A Polícia Judiciária, em cooperação com o DIAP da Amadora/3.ª Secção, deteve na zona de Leiria, no dia de hoje, um homem e uma mulher, de nacionalidade estrangeira, presumíveis autores de vários crimes de burla qualificada, branqueamento de capitais e falsidade informática, com origem no esquema conhecido por Olá Pai/Olá Mãe.
A investigação, a cargo da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da PJ, iniciou-se em 2022, tendo sido identificadas diversas transferências ordenadas pelas vítimas, tendo como destino as contas bancárias dos suspeitos.
Em causa estão valores consideravelmente elevados, estimados em cerca de dezenas de milhares de euros.
Na sequência das detenções e buscas domiciliárias procedeu-se à apreensão de equipamentos informáticos e documentação bancária. Os detidos, um casal, com 24 e 26 anos de idade, serão presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas. As investigações prosseguem.
Burla “Olá Pai/Olá mãe” – Sugestões
O modus operandi comummente denominado “Olá Mãe/Olá Pai”, traduz-se num esquema fraudulento onde os agentes do crime contactam as vítimas, através da aplicação WhatsApp, fazendo-se passar ardilosamente pelo(a) filho(a) ou familiar próximo das mesmas, ainda que através de um novo número de telefone (com a referência de que o telefone/cartão se avariou), usando (por ser fácil de obter nas redes sociais) fotos de perfil desse filho(a)/familiar.
De seguida, com a justificação de que não conseguem aceder à aplicação de home banking e por qualquer necessidade (ex. pagamento urgente) solicitam a realização de uma, ou várias, transferências bancárias e/ou pagamentos por entidade valores remetidos para “Money Mules” que aderiram ao plano criminoso, tendo por missão receber e dissipar fundos.
Através do ardil criado (aproveitando-se da preocupação/genuíno desejo dos pais em ajudar os filhos ou familiares) levam os lesados a praticar atos que lhes causam, por vezes, avultados prejuízos patrimoniais.
A PJ aconselha…
- Não tenha como certo que uma qualquer mensagem recebida foi enviada pelo filho/a ou familiar, mesmo que o perfil tenha a sua fotografia.
- Contacte o seu filho/a ou familiar por “VOZ” (número que têm registado) antes de fornecer informações ou efetuar qualquer pagamento;
- Caso não consiga contactar filho/a ou familiar não entre em pânico nem perca o discernimento. Certamente que um pagamento atrasado ou uma complicação financeira não tem de ser resolvida “na hora”;
- Se estiver confiante pode colocar questões ao “interlocutor” que só o seu filho/a ou familiar sabe; caso tente ligar verá que não atendem (por a voz não ser igual) com uma qualquer justificação posterior (por mensagem);
- Nunca efetue transferências para contas desconhecidas ou pagamentos para entidades indicados por “terceiros” que não certificou a identidade, conhece ou confia
- Em caso de dúvida e antes de tomar qualquer iniciativa procure apoio/aconselhamento ligando para o Piquete da Polícia Judiciária.