Pplware

Resident Evil 5 – Xbox 360 | Playstation 3

Por Gonçalo Silva – LusoGamer para o Pplware Quando foi anunciado e apresentado ao público pela primeira vez em 2005, Resident Evil 5, deixou muitos gamers em pulgas. Como seria o jogo? Teria a sua versão final, aquele nível gráfico? E a sua história, resolveria todas as pontas soltas da série? Perguntas e duvidas, rodearam aquele, agora longínquo trailer de Chris num continente africano a enfrentar inimigos desconhecidos.

A expectativa instalada por esse momento foi aumentando com a saída de mais informação nos meses e anos seguintes. Sabíamos que Chris teria uma nova parceira, sabíamos que Wesker estaria envolvido e sabíamos que a perspectiva na terceira pessoa introduzida por Resident Evil 4 manter-se-ia…ficando no final mais uma questão. Seria Resident Evil 5 capaz de superar o seu antecessor? Teriamos nós em mão um suposto final digno da série?

Passados quase 4 anos e as respostas estão aqui. Resident Evil 5 chegou e a sua presença deixará uma marca inconfundível na saga.

Passaram-se 10 anos, desde aquele dia fatídico nas montanhas Arklay. Um dia em que os horrores libertados numa mansão mudariam não só as vidas de Chris Redfield, Jill Valentine e Barry Burton, como também de toda a população de Raccoon City. As maquinações de uma companhia farmacêutica chamada Umbrella, levariam à morte de milhares mas também à sua consequente destruição. São com estes fantasmas do passado que encontramos Chris, agora mais velho e mais experiente, a viajar pelas savanas de África.

Acompanhado por uma nova parceira, uma indígena local, chamada Sheva Alomar, Chris tem como missão investigar um suposto negócio de armas, que vai decorrer numa zona deserta do velho continente conhecida como Kijuju. Chris e Sheva pertencem ambos a um grupo chamado BSAA, criado por várias farmacêuticas mundiais, com o objectivo de procurar e destruir potenciais armas biológicas, espalhadas por todo o mundo. Mas como é habitual neste tipo de jogos, a missão não corre bem e a equipa que estava encarregue de impedir o negócio é chacinada… para além disso a população local começa a mostrar comportamentos deveras semelhantes a alguém infectado com o vírus Las Plagas de Resident Evil 4. Começa assim uma luta pela sobrevivência, ao mesmo tempo que o par de heróis tenta descobrir as razões por de trás da missão, levando-os a localizações perigosas, eventos sinistros e finalmente a segredos obscuros, ligados a esses fantasmas do passado.


É uma história que ao contrário do que aconteceu com Resident Evil 4, leva-nos de volta ao passado interligando personagens, eventos e até mesmo inimigos reminiscentes a Raccon City. Nota-se também que a complexidade da história desapareceu um pouco, principalmente devido a mudança de uma para mais plataformas, atingindo assim um público mais mainstream. É talvez uma pequena desilusão para os fãs mais hardcores da serie, mas que é facilmente superável pela qualidade do atar de todas as pontas soltas da saga. É uma aposta certa de que se houver um novo Resident Evil, este não voltará a lidar com eventos do passado, porque em Resident Evil 5, todas as respostas são dadas.

Claro que para contar uma boa história, há que haver uma apresentação visual e sonora ao mesmo nível, e isso, Resident Evil 5 tem para dar e receber. Os ambientes são extremamente variados, do principio ao fim do jogo sendo notável o cuidado dado a pormenores técnicos como os efeitos de luz, fumo e de partículas…são elementos que dão vida aos cenários de uma forma única, e se tivermos em mente que estamos perante uma versão actualizada do motor de jogo usado em jogos como Dead Rising, Lost Planet ou Devil May Cry 4, compreendemos o trabalho e cuidado envolvido neste projecto.

As cutscenes em tempo real presentes em Resident Evil 5 são do melhor alguma vez visto num jogo de acção. Verão sequências de acção e de combate que chegam mesmo a igualar e às vezes a superar a qualidade entregue por títulos como Metal Gear Solid 4…é assim tão bom. O design das criaturas quer elas sejam humanas ou não, é extremamente variado, bem construído e original deixando-nos muita vezes a pensar, “de que mente perversa é que saem estas monstros?”.

Quanto aos personagens humanos e principais do jogo, é notável o toque dado a certos pormenores, quer sejam as expressões faciais, o movimento dos olhos e de todas aquelas simples animações que raramente notamos, mas que tornam os personagens facilmente credíveis e inequivocamente humanas


Sonoramente a qualidade não decresce. É verdade que por vezes aquele estigma já habitual da serie, de ouvirmos vozes e diálogos horríveis por vezes ainda se sente. Mas é impossível negar a evolução feita neste aspecto, face aos títulos do passado. Particular destaque vai para os trabalhos de voz apresentados por Roger Craig Smith e D.C. Douglas, que encarnam os personagens Chris Redfield e Albert Wesker, nomeadamente, de uma forma soberba. Depois vem o som ambiente. Do vento, a água a correr, passando pelo barulho dos nossos passos, o som das nossas armas e até mesmo aquela musiquinha de fundo que não pára de tocar até derrotarmos aquele último adversário…todos estes aspectos contribuem para uma atmosfera de tensão que nos guia e nos compele a avançar e a completar este jogo.

É inegável que Resident Evil 4 foi o título que conseguiu elevar osThird Person Shooter ao patamar seguinte. Para muitos é até mesmo o pioneiro do género, servindo de base e de inspiração para muitos outros títulos semelhantes que vingaram nesta indústria, como Gears of War ou Uncharted. Foi com as bases de RE4 em mente que a Capcom decidiu aplicar a máxima do “se não está partido, não devemos mexer”.

Resident Evil 5 regressa de novo com a visão na terceira pessoa, por de trás do ombro, apresentada pelo seu antecessor. Manteve-se também todo o conceito que tem sido alvo de várias críticas face à comodidade apresentada por todos os outros TPS´s da actualidade. Falo claro da mecânica, parar para disparar. É compreensível a atitude conservadora da Capcom em manter esta mecânica que tem vindo a acompanhar a serie desde o seu início, nem que seja para honrar os fãs. É a minha opinião que o actualizar desta característica tornaria Resident Evil 5 num TPS banal, sem mencionar claro que mudaria por completo toda a estrutura de jogo. Trata-se por e simplesmente de uma questão de hábito, porque passados 10 ou 20 minutos de jogo e a mente do jogador passará de “que raio de controlos são estes” para “tiro na cabeça seguido de um ataque melee e trocar para uma caçadeira para limpar o resto dos inimigos” é tão simples quanto isso e se forem acima de tudo fãs deste género, não ficarão desiludidos.


Mas a mecânica que tem vindo a realçar ainda mais este título da saga, é sem dúvida o Co-op. Sheva acompanhar-nos-á do principio ao fim do jogo, quer sendo controlada pela A.I. ou por um amigo nosso em Split Screen ou Online. A A.I. em si não é má de todo, ajuda nos momentos de maior aflição, é efectiva com as armas que nós lhe damos, e no mínimo dos mínimos é útil para guardar itens no seu inventário. Claro que também tem os seus lados negativos. Casualmente deixa-se matar de forma algo frustrante; o seu sentido de poupança de balas, não é dos mais apurados e finalmente se tiver mais que uma arma no seu inventório só trocará por vontade própria caso as balas da arma que tem equipada acabem. Claro que todos estes pequenos problemas por e simplesmente desaparecem se jogarmos com um amigo em Co-op Online de preferência, dado que o Split Screen tal como o nome diz divide o ecrã ao meio, deixando o jogo com um aspecto um pouco feio.

É aqui que reside a essência de todo o jogo e é assim que Resident Evil 5 deve ser jogado. Dois amigos do principio ao fim a experienciarem as mesmas situações de acção e tensão oferecidas pelo jogo, ao mesmo tempo que partilham itens e tesouros (infelizmente não é possível trocar armas). É aconselhável a 2 jogadores com alguma experiência na serie, a começarem o jogo no modo Veterano, deixando o Normal para a A.I..

De regresso está também o sistema de inventório introduzido por Resident Evil 4, pelo menos na sua forma mais básica. Desta vez não teremos malas em que cada item tem o seu tamanho ocupando um determinado espaço e levando-nos a perder alguns minutos a “arrumar a casa”. Em Resident Evil 5 o inventório está limitado a 9 espaços, cada qual pode ser ocupado por uma arma, erva ou qualquer tipo de munição, independentemente do seu tamanho. Escusado será dizer que facilmente encherão o vosso inventório, tendo muitas vezes que deixar algum tipo de munição ou erva para trás, porque por e simplesmente não têm espaço…mas também não se preocupem, raramente ao longo do jogo ver-se-ão sem munições para as vossas armas.

A não ser claro que gostem de gastar clips inteiros nos vossos inimigos…mas aí é uma questão de aprendizagem vossa, porque Resident Evil 5, tal como o seu antecessor, não é para ser jogado de tal forma. Uma das particularidades novas do inventório é que o facto de acederem a este não pausará o jogo tal como acontecia em Resident Evil 4, continuando assim a acção a decorrer. É sem dúvida uma forma de manter a tensão de jogo, mas obrigar também o jogador a planear as suas acções antes de agir, equilibrando de certa forma toda a estrutura de jogo.

Ausente encontra-se o Merchant introduzido em RE4. Lembram-se daquele Ganado com uma voz rouca e arrepiante que dizia sempre “What’re ya sellin’?” ao interagirmos com ele? Pois é desta vez a “loja” limita-se a um ecrã de preparação que aparece entre missões ou até mesmo quando morremos ao longo do jogo. Aí podemos arrumar o nosso inventório, guardar ou vender itens que tenhamos no nosso “baú” e claro comprar armas novas e fazer upgrade às que já temos. Independentemente de tudo continua a ser uma característica que garante variedade ao combate e a toda a estrutura de jogo como acontecia no título anterior.

A campanha de RE5 pode ser completada entre 8 a 10 horas de jogo, um pouco mais se for jogada com a A.I.. No entanto não desesperem. Existe uma quantidade elevada de unlockables para desfrutar. Emblemas para encontrar ao longo do jogo, fatos e figuras para comprar, armas para quitar, ficheiros para ler e para os mais fanáticos, dificuldades extra para desfrutar com amigos. Juntado a isto o modo Mercenários que garante um elevado número de horas extra de surpreendente e puro vicio e terão em mãos um título que compensará o dinheiro investido nele.

Apesar de não superar RE4, esta 5ª entrega na serie é totalmente dedicada aos fãs e aos pormenores que a compõem. Cenário únicos e em constante mudança, inimigos e principalmente bosses que nem sempre morrem através da força bruta, mas através do engenho e raciocínio, tornam este título num marco único e acima de tudo independente do molde, merecendo créditos mais como trabalho independente do que como sequela. É com esperança e expectativa que aguardamos os próximos episódios da saga, quer sejam eles algo de totalmente novo ou um rumorado regresso às origens. Temos em mãos um titulo realmente digno da serie e que deve ser apreciado por todos, fãs ou não. Resident Evil 5 chegou e a marca que deixa, vai ecoar durante muitos anos.


Homepage: Resident Evil

Exit mobile version