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GrapheneOS abandona França após ser acusado pela polícia de servir criminosos

A tensão entre a privacidade digital e as autoridades francesas atingiu um ponto de rutura. O projeto GrapheneOS decidiu retirar a sua infraestrutura de França, reagindo a relatórios policiais que classificam o sistema operativo como uma ferramenta desenhada para ocultar atividades ilícitas.


GrapheneOS decide abandonar França de imediato

A relação entre os defensores da privacidade e as forças de segurança europeias degradou-se significativamente nos últimos meses. Culima agora num episódio que envolve uma das distribuições Android mais respeitadas do mundo. O GrapheneOS  anunciou a sua saída de França. Esta decisão drástica surge como resposta a alegações polícia, que o associou a redes de tráfico de droga e crime organizado.

A decisão para esta retirada foi a divulgação de informações provenientes de documentos internos da polícia francesa. Nestes relatórios, as autoridades expressam uma preocupação crescente com a utilização de tecnologias de encriptação por criminosos. O GrapheneOS foi singularizado como uma plataforma que, alegadamente, facilita o anonimato total, dificultando as investigações judiciais e a recolha de provas digitais.

A narrativa policial sugere um paralelo entre este projeto de código aberto e redes fechadas de comunicação criminosa, como a EncroChat ou a Sky ECC. Estas foram desmanteladas em grandes operações europeias no passado. Para a polícia francesa, a capacidade do sistema em blindar os dados do utilizador transforma-o numa “ferramenta para narcos”, criando zonas escuras onde a lei não consegue penetrar.

Acusado pela polícia de servir criminosos

A resposta da equipa do GrapheneOS foi rápida e contundente, rejeitando qualquer comparação com plataformas desenhadas especificamente para o crime. Os responsáveis pelo projeto defendem que o seu objetivo sempre foi oferecer uma experiência móvel segura para o público geral, jornalistas, ativistas e empresas que necessitam de proteger os seus dados contra espionagem e vulnerabilidades.

Num comunicado de defesa, o projeto sublinhou que a sua tecnologia é fundamentalmente diferente das ferramentas usadas pelo crime organizado. “O GrapheneOS é um projeto open source que contribui regularmente para a segurança do próprio Android base”, argumentam os desenvolvedores.

De facto, muitas das correções de segurança desenvolvidas por esta equipa acabam por ser integradas pela Google no Android convencional, beneficiando milhões de utilizadores em todo o mundo. A equipa reitera que o sistema funciona em hardware padrão, como os telemóveis Google Pixel, e não em dispositivos modificados clandestinamente.

O clima de hostilidade em França, exacerbado pela recente detenção de Pavel Durov, fundador do Telegram, em solo francês, acelerou a decisão de saída. Receando represálias legais ou ações que pudessem comprometer a continuidade do projeto, o principal programador e a infraestrutura do GrapheneOS iniciaram o processo de migração para jurisdições consideradas mais seguras para o desenvolvimento de software de privacidade.

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