa. Após adormecida algum tempo e, segundo muitos referem, ter aproveitado mal a sua própria plataforma Symbian, surgiu a gama de smartphones Lumia – que se destacaram em termos de design e qualidade – com vários modelos a serem suportados pela parceria com a Microsoft e a consequente inclusão do seu sistema operativo Windows Phone.

O sistema operativo MeeGo não pode ser esquecido, de facto existiu e agradou, mas infelizmente durante tempo a menos… isto porque esse tempo não foi sequer suficiente para ver até onde poderia ter chegado. Poderia ter sido uma boa escapatória para o sucesso mas, como tal não estava eventualmente dado como garantido, a opção foi a Microsoft.

Na Windows Phone Developers Summit foi demonstrado o sucesso de vendas de equipamentos Windows Phone na Amazon, estando 7 smartphones com Windows Phone no TOP 9 do corrente mês, para assinantes de um plano de dados. É claro que estes dados são subjectivos e não consideram muitos outros parâmetros, mercados e cenários. Se tudo fosse tido em conta, seria demonstrado que as coisas não andam a correr bem como foi dado a entender.

Os smartphones Nokia Lumia 800 e 900 são excelentes peças de hardware e únicos na oferta com Windows Phone… mas não é por isso que deixam de ser vendidos centenas de milhar de smartphones Android todos os dias, de todas as gamas. Logo, provavelmente o problema da Nokia nada tem a ver com a qualidade do hardware.

Mesmo antes da parceria da Nokia com a Microsoft, o mercado da Nokia estava em forte queda, essencialmente devido à forte adopção do Android e iOS e da falta de confiança no velho Symbian. O Symbian Belle é um sistema operativo com grande potencial, bastante parecido ao Android, e seria bom que a Nokia lhe apostasse forte. Muito provavelmente, se o MeeGo tivesse levado continuidade e o Symbian Belle mais destaque e empenho, a Nokia estaria agora numa melhor posição do que se encontra actualmente com o Windows Phone.

 

Research In Motion

O mercado da RIM sempre foi bastante restrito. Embora já tenha visto alguns utilizadores BlackBerry a usá-lo fora do ramo empresarial, essa nunca foi a forte “clientela” desses smartphones. A crise na RIM continua a agudizar-se e não há meio de criar um forte incentivo para o evitar.

São vários os motivos que podem facilmente refutar a utilização de recursos da RIM. Começando pelo tamanho da empresa que necessita do serviço e do tipo de serviços que já utiliza, a adopção de um BlackBerry Enterprise Server ligado a um Exchange, para um pequeno número de utilizadores, poderá estar fora de questão dado o investimento necessário. Depois factores inerentes ao smartphone em si como o teclado físico – quem usa o táctil muito dificilmente quer voltar ao físico -, aplicações disponíveis e integração com outros serviços presentes nas restantes plataformas (Android e iOS) bem como o crescimento da sua oferta fazem com que a RIM deixe de ser opção. Mas o Barak Obama parece que ainda usa um…

Alguns “entendidos na matéria” prevêem que a RIM já não vá produzir o BlackBerry 10 e, pelo que já se sabe dessa versão, é muito parecida com o Android quer em operação quer em funcionalidade. É provável que as grandes empresas e os serviços governamentais continuem a investir em equipamentos BlackBerry, não só pelo serviço de segurança, que é o melhor que a RIM tem, mas também por questões de controlo. Mas isso poderá não ser suficiente para garantir a sustentabilidade desta empresa.  


  A HTC aguentou-se no topo mundial de vendas de PDAs (e não só) durante vários anos, tendo quebrado os seus lucros apenas mais recentemente… no entanto continua a dar provas que tem capacidades para aguentar os momentos menos favoráveis e não pára de lançar novidades no mercado. A Samsung ‘idem aspas’, nunca esteve tão forte… Muitos apontam para que exista um tempo limite para que determinada empresa tenha lugar no mercado. O lugar da Palm já terminou… quem o deixará o seu de seguida?! [via]

O que poderia a Nokia ter feito para que o seu sucesso fosse garantido no mercado móvel?


O que pode a RIM fazer para se manter competitiva?

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