No Japão, o provérbio “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” parece estar a fazer especial sentido: um novo estudo aponta que a geração mais jovem de trabalhadores já não procura trabalhar exaustivamente. O país está perante um fenómeno global, chamado quiet quitting.
Contrariando o cenário laboral de há apenas algumas décadas, no Japão, 46,7% das pessoas na casa dos 20 anos inquiridas num novo estudo afirmaram ser quiet quitters (em português, desistentes silenciosos).
Este fenómeno reflete uma força de trabalho menos motivada e mais focada no equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
ℹ️ O termo quiet quitting descreve os trabalhadores que fazem o mínimo necessário para cumprir as suas obrigações profissionais.
Este fenómeno surgiu nos Estados Unidos, em 2022, quando se tornou viral no TikTok.
Desde então, diz respeito às pessoas que preferem trabalhar de uma forma em que desempenham as suas funções de acordo com o estabelecido, mas não se esforçam para progredir nas suas carreiras, procurar promoções ou aumentos salariais.
O quiet quitting tem sido observado globalmente, com um relatório divulgado em 2023 pela empresa de pesquisa americana Gallup a mostrar que 59% dos funcionários em todo o mundo estavam envolvidos na tendência.
Entre os 3000 inquiridos com idades compreendidas entre os 20 e os 59 anos, esta atitude relativamente ao trabalho mostrou ser mais comum entre a geração mais jovem.
Como os comportamentos estão a tornar-se mais diversificados, é importante que as empresas [os aceitem] e ofereçam estilos de trabalho flexíveis que lhes sejam adequados.
Explicou Akari Asahina, investigadora da empresa que desenvolveu o estudo, Mynavi Career Research Lab, acrescentando que o “quiet quitting está a tornar-se a nova regra“.
Segundo o inquérito, citado pela imprensa, cerca de 60% dos inquiridos que se descreveram como quiet quitters disseram estar satisfeitos com o que ganharam com isso, particularmente na forma como gastam o seu tempo, tanto durante o trabalho como fora dele.
Além disso, mais de 70% dos inquiridos do mesmo grupo admitiram que gostariam de continuar neste caminho.
Todas as formas de trabalhar devem ser consideradas?
De acordo com o inquérito da Mynavi, há quatro razões principais para os trabalhadores do Japão se tornarem quiet quitters:
- Os que sentem que os seus atuais locais de trabalho não correspondem ao que querem fazer;
- Os que não estão satisfeitos com a forma como são avaliados pelos seus empregadores;
- Os que dão prioridade ao custo-benefício dos seus empregos, o que significa que preferem ficar nas suas posições atuais, porque as promoções lhes custariam mais do seu tempo pessoal ou esforço que não valeria o salário;
- Os que são verdadeiramente indiferentes à progressão na carreira.
No mesmo inquérito, 38,9% dos inquiridos que eram responsáveis pelos recursos humanos responderam que estavam recetivos aos quiet quitters, uma vez que é importante considerar este comportamento nos empregados que não procuram progredir na carreira. Na sua perspetiva, o estilo de trabalho de cada indivíduo é diferente.
Apesar dos muitos que se identificaram com o fenómeno quiet quitting, 32,1% responderam-lhe negativamente, defendendo que este tipo de mentalidade pode não ser bom para a dinâmica global das empresas.