Temos acompanhado a evolução dos robôs humanoides e conhecido máquinas cada vez mais hábeis. Se há empresas que as testam em cenários de fábrica, esta empresa chinesa fez sucesso ao mostrar o seu modelo num contexto de hotel. Para o seu diretor-executivo, aliás, os hotéis poderão ser o seu primeiro emprego.
Fundada por um visionário nascido no ano 2000, a Unix AI conquistou duas medalhas de ouro e uma de prata nas categorias de limpeza de hotéis e receção de hóspedes no evento internacional World Humanoid Robot Games, em agosto do ano passado.
Ambas as competições testaram os robôs em termos de generalização, destreza e velocidade. A tarefa de limpeza exigia recolher objetos espalhados num quarto o mais rapidamente possível; e a tarefa de receção consistia em pegar na mala de um hóspede e entregá-la num ponto designado.
Depois disso, não tardou até que as demonstrações da máquina da empresa atraíssem atenção, com a sua linha de apoio ao cliente a ficar “inundada”, segundo Yang Fengyu, fundador e diretor-executivo da empresa chinesa: “Só na segunda semana, mais de dez clientes do setor hoteleiro visitaram as nossas instalações”.
The champion UniXAI humanoid robot that just won two gold and one silver at the World Robot Games is taking on its latest challenge: a complex, long-sequence operation in a real hotel environment.
► It handles a comprehensive range of tasks, from desk cleanup and meticulous… https://t.co/o03yEvHdjs pic.twitter.com/dvsDKdCWQz
— RoboHub🤖 (@XRoboHub) September 5, 2025
Hotéis geram dados valiosos e permitem que o robô humanoide erre
Vencedora de três medalhas, o forte desempenho da Unix AI refletiu a sua experiência acumulada. Afinal, os seus robôs já estavam implementados em cenários de limpeza “quase de consumo”, sobretudo em hotéis, onde aprendiam no terreno enquanto recolhiam dados.
A limpeza de hotéis é o que consideramos uma competência “quase de consumo”. Depois de os robôs dominarem a limpeza, organização e recolha de lixo em hotéis, essas ações básicas podem ser transferidas para casas, restaurantes ou lares.
Explicou o fundador da empresa, que estudou ciência da computação na Universidade de Michigan e iniciou posteriormente um doutoramento na mesma área na Universidade de Yale, antes de interromper os estudos para fundar a Unix AI.
Durante uma conversa com a 36Kr, Yang partilhou que os hotéis geram dados valiosos. Contrariamente aos ambientes industriais, que restringem o acesso por motivos de confidencialidade, os hotéis permitem que a empresa integre os dados de limpeza nos seus modelos.
Além disso, oferecem maior tolerância a erros, uma vez que os robôs trabalham frequentemente atrás de portas fechadas, com menor risco de interação humana.
Empresa chinesa inspira-se na Tesla
Inspirada na Tesla, a estratégia da Unix AI consiste em fornecer robôs enquanto recolhe dados, em processos que ocorrem em simultâneo. Numa abordagem que reduz o limiar de treino dos robôs, primeiro, a empresa implementa um número suficiente de robôs em cenários reais; depois, usa um ciclo de dados para ganhar escala.
A diversidade dos dados é mais importante do que o volume. Prefiro mil milhões de pontos de dados naturalmente distribuídos a um pequeno conjunto selecionado. A única forma de recolher dados naturais é através da implementação no mundo real, não em ambientes simulados.
Disse Yang Fengyu, cuja empresa é responsável pelo desenvolvimento de todo o hardware dos seus robôs.
Segundo o fundador da Unix AI, esta estratégia deve-se a três razões. Primeiro, os fornecedores são demasiado lentos, enquanto o desenvolvimento interno dá controlo. As soluções de fornecedores também criam “caixas negras”, o que dificulta o debugging.
Depois, eliminar intermediários reduz custos e, por fim, a consistência dos dados. Se o hardware não for desenvolvido internamente, os dados de diferentes gerações de robôs podem ser incompatíveis, tornando os modelos inúteis.