Temos testemunhado anos quentes e os seguintes não serão, aparentemente, mais frescos. Um relatório de duas das principais agências meteorológicas do mundo indica que há 80% de probabilidade de o mundo bater outro recorde anual de temperatura nos próximos cinco anos, e é ainda mais provável que o mundo volte a exceder o limite internacional de temperatura estabelecido há 10 anos.
De acordo com uma previsão de cinco anos divulgada esta semana pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Serviço Meteorológico do Reino Unido, duas das principais agências meteorológicas do mundo, há 80% de probabilidade de o mundo bater outro recorde anual de temperatura nos próximos cinco anos.
Além disso, é ainda mais provável que o mundo volte a exceder o limite internacional de temperatura estabelecido há 10 anos.
Temperaturas médias globais mais altas podem parecer abstratas, mas na vida real isso traduz-se numa hipótese maior de condições meteorológicas extremas: furacões mais fortes, precipitações mais intensas, secas.
Disse Natalie Mahowald, cientista climática da Universidade Cornell, que não participou dos cálculos, alertando que “temperaturas médias globais mais altas traduzem-se em mais vidas perdidas”.
Há dez anos, as mesmas equipas calcularam que havia uma probabilidade remota semelhante – cerca de 1% – de que um dos próximos anos excedesse esse limiar crítico de 1,5 graus, e isso aconteceu no ano passado.
Este ano, um aumento de dois graus Celsius acima do ano pré-industrial entra na equação de forma semelhante. Para o chefe de previsões de longo prazo do Serviço Meteorológico do Reino Unido, Adam Scaife, e o cientista Leon Hermanson, isto é “chocante”.
Não é algo que alguém queira ver, mas é o que a ciência nos diz.
Esclareceu Leon Hermanson, citado pela imprensa.
Podemos não sentir mais calor, mas ciência deixa alerta
Dois graus de aquecimento é o limite secundário, considerado menos provável de ser ultrapassado, estabelecido pelo acordo de Paris de 2015.
Tecnicamente, embora 2024 tenha sido 1,5 graus Celsius mais quente do que a era pré-industrial, o limite do Acordo de Paris é para um período de 20 anos, portanto, não foi ultrapassado.
Levando em consideração os últimos 10 anos e prevendo os próximos 10, o mundo provavelmente está agora cerca de 1,4 graus Celsius mais quente desde meados do século XIX, estimou Chris Hewitt, diretor de serviços climáticos da Organização Meteorológica Mundial.
De acordo com Johan Rockstrom, diretor do Instituto Potsdam para a Investigação do Impacto Climático na Alemanha, e que não participou na investigação, a cada décimo de grau que o mundo aquece devido às alterações climáticas causadas pelo homem, “vamos experimentar eventos mais frequentes e mais extremos (particularmente ondas de calor, mas também secas, inundações, incêndios e furacões/tufões reforçados pelo homem)”.
Além disso, pela primeira vez, há uma hipótese, ainda que pequena, de que, antes do final da década, a temperatura anual mundial ultrapasse a meta do Acordo de Paris e atinja um aquecimento mais alarmante de dois graus Celsius, segundo as duas agências meteorológicas.
Os cálculos indicam que há 86% de probabilidade de que um dos próximos cinco anos ultrapasse 1,5 graus e 70% de probabilidade de que os cinco anos como um todo tenham uma média superior a esse marco global.
Com a previsão de que os próximos cinco anos serão, em média, mais de 1,5 °C mais quentes do que os níveis pré-industriais, isso colocará mais pessoas do que nunca em risco de ondas de calor severas, causando mais mortes e impactos graves à saúde, a menos que as pessoas possam ser melhor protegidas dos efeitos do calor.
Também podemos esperar incêndios florestais mais graves, uma vez que a atmosfera mais quente seca a paisagem.
Explicou Richard Betts, chefe de investigação sobre impactos climáticos do Serviço Meteorológico do Reino Unido e professor da Universidade de Exeter.
A par disso, segundo Hewitt, o gelo no Ártico – que continuará a aquecer 3,5 vezes mais rápido do que o resto do mundo – derreterá e os mares subirão mais rapidamente.