Pplware

O grande mito da navegação anónima: não é anónima, nem nunca foi

Muitos utilizadores recorrem ao modo de navegação anónima na crença de que este garante total anonimato online. No entanto, a realidade é muito diferente e esta funcionalidade oferece uma falsa sensação de segurança que deve ser desmistificada.


A ilusão dos modos de privacidade

O ritual é familiar. Abre um novo separador em modo privado, a janela do browser escurece e, de imediato, instala-se uma sensação de invisibilidade. Sem histórico, sem cookies, sem deixar rasto – certo? Errado.

A navegação privada nunca foi concebida para ocultar a sua identidade, mas sim para eliminar o seu histórico de navegação local. O seu fornecedor de internet, a sua entidade patronal, as agências governamentais e a esmagadora maioria dos websites que visita continuam a conseguir monitorizar a sua atividade.

O adjetivo “privado” associado a este modo de navegação é um dos maiores equívocos no mundo da tecnologia, iludindo utilizadores há quase duas décadas.

Quando a Google lançou o modo de navegação anónima do Chrome em 2008, a designação foi suficiente para criar uma perceção de segurança. A funcionalidade sempre incluiu um pequeno aviso a informar que a sua atividade “poderá continuar visível para os websites que visita, para o seu empregador ou para o seu fornecedor de Internet”.

Contudo, sejamos honestos: quem lê as letras pequenas? A mensagem principal era “anónimo”, o ecrã escurecia e a ideia transmitida era clara – o utilizador está oculto. Na verdade, nunca esteve.

O que a navegação privada realmente faz (e o que não faz)

Estes modos têm, de facto, algumas funções úteis, mas não se aproximam do nível de privacidade que muitos esperam. Quando utiliza o modo anónimo, o Chrome simplesmente ignora o seu histórico de navegação, a cache, os cookies e as informações de preenchimento automático. E é tudo.

Por outro lado, continua a registar o seu endereço IP, permite publicidade direcionada com base na sua atividade e não oferece qualquer proteção contra técnicas de browser fingerprinting (identificação do browser) ou contra o registo de dados por parte do seu fornecedor de Internet. Resumidamente, a sua utilidade é bastante limitada.

Diversos estudos confirmam que os modos de navegação privada são pouco mais do que um placebo. Um artigo de 2017 das universidades de Princeton e Stanford, por exemplo, conseguiu associar mais de 70% dos participantes aos seus perfis de redes sociais apenas através da análise dos links visitados em modo anónimo.

O que deve realmente fazer para manter a privacidade online

A verdadeira privacidade online é um bem raro. Num mundo hiperconectado, parece que há sempre uma nova entidade a solicitar os seus dados ou um novo serviço a sofrer uma violação de segurança, expondo a sua informação pessoal na dark web.

Manter a privacidade na Internet não é fácil, mas também não é impossível. Requer apenas o conhecimento de algumas ferramentas e práticas:

Não existe uma solução mágica de um só clique para a privacidade. Exige algum esforço e ponderação, mas é um objetivo perfeitamente alcançável.

 

Leia também:

Exit mobile version