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Genialidade ou acaso? 4 funcionalidades de software que nasceram por engano

Muitas das funcionalidades de software que utilizamos diariamente parecem o resultado de um planeamento meticuloso, mas a história da tecnologia está repleta de inovações que surgiram por mero acaso. Deixamos 4 exemplos marcantes de funcionalidades que não foram intencionalmente criadas para o propósito que hoje lhes damos.


1️⃣ Personalização das interfaces de software

Atualmente, damos por garantido que podemos alterar a aparência dos nossos sistemas operativos. É possível modificar as cores das janelas, o tipo de letra do sistema, o aspeto de botões e muitos outros elementos. Embora as opções variem entre sistemas, o princípio é o mesmo: permitir que o utilizador adapte a interface ao seu gosto, mesmo que isso desagrade a um especialista em experiência de utilizador (UX).

A origem desta flexibilidade pode muito bem remontar a um episódio envolvendo Steve Jobs. Segundo Andy Hertzfeld, um dos primeiros engenheiros da Apple, um colega chamado Chris Espinosa estava a desenvolver a aplicação de calculadora para o Mac. Ao apresentar o seu trabalho a Jobs, foi confrontado com uma longa lista de críticas sobre o design.

Conhecido pelo seu perfecionismo, Jobs era implacável. Frustrado com as constantes revisões, Espinosa teve uma ideia brilhante: em vez de tentar adivinhar as preferências do chefe, adicionou uma série de controlos e definições que permitiam a qualquer pessoa – incluindo Jobs – ajustar todos os aspetos visuais da aplicação.

Assim, de forma talvez acidental, nasceu o conceito de dar ao utilizador o poder de decidir como a sua interface se deve parecer e comportar.

2️⃣ Roda do rato: de zoom a scroll por acidente

O Microsoft Intellimouse é um periférico lendário, em parte por ter popularizado a roda de scroll em substituição do botão do meio. Esta inovação tornou-se indispensável na era da internet para navegar em páginas web, documentos extensos e folhas de cálculo.

Contudo, a sua função original não era essa. De acordo com Jack McCauley, cofundador da Oculus e uma das pessoas que reivindica a sua invenção, a roda foi concebida para funcionar como um controlo de zoom. A ideia era oferecer uma forma intuitiva de aproximar ou afastar a visualização.

Embora a sua principal função tenha evoluído para a navegação vertical, é curioso notar que a ideia original não desapareceu por completo. Em muitas aplicações de modelação 3D, jogos e software de edição, a roda do rato ainda é utilizada para controlar o zoom (o eixo Z).

Ainda assim, é irónico pensar que uma funcionalidade com ambições tridimensionais tenha sido massivamente adotada pelos programadores para uma tarefa tão simples como evitar arrastar uma barra de deslocamento.

3️⃣ O “Anular” que começou como uma ferramenta de depuração

Todos nós já fomos salvos pelo atalho Ctrl+Z (ou Cmd+Z). A capacidade de anular um erro é uma das funcionalidades mais básicas e essenciais de qualquer software moderno. Hoje em dia, com a abundância de memória nos computadores, é comum podermos anular múltiplas ações consecutivas na maioria das aplicações.

No entanto, o conceito de “anular” não nasceu como uma ferramenta para o utilizador final. A sua génese está na depuração de software (debugging). A ideia de “Execução reversível” foi proposta em 1971 na tese de doutoramento de Marvin Zelkowitz, que a descreveu como uma ferramenta de diagnóstico para programadores. O objetivo era permitir que estes pudessem recuar na execução do código, linha por linha, para identificar a origem de uma falha.

Embora outros tenham expandido a ideia, foram os programadores do Xerox PARC (o centro de investigação que “inspirou” tanto Bill Gates como Steve Jobs) que batizaram a função como “Undo” (Anular) e lhe associaram o famoso atalho Ctrl+Z, tornando-a uma funcionalidade acessível a todos.

4️⃣ Navegação por separadores: uma herança das folhas de cálculo

Quem começou a navegar na internet no final dos anos 90 lembra-se de uma era sem separadores (tabs), onde cada página web abria numa nova janela. Hoje, parece impossível imaginar a internet sem eles, mas a sua origem não está nos browsers.

Interfaces com separadores já existiam em aplicações de produtividade desde os anos 80, como em processadores de texto e, mais notavelmente, em folhas de cálculo como o Borland Quattro Pro. A ideia foi simplesmente importada para os browsers em meados dos anos 90, embora só se tenha popularizado no início dos anos 2000 com o Firefox. O Internet Explorer, por exemplo, apenas adotou a funcionalidade em 2007.

O que começou como uma opção secundária, inspirada noutro tipo de software, foi rapidamente abraçada pelos utilizadores, que a preferiram à gestão caótica de dezenas de janelas abertas. Assim, uma funcionalidade que não foi desenhada para a web transformou-se num pilar da navegação moderna.

 

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