A Meta revelou os seus planos para a construção de novos e gigantes centros de dados, um investimento destinado a alimentar o futuro da inteligência artificial (IA). Contudo, esta aposta na chamada “superinteligência” traz consigo uma preocupação crescente: o seu enorme consumo de água.
A ambição de Zuckerberg e da Meta na corrida pela superinteligência
A Meta está a preparar-se para construir vários centros de dados com capacidades na ordem dos gigawatts, um esforço monumental para potenciar os seus sistemas de IA. Segundo o CEO Mark Zuckerberg, a empresa planeia investir “centenas de milhares de milhões de dólares” nesta iniciativa, com o objetivo final de alcançar a “superinteligência”.
Este termo, frequentemente considerado o mais ambicioso do setor tecnológico de Silicon Valley, refere-se à IA geral (IAG), ou seja, sistemas de IA que possuem uma inteligência equiparável à humana em múltiplos domínios.
Para materializar esta visão, a Meta já tem projetos em andamento. O primeiro, batizado de Prometheus, será inaugurado no próximo ano no Ohio. Segue-se o Hyperion, um complexo de uma dimensão colossal, quase equivalente à área de Manhattan, que poderá escalar até uma capacidade de 5 GW ao longo de vários anos.
Estes projetos posicionar-se-ão entre os maiores do mundo, superando largamente os atuais data centers, cuja capacidade se mede em centenas de megawatts.
Paralelamente, a Meta tem vindo a reforçar a sua equipa dos Superintelligence Labs, recrutando talentos de empresas rivais como a OpenAI e a DeepMind da Google, sob a liderança de Alexandr Wang, cofundador da Scale AI.
O preço oculto: um consumo de água insustentável
No entanto, estes megaprojetos não operam isoladamente e o seu impacto nas comunidades locais é uma fonte de grande apreensão. Para além de serem enormes consumidores de energia, estes centros são autênticos devoradores de água. Uma investigação recente do The New York Times expôs como os data centers da Meta já estão a afetar os recursos hídricos locais.
Um exemplo paradigmático encontra-se a leste de Atlanta, onde um centro de dados existente já causou danos em poços locais e provocou um aumento acentuado no preço da água municipal. As previsões indicam que a situação poderá levar a escassez e racionamento até 2030, com o preço da água na região a aumentar 33% nos próximos dois anos.
Se um centro de dados convencional consome, em média, cerca de 1,9 milhões de litros de água por dia, espera-se que estes novos complexos focados em IA sejam ainda mais “sedentos”. De acordo com os pedidos de licenciamento para o uso de água, analisados pelo TNYT, os novos centros poderão necessitar de milhões de litros de água diariamente.
Mike Hopkins, diretor executivo da Autoridade de Água e Saneamento do Condado de Newton, revelou que já receberam pedidos para o uso de até 22,7 milhões de litros de água por dia – um volume superior ao consumo diário de todo o condado.
O que os data centers não compreendem é que estão a apropriar-se da riqueza da comunidade. Nós simplesmente não temos água.
Afirmou Hopkins.
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