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Internet descentralizada é um mito: um terço dos centros de dados mundiais está num só país

A infraestrutura que sustenta a internet moderna é composta por mais de 11.000 centros de dados espalhados pelo globo, um número que se prevê que aumente exponencialmente. No entanto, um mapa interativo revela uma concentração geográfica surpreendente, desafiando a noção de uma rede verdadeiramente distribuída.


A hegemonia dos Estados Unidos no mapa digital de centros de dados

Não é de espantar que os Estados Unidos liderem de forma destacada a lista de países com o maior número de centros de dados. Afinal, as maiores empresas de infraestrutura de nuvem, como a Amazon Web Services, a Microsoft Azure e a Google Cloud, são de origem norte-americana.

De acordo com o Data Center Map, o país alberga um total de 4303 centros de dados. Contudo, a sua distribuição pelo território está longe de ser uniforme, com certas regiões a apresentarem uma densidade esmagadora. O estado da Virgínia, por si só, possui o impressionante número de 668 instalações, superando o total da Alemanha, o segundo país da lista, que conta com 494 centros de dados.

É sabido que os centros de dados são grandes consumidores de energia, sendo que uma parte substancial dessa energia é utilizada nos sistemas de refrigeração para manter os componentes a uma temperatura operacional segura. Quanto mais elevada for a temperatura ambiente, maior será o custo energético e o consumo de água para arrefecer a infraestrutura.

De acordo com a ASHRAE, a temperatura ideal para o funcionamento de um centro de dados situa-se entre os 18 e os 27 graus Celsius. Por este motivo, a localização geográfica tem um impacto direto nos custos operacionais, levando muitas empresas tecnológicas a optar por instalar as suas infraestruturas em locais com climas mais amenos.

A expansão para o hemisfério sul e os climas quentes

Curiosamente, e apesar da recomendação de temperaturas moderadas, verifica-se uma crescente construção de centros de dados em países onde o calor representa um desafio significativo. Uma análise aprofundada da Rest of World estima que pelo menos 600 destas instalações operam em zonas fora do intervalo de temperatura ideal.

Na lista de países com maior número de centros de dados, encontramos o Brasil com 196 instalações e a Indonésia com 184. Ambos os países registam uma temperatura média anual superior a 26 graus, o que implica que, durante grande parte do ano, as temperaturas excedem o limite recomendado.

O caso de Singapura é particularmente notável. Com uma temperatura média que ultrapassa os 28 graus, o país possui 78 centros de dados. Embora o número possa parecer modesto em comparação com os gigantes da lista, estas instalações estão concentradas numa área geográfica muito reduzida, tornando Singapura um dos locais com maior densidade de centros de dados do mundo.

A procura por estas infraestruturas está também a crescer em países como a Índia, o Vietname e as Filipinas, todos caracterizados por climas quentes.

A questão que se impõe é: por que razão se constrói em locais tão quentes? A resposta reside, muitas vezes, na soberania dos dados. Para muitos países, garantir que os dados dos seus cidadãos e empresas permanecem dentro das suas fronteiras é uma prioridade que se sobrepõe à otimização dos custos de refrigeração.

O risco associado é que, com o aumento progressivo das temperaturas globais, uma situação atualmente gerível pode transformar-se num problema complexo, especialmente em regiões como o Sudeste Asiático e o Médio Oriente.

 

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