O aumento acentuado no custo da memória RAM nos últimos meses foi um sinal de alerta para o mercado tecnológico. Agora, essa mesma tendência preocupante começa a manifestar-se nos discos SSD, e tudo indica que o pior ainda está para vir.
O prenúncio de uma nova crise de preços
Se recuarmos seis meses, uma unidade SSD como a Lexar NQ790 de 1 TB custava cerca de 67 euros na Amazon. Atualmente, o mesmo produto atinge os 142,30 euros, mais do dobro do preço original. Este fenómeno, que já tínhamos observado com as memórias DRAM, está a tornar-se uma realidade incontornável no setor do armazenamento, mas este é apenas o começo.
O que se iniciou como uma subida abrupta nos módulos de RAM, que em certos casos triplicaram ou quadruplicaram de preço, transformou este componente num verdadeiro artigo de luxo, não só para os entusiastas de PCs, mas também para os fabricantes de portáteis e telemóveis.
Mais uma vez, a inteligência artificial (IA) surge como o principal motor desta mudança. A enorme procura por componentes de alto desempenho para alimentar os seus modelos levou a que a indústria da IA absorvesse uma fatia gigantesca da produção global de memória.
Para os fabricantes, a razão é simples: o segmento da IA é mais lucrativo do que nunca. O problema? Ao canalizarem os seus recursos para a produção de memórias especializadas para chips de IA e centros de dados, a capacidade de fabrico para os restantes segmentos, incluindo o do consumidor final, fica drasticamente reduzida.
O que vimos acontecer com a RAM está agora a replicar-se de forma clara noutros componentes essenciais, como os SSD e as placas gráficas para jogos.
Quando um SSD vale mais que ouro
O caso da unidade Lexar de 1 TB é apenas um exemplo modesto quando comparado com unidades de maior capacidade. Uma análise recente do Tom’s Hardware fez uma comparação inquietante: uma unidade SSD M.2 NVMe de 8 TB, que pesa em média 8,2 gramas, tem um preço médio atual de 1476 dólares.
Para colocar em perspetiva, 8,2 gramas de ouro valem, à cotação atual, aproximadamente 1150 dólares. Embora as unidades de 4 TB ainda sejam, ao peso, “mais baratas” que o ouro, os modelos de topo com maior desempenho já se aproximam perigosamente dessa paridade.
Plataformas como o PC Part Picker, que monitorizam a evolução dos preços dos componentes, apresentam gráficos que não deixam margem para dúvidas. O preço médio das unidades NVMe de 4 TB já aumentou cerca de 50% em relação ao ano passado.
Por enquanto, os preços têm sido parcialmente contidos pelo inventário ainda existente em armazém. Contudo, como os próprios gráficos indicam com uma crescente área cinzenta, esse stock está a esgotar-se rapidamente. É previsível que a procura contínua faça com que esta tendência de subida não só se mantenha, como se intensifique.
O setor das placas gráficas também não está imune. A escassez de memória está a gerar um efeito colateral significativo, levando alguns fabricantes a repensar as suas linhas de produtos. Recentemente, surgiram notícias de que marcas como a ASUS ponderam descontinuar modelos intermédios para se focarem nos mais caros.
A lógica é puramente económica: por que motivo haveriam de vender uma placa gráfica de gama média-alta com 16 GB de VRAM por 750 euros, quando podem usar essa mesma memória num modelo de topo e vendê-lo por 1000 euros, maximizando a margem de lucro?
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