Andaremos a “dormir” e não notamos que estamos a ser há anos contactados por alienígenas e não damos conta? E se os “extraterrestres” comunicarem tal como fazem os pirilampos? É arrojado, mas tem o seu toque de provocação!
Comunicação alienígena inspirada nos pirilampos
Se civilizações alienígenas avançadas existirem em vários planetas da nossa galáxia, a Via Láctea, como comunicariam entre si?
Um novo artigo científico sugere que o poderiam fazer de forma semelhante aos pirilampos na Terra. Ou seja, através de subtis flashes de luz, visíveis a enormes distâncias no espaço interestelar.
O Telescópio Espacial Hubble também observou os seus próprios pirilampos cósmicos, um rico aglomerado de galáxias chamado Abell 2163. Imagem via ESA/Hubble/NASA.
Esta é a nova hipótese apresentada por uma equipa de investigação da Arizona State University. Segundo os investigadores, enquanto na Terra continuamos a apostar em métodos tradicionais do SETI, como a procura de sinais de rádio ou megastructuras alienígenas, este tipo de comunicação luminosa poderá já estar a acontecer à nossa volta.
Por agora, trata-se apenas de uma experiência conceptual, mas é uma ideia particularmente intrigante.
Um conceito teórico, e sim… provocador
Harry Baker escreveu sobre este conceito para a Live Science a 6 de janeiro de 2026.
O artigo científico foi publicado em versão preliminar, ainda sem revisão por pares, no repositório arXiv a 8 de novembro de 2025, aguardando agora publicação na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.
O viés terrestre na procura por extraterrestres
Até hoje, a procura por inteligência extraterrestre, conhecida como SETI, tem-se baseado sobretudo em métodos inspirados na comunicação humana, como sinais de rádio, pulsos laser ou estruturas artificiais de grande escala, como as hipotéticas esferas de Dyson.
Contudo, os investigadores alertam que esta abordagem pode estar limitada por um viés antropocêntrico, partindo do princípio de que outras civilizações comunicariam de forma semelhante à nossa.
Uma civilização altamente avançada poderá ser radicalmente diferente. Além disso, para comunicações a distâncias interestelares, os sinais de rádio podem não ser a opção mais eficiente.
As pesquisas tradicionais por inteligência extraterrestre têm-se concentrado na procura de sinais de rádio artificiais e, mais recentemente, de lasers ou megaestruturas. Imagem via Observatório Nacional de Radioastronomia.
A luz como alternativa de comunicação
Como alternativa, os investigadores propõem sinais luminosos semelhantes aos usados pelos pirilampos.
Estes flashes poderiam transmitir informação específica ou funcionar como um farol repetitivo, emitido de forma ampla para outras civilizações.
Segundo a equipa, seria um método simples, possivelmente usado apenas para dizer “estamos aqui”.
A ligação com os pulsares
O universo já contém faróis naturais, como os pulsares. Estes são estrelas de neutrões altamente magnetizadas que emitem radiação em pulsos regulares.
Quando foram descobertos, chegaram a ser considerados possíveis sinais artificiais, mas acabaram por ser identificados como fenómenos naturais.
Os sinais inspirados nos pirilampos poderiam ter semelhanças com os pulsares, nomeadamente na repetição rítmica, mas com uma diferença fundamental: seriam artificiais e produzidos por civilizações provavelmente mais antigas e avançadas do que a nossa.
A equipa analisou 158 pulsares, a partir de um conjunto inicial de 3.724, para testar a viabilidade desta hipótese.
Pensar fora da caixa na procura por vida inteligente
No essencial, este estudo é um exercício teórico destinado a desafiar as ideias atuais sobre a comunicação extraterrestre.
Ao olhar para formas de comunicação não humanas na Terra, os investigadores defendem que podemos alargar a nossa compreensão sobre como a vida inteligente poderá manifestar-se noutros pontos do universo.
Em síntese, alienígenas avançados e pirilampos poderão, afinal, partilhar algo em comum: a utilização de sinais luminosos intermitentes como forma de comunicação.