A recente escalada de preços no mercado de RAM está a obrigar as empresas tecnológicas a repensar as suas estratégias de venda e configuração de hardware. Perante a escassez de componentes, surge uma tendência inédita: a comercialização de computadores “pré-montados” que não incluem memória RAM de fábrica.
A nova tendência dos computadores sem RAM
A volatilidade de um componente que, outrora, era considerado secundário na definição de um orçamento, está agora a ditar as regras do setor. O custo e a dificuldade de obtenção de módulos de RAM transformaram-se em fatores determinantes, influenciando desde o preço final de venda ao público até à própria composição das configurações de base oferecidas pelas marcas.
Um dos exemplos mais flagrantes desta mudança de paradigma vem da Paradox Customs. Esta empresa, fundada em Nova Iorque, decidiu oferecer aos seus clientes uma opção pouco comum: a configuração de computadores sem memória RAM.
Através das redes sociais, a marca justificou a medida com a subida contínua dos preços e a falta de stock persistente. Esta solução permite que os utilizadores que já possuam módulos compatíveis, ou que prefiram adquiri-los no mercado secundário, consigam finalizar a compra de um sistema novo sem ficarem reféns das flutuações de preços impostas pelos fornecedores atuais.
Due to ongoing RAM shortages and the price of ram skyrocketing, we are now providing the option to select no ram in the build section of our website!
If you already have RAM sticks or can source them elsewhere, feel free to use this option ✅ pic.twitter.com/rlGLPpfznC
— Paradox Customs (@Brparadox) December 19, 2025
O peso da memória no equilíbrio dos sistemas recentes
Atualmente, a RAM deixou de ser um acompanhamento silencioso para se tornar o protagonista de qualquer orçamento tecnológico. Se anteriormente os ajustes de custo eram feitos através da escolha do processador (CPU) ou da placa gráfica (GPU), hoje um computador pode tornar-se incomportável apenas devido ao valor da memória.
As empresas estão a reagir a esta instabilidade de diversas formas. Enquanto a CyberPowerPC optou por anunciar revisões de preços generalizadas face às condições adversas do mercado, a Framework adotou uma postura distinta. Embora tenha mantido os preços estáveis, a empresa removeu os módulos de memória da sua loja de componentes individuais.
O objetivo desta medida é travar a atividade de revendedores especulativos e garantir que existe inventário suficiente para os clientes que compram portáteis completos. Estas respostas fragmentadas demonstram que não existe uma solução única para enfrentar um mercado tão imprevisível.
Na origem desta crise não está apenas um problema logístico, mas sim uma mudança estrutural na procura global. A explosão de centros de dados dedicados à inteligência artificial (IA) exige volumes massivos de memória, o que está a reorientar as prioridades de gigantes como a Samsung ou a SK Hynix.
Grande parte da capacidade de produção está a ser desviada para a memória High Bandwidth Memory (HBM), que oferece margens de lucro superiores e é essencial para aceleradores de IA. Como consequência, a produção de RAM convencional para o mercado doméstico é reduzida, provocando um efeito de escassez que acaba por penalizar o consumidor final.
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