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Jogo na Steam promove violência sexual: “torna-te o pior pesadelo das mulheres”

Numa altura em que o tópico tem sido explorado em debates, a Steam parece manter, na sua plataforma de jogos, um título cujo objetivo é ser “o pior pesadelo das mulheres”.


De nome “No Mercy”, o jogo em questão procura que os jogadores se tornem no “pior pesadelo das mulheres”, num conteúdo que, conforme avisado antes mesmo do acesso, “pode não ser apropriado para todas as idades ou para ser visto no local de trabalho”.

Disponível na Steam, o jogo “promove a violência sexual gráfica, o incesto, a chantagem e a dominação masculina, encorajando explicitamente os jogadores a envolverem-se em atos não consensuais e comportamentos misóginos e é descrito como tal”.

O romance visual para adultos foi adicionado à Steam, no mês passado, e inclui uma narrativa baseada na dominação masculina e em relações incestuosas, que encoraja os jogadores a “não aceitarem um «não» como resposta”.

Pelos motivos enumerados, nos Estados Unidos, o Centro Nacional de Exploração Sexual já condenou e instou a Steam a retirar o jogo da plataforma.

 

Entidades apelam a remoção do jogo pela Steam

Se a Austrália e o Canadá já tornaram o jogo inacessível para download, o Reino Unido condenou, também, a disponibilidade de um conteúdo “em que o protagonista se envolve em contacto sexual não consensual, violência sexual, violação e incesto”.

Esperamos que cada uma dessas empresas [de tecnologia] remova o conteúdo o mais rápido possível após tomar conhecimento dele. É o que a lei exige, é o que eu exijo como secretário de Estado, e é certamente o que esperamos que as plataformas que operam e têm o privilégio de aceder à sociedade britânica e à economia britânica façam.

Incentivou Peder Kyle, secretário britânico para a Ciência, Inovação e Tecnologia do Reino Unido, à LBC, citado pela CNN.

Ainda no Reino Unido, a organização sem fins lucrativos Women in Games pediu à Valve que removesse o jogo da Steam.

O facto de um jogo como este estar disponível no Steam – uma das maiores plataformas de jogos do mundo – é totalmente inaceitável. Envia uma mensagem clara e angustiante: a de que a violência contra as mulheres não só é tolerável, como pode ser jogada. Esta mensagem não tem lugar na nossa indústria, nas nossas comunidades ou na nossa sociedade.

Afirmou Marie-Claire Isaaman, diretora-executiva da Women in Games, condenando fortemente o jogo e referindo que o conteúdo “não só é vil e perigoso, como promove ativamente a desumanização de mulheres e raparigas”.

A executiva pediu à Valve que “atuasse com urgência” e removesse o jogo, reforçando a necessidade de políticas de moderação de conteúdos mais rigorosas e de uma atitude de tolerância zero em relação à discriminação e ao ódio.

Entretanto, em Portugal, onde o jogo tem uma avaliação “muito positiva” pelos utilizadores, segundo o jornal Público, o título ainda estará disponível, para maiores de 18 anos, em inglês.

 

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