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ULS São João, no Porto, testa drones para transporte de medicamentos, sangue e órgãos

Um projeto-piloto vai utilizar drones, na Unidade Local de Saúde São João (ULSSJ), no Porto, para transporte de medicamentos, sangue e órgãos, permitindo encurtar o tempo de resposta e, previsivelmente, salvar mais vidas.


A utilização de drones é já comum para fins recreativos, bem como em contextos de guerra. Perante catástrofe, terramotos e maremotos, também, já foram utilizados para fazer chegar medicamentos, sangue e equipamento a áreas remotas.

Agora, em Portugal, indo ao encontro do que “são as boas práticas internacionais”, um projeto-piloto desenvolvido pela ULSSJ em parceria com o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento e o laboratório de inovação médica 4LifeLAB, vai usar drones para transporte de medicamentos, sangue e órgãos.

Se me pergunta se vai ser possível recorrer a aeronaves não tripuladas [drones] para transporte de medicamentos, sangue, órgãos, um desfibrilhador ou outro material daqui a um, cinco ou mais anos, não poderei dar a resposta.

Mas sei que a ULSSJ está a capacitar-se, de acordo com o que são as boas práticas internacionais, de acordo com o que é o conhecimento nesta área internacionalmente, das ferramentas e das condições para que isso seja possível fazer em total segurança.

Disse a presidente do conselho de administração da ULSSJ, Maria João Baptista.

À Lusa, dando exemplos de casos na Índia, Uganda, Ruanda, entre outros, Maria João Baptista, sublinhou as palavras “eficácia” e “rapidez” para descrever as mais-valias da utilização de drones na saúde.

Nos Estados Unidos, uma equipa que junta especialistas em saúde, organizações comunitárias e universidades está a conduzir um projeto-piloto que utiliza drones e desfibrilhadores automáticos externos (em inglês, DEA), com o objetivo de acelerar o tempo de resposta das equipas de emergência. Leia aqui.

Segundo a médica, “mesmo em contextos em que temos cuidados de saúde de país civilizado, que temos cuidados de saúde muito diferenciados e que há áreas muito densamente povoadas, há mais-valias”.

Num dos testes que não foi feito por nós, foi feito em outro contexto, percebeu-se que foi possível fazer chegar por drone um desfibrilhador um minuto e meio mais rápido do que transportado por uma ambulância. Para quem está em paragem cardiorrespiratória, um minuto e meio é imenso tempo, define tudo.

Projeto-piloto precisa de estar muito maduro para passar à prática

Salvaguardando que a passagem deste projeto dos testes à prática só será possível depois de o processo estar muito maturado, regulado e planeado, e que tudo está a ser acompanhado pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), Maria João Baptista revelou que a ULSSJ tem feito voos numa zona específica do hospital onde não há circulação de pessoas.

O objetivo passa por testar a capacidade de carga das aeronaves, as necessidades ao nível de temperatura, garantias de conservação, e a tecnologia necessária.

A primeira saída do perímetro do hospital não está, para já, agendada, mas deverá ser até um polo da ULSSJ, em Valongo.

E se conseguirmos enviar vacinas do hospital para os centros de saúde recorrendo a um drone? Ou recolher amostras de sangue que são colhidas em outros locais? Evitaríamos ter pessoas a fazerem isso que podem estar a desempenhar funções mais urgentes.

Disse Maria João Baptista, explicando que, por via de drones, “consegue-se mais eficiência dentro do sistema, evita-se ter pessoas paradas no trânsito e somos até mais ecológicos, fazemos menos emissões”.

Na sua perspetiva, “a componente ambiental na utilização de drones em processos logísticos tem de ser valorizada”.

No âmbito deste projeto-piloto foi lançado um concurso público para a construção de um vertiporto, uma espécie de “heliporto de drones”, que, no São João, vai ficar numa zona elevada.

Segundo Maria João Baptista, “temos de ter absoluta segurança de que o drone não coloca as pessoas em risco”.

Segundo o Jornal de Notícias, esta infraestrutura vai permitir a aterragem e descolagem de drones, que serão utilizados para transporte de medicamentos, sangue, antídotos e órgãos, se tudo correr como esperado, já em 2026, com a construção a arrancar em janeiro e ser concluída em maio.

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