As recentes declarações de Bill Gates vieram reacender a já conhecida inimizade com Elon Musk. O fundador da Microsoft acusou o CEO da Tesla de ter um impacto negativo na vida das crianças mais vulneráveis do planeta.
Gates acusa Musk de cortes devastadores
Numa entrevista concedida ao Financial Times, Bill Gates teceu duras críticas a Elon Musk, acusando-o de ter um impacto terrível na vida das crianças mais pobres.
O fundador da Microsoft manifestou o seu profundo desacordo com as políticas implementadas por Musk enquanto esteve à frente do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, originalmente), uma entidade criada durante a administração de Donald Trump e que, segundo Gates, tomou decisões com repercussões prejudiciais.
Gates especificou que o encerramento de escritórios e programas governamentais cruciais, incluindo a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, originalmente), teve consequências diretas. Esta agência era vital na distribuição de apoio económico, sanitário e humanitário a nações necessitadas.
De acordo com Gates, um dos exemplos mais chocantes foi o cancelamento de subsídios a uma unidade hospitalar em Gaza, província de Moçambique, dedicada a prevenir a transmissão do VIH de mães para filhos.
Musk terá alegadamente confundido esta localidade com a Faixa de Gaza, na Palestina, justificando o corte com a alegação infundada de que os 50 milhões de dólares se destinavam à “compra de preservativos para o Hamas”.
A imagem do homem mais rico do planeta a ser responsável pela morte das crianças mais pobres do mundo não é agradável. Gostaria muito que ele fosse conhecer as crianças que agora foram infetadas com o VIH devido aos seus cortes orçamentais.
Afirmou Gates. Salientou ainda que estas medidas restritivas privaram milhões de pessoas de alimentos e medicamentos vitais, potenciando o ressurgimento de doenças como o sarampo ou a poliomielite.
Uma rivalidade antiga
As declarações de Gates vieram inflamar uma rivalidade já existente com Elon Musk. Os dois magnatas têm trocado acusações públicas em diversas ocasiões, motivadas por divergências em temas como o desenvolvimento tecnológico, as alterações climáticas e a saúde global.
Para Gates, o plano de eletrificação de Musk, focado nos Teslas, é insuficiente para combater eficazmente as alterações climáticas, uma visão expressa no seu livro “Como evitar um desastre climático”. O filantropo argumenta que a tecnologia dos carros elétricos não é aplicável a setores altamente poluentes como a aviação ou outras grandes indústrias.
Além da Tesla, Gates considera que Musk não encara a saúde pública com a devida seriedade. Um exemplo paradigmático foi a reação à pandemia de COVID-19: enquanto Musk minimizava o impacto do coronavírus, Gates investia no desenvolvimento de vacinas.
Em contrapartida, o líder da Tesla e da SpaceX acusa Gates de ser excessivamente otimista e de não ponderar os riscos inerentes à Inteligência Artificial, uma crítica que o fundador da Microsoft considera “alarmista”.
Na mesma entrevista, o antigo dirigente da Microsoft revelou a sua intenção de doar a totalidade da sua fortuna à Fundação Gates. Estes fundos serão canalizados para o combate a doenças e para a investigação da cura do VIH. Bill Gates antecipa que a organização investirá cerca de 200 mil milhões de dólares nos próximos 20 anos na criação de programas que beneficiem a humanidade.
As pessoas dirão muitas coisas sobre mim quando eu morrer, mas estou determinado a que ‘morreu rico’ não seja uma delas. Existem demasiados problemas urgentes por resolver.
Sublinhou Gates.
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