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A escola pública com melhor média de exames proibiu os telemóveis em janeiro

O debate relativamente ao impacto dos smartphones, especialmente das redes sociais, na saúde mental dos jovens está fervorosamente aceso. De facto, os especialistas e encarregados de educação têm explorado a consequências das tecnologias no comportamento e aproveitamento escolar dos mais novos. Curiosamente, em Portugal, a escola pública com melhor média de exames proibiu os telemóveis, em janeiro.


Os smartphones, bem como as redes sociais, são tópicos de debate constante, pelo impacto que terão na saúde mental, no comportamento e no aproveitamento escolar dos jovens, conforme vários estudos vão reforçando.

Em novembro do ano passado, aliás, a Austrália avançou com a decisão de proibir as redes sociais para menores de 16 anos.

Antes disso, em Portugal, o Governo já havia recomendado a proibição do uso de telemóveis nas escolas para 1.º e 2.º ciclos.

Entretanto, algumas escolas adotaram novas regras para a utilização de smartphones, nomeadamente a Escola Básica e Secundária Dr. Ferreira da Silva.

Curiosamente, o estabelecimento de ensino público com melhor média nos exames nacionais, em 2024, implementou a proibição do uso de telemóveis em todo o recinto escolar, em janeiro.

 

Telemóveis já eram alvo de restrições antes

Segundo o diretor da escola, António Almeida Figueiredo, o uso dos telemóveis já era proibido na sala de aula, a menos que solicitado por um professor para efeitos de trabalho letivo.

Desde janeiro, a proibição aplica-se, também, aos momentos de pausa.

Nos últimos anos íamos sentindo que os alunos se alheavam muito nos intervalos, sempre agarrados aos telemóveis, e que não havia interação. Passávamos nos corredores e havia silêncio, porque, embora cheios de alunos, eles estavam todos ao telemóvel.

Recordou o diretor da escola do concelho de Oliveira de Azeméis, no distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, conforme citado pela imprensa nacional.

Apesar da inicial contestação entre os jovens, os alunos adaptaram-se com facilidade às novas regras, após “um ou dois dias de ‘desmame'”.

Aliás, para que a abordagem fosse profícua, a escola aumentou a sua oferta de alternativas lúdicas, colocando à disposição dos estudantes jogos didáticos e de tabuleiro, baralhos de cartas e duas mesas de ping-pong.

Além dos alunos, Elisabete Barnabé, presidente da Associação de Pais da Escola Ferreira da Silva, recorda que alguns encarregados de educação se opuseram, também, à mudança.

No entanto, a maioria aceitou bem o que, na generalidade, consideraram “uma medida corajosa”.

Ainda que a proibição não se traduza em notas académicas, nos intervalos o objetivo já se concretizou: “Há muito barulho, muita ação – os alunos ganharam vida”, afirmou o diretor.

Apesar de o feedback relativamente às regras sobre o uso de smartphones ser positivo e estas poderem ter, de alguma forma, contribuído para o sucesso escolar dos alunos, não terão sido o fator decisivo.

Na verdade, a proximidade entre alunos, professores e psicólogos foi, por sua vez, apontada como decisiva para a Escola Básica e Secundária Dr. Ferreira da Silva ter sido o estabelecimento público com melhor média nos exames de 2024, com uma média de 13,85 valores nos 125 exames.

 

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