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Captada uma misteriosa onda de choque!

Astrónomos descobriram uma onda de choque inesperada em torno de uma anã branca, uma estrela morta que, contra todas as previsões, exibe uma estrutura energética impressionante. A observação desafia os modelos atuais e abre novas questões!


Astrónomos da Universidade de Warwick participaram na descoberta de uma onda de choque bela e enigmática em torno de uma estrela morta.

A observação, totalmente inesperada, foi realizada com o Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul e publicada na revista Nature Astronomy.

Uma anã branca sem disco, mas com uma estrutura impressionante

A estrela, designada RXJ0528+2838, é uma anã branca num sistema binário com uma estrela semelhante ao Sol e encontra-se a cerca de 730 anos-luz da Terra.

Normalmente, nestes sistemas, o material da estrela companheira forma um disco de acreção em torno da anã branca, originando jatos e ondas de choque ao colidir com o meio interestelar.

A estrela anã branca RXJ0528+2838 com a sua misteriosa onda de choque circundante

Neste caso, não existe qualquer evidência de um disco de material. Ainda assim, os astrónomos identificaram uma onda de choque em forma de arco, semelhante à proa de um navio, algo que contradiz os modelos atuais.

Dimensão colossal e origem ainda inexplicável

A estrutura observada tem um tamanho impressionante, cerca de 3800 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Dados espectroscópicos indicam que a anã branca terá produzido fluxos energéticos durante, pelo menos, mil anos.

O sistema é classificado como uma anã branca polar, caracterizada por um campo magnético intenso que pode canalizar diretamente o material da estrela companheira.

No entanto, o campo magnético atualmente medido é apenas marginalmente suficiente para sustentar uma onda de choque por algumas centenas de anos, ficando aquém do necessário para explicar o fenómeno observado.

Um novo desafio para a astrofísica estelar

Segundo os investigadores, esta descoberta sugere a existência de um mecanismo adicional de perda de energia, possivelmente ligado ao magnetismo extremo, que ainda não está contemplado nos modelos teóricos de evolução de sistemas binários.

A proximidade deste sistema à Terra torna-o um alvo privilegiado para futuras observações. A próxima etapa passa por identificar exemplos semelhantes na nossa galáxia, de forma a compreender como estrelas aparentemente “silenciosas” conseguem gerar estruturas tão energéticas e duradouras no espaço.

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