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Astrónomos viram-se para Enceladus. A lua de Saturno poderá ter vida extraterrestre

Enceladus é uma das luas mais pequenas de Saturno, com apenas cerca de 500 km de diâmetro, mas é, simultaneamente, um dos objectos mais atractivos para os cientistas que procuram sinais de vida fora da Terra. E há condições ideiais para isso!


Enceladus: uma lua pequena, mas importante

Desde que a missão Cassini identificou géiseres de vapor de água e partículas de gelo a jorrar de fissuras na sua superfície gelada, as chamadas tiger stripes perto do polo sul, ficou claro que existe um oceano de água líquida sob uma espessa camada de gelo.

As explosões de vapor e gelo que Enceladus expele para o espaço contêm moléculas orgânicas, sais e outros compostos essenciais à vida tal como a conhecemos.

Um estudo publicado em novembro, por cientistas da Universidade de Oxford, revelou a primeira evidência clara de um forte fluxo de calor no polo norte de Encélado. Esta descoberta contraria as crenças anteriores de que a perda de calor ocorria apenas no polo sul ativo da lua.

Datações e análises destes materiais mostram que a água líquida é salgada e rica em elementos que, na Terra, suportam ecossistemas mesmo em ambientes extremos.

Estudos recentes revelaram ainda novos compostos complexos nesses plumes, reforçando a ideia de que a química do oceano subterrâneo é sofisticada e potencialmente propícia à vida microbiana.

Energia e Estabilidade a Longo Prazo

Para que a vida possa florescer, é necessário não só água e elementos químicos adequados, mas também uma fonte de energia.

Em Enceladus, as forças de maré geradas por Saturno aquecem o interior da lua e mantêm o oceano líquido, um processo semelhante ao que alimenta ecossistemas em fontes hidrotermais no fundo dos oceanos terrestres.

Novos estudos mostram que o balanço de calor de Enceladus, a energia que entra na lua e a que sai para o espaço, pode manter o oceano estável ao longo de milhões de anos, condição considerada essencial para possíveis formas de vida evoluírem e sobreviverem.

Um novo estudo limitou o fluxo de calor condutivo global de Encélado, estudando as variações sazonais de temperatura no seu polo norte (amarelo). Estes resultados, quando combinados com os já existentes da sua região polar sul altamente ativa (vermelho), fornecem a primeira restrição observacional do balanço de perda de energia de Encélado (<54 GW), o que é consistente com a entrada de energia prevista (50 a 55 GW) do aquecimento das marés. Isto implica que a atividade atual de Encélado é sustentável a longo prazo, um pré-requisito importante para a evolução da vida, que se acredita existir no seu oceano subterrâneo global.

Habitabilidade vs Vida

Embora Enceladus cumpra muitos dos requisitos para ser considerado habitável, água líquida, química rica, e energia disponível, os cientistas são cautelosos.

Habitabilidade não implica necessariamente que exista vida. Até agora não há prova directa de vida microbiana ou outro tipo de organismo na lua.

No entanto, cada nova descoberta de moléculas orgânicas e a estabilidade do seu oceano reforçam a importância de Enceladus como alvo para futuras missões de exploração.

Futuro da Exploração Científica

Agências espaciais como a Agência Espacial Europeia (ESA) estão a planear missões com orbitadores e, possivelmente, módulos de aterragem para Enceladus nas décadas de 2030-2040.

Estas missões têm o objectivo de estudar directamente a composição dos plumes, a química do oceano e, quem sabe, procurar sinais biológicos mais directos.

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