A Euribor a três meses está a bater valores que não se viam há quase dois anos, e isso tem consequências diretas na carteira de quem investe em Certificados de Aforro. A partir de setembro, as novas subscrições vão render a taxa máxima permitida por lei.
A Euribor a três meses, a taxa fixada diariamente por um grupo de bancos da Zona Euro, está acima dos 2,5% desde 14 de agosto, data em que arrancou o período de cálculo da taxa base para setembro. Na sexta-feira, a taxa chegou aos 2,524%, o valor mais alto em quase dois anos.
Segundo as regras do Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), a remuneração base dos Certificados de Aforro é calculada com base na média da Euribor a três meses ao longo de 10 dias, terminando no antepenúltimo dia útil do mês.
Por isso, se a tendência se mantiver até esta quinta-feira, essa média vai ultrapassar o limite legal de 2,5%, o que significa que os certificados vão chegar ao teto máximo permitido.
Porque é que a Euribor está a subir
A escalada da Euribor não é um fenómeno isolado. Desde o início do conflito no Médio Oriente, no final de fevereiro, que as taxas de juro têm vindo a subir de forma gradual.
O fecho do Estreito de Ormuz disparou os preços do petróleo, alimentando receios de uma nova onda inflacionista na Zona Euro. A resposta do Banco Central Europeu (BCE) foi subir as taxas em junho, e tudo aponta para uma nova subida em setembro.
Este movimento tem-se refletido diretamente na remuneração dos Certificados de Aforro, que segue a evolução da Euribor a três meses e que, por isso, está a subir de forma consecutiva desde abril.
A má notícia
Entretanto, mesmo que a Euribor continue a subir nos próximos meses, a taxa base dos Certificados de Aforro não vai acompanhar essa subida, uma vez que já está no limite legal de 2,5%.
Ou seja, este instrumento de dívida pública, destinado à poupança das famílias, esgotou a margem de crescimento da sua componente base.
Ainda assim, importa lembrar que esta taxa é apenas uma parte da equação. Os Certificados de Aforro da Série F, a série atualmente disponível, desde junho de 2023, somam ainda um prémio de permanência que cresce com o tempo de investimento: começa em 0,25 pontos percentuais no segundo ano e pode chegar a 1,75 pontos nos últimos anos da maturidade de 15 anos.
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