Sismos na Venezuela: Google avisou utilizadores do Android antes de sentirem o abanão
O sistema de alertas de terramoto da Google detetou a atividade sísmica inicial na Venezuela e enviou notificações de aviso aos utilizadores Android segundos antes de os sismos atingirem o país, na quarta-feira à noite.
Um responsável da Google confirmou que o sistema de deteção integrado na maioria dos telemóveis Android captou os primeiros sinais do sismo, na Venezuela, e enviou avisos aos utilizadores antes mesmo de as ondas sísmicas chegarem a essas zonas.
A empresa não revelou quantas pessoas receberam as notificações, mas o episódio volta a destacar uma tecnologia que já está presente em dezenas de países desde 2020 e que, segundo um estudo revisto por pares publicado na revista Science, consegue detetar e avisar sobre sismos com uma eficácia comparável à de redes sísmicas nacionais estabelecidas.
Como funciona esta rede de "sismógrafos" improvisados?
O truque por detrás deste sistema é simples de explicar, mas engenhoso na execução. A Google utiliza dois métodos de deteção, dependendo da região.
Na Califórnia, Oregon e Washington, a empresa associou-se ao sistema norte-americano ShakeAlert, que recorre a uma rede de 1675 sensores instalados no terreno para calcular a localização e a magnitude de um sismo antes de enviar o sinal para os smartphones Android.
No resto do mundo, incluindo Portugal, onde deu provas num sismo em 2024, o sistema funciona de forma totalmente crowdsourced. Cada smartphone tem um pequeno acelerómetro capaz de detetar vibrações.
Quando o telemóvel sente um movimento que possa indicar um sismo, envia esse sinal, juntamente com uma localização aproximada, para os servidores da Google, que cruzam dados de vários telemóveis em simultâneo para confirmar se está mesmo a ocorrer um sismo.
Desta forma, transformam milhões de dispositivos Android espalhados pelo mundo numa gigantesca rede improvisada de sismógrafos.
Os alertas só são enviados para sismos de magnitude igual ou superior a 4,5. Existem dois tipos:
- O aviso "Esteja Atento", destinado a quem deverá sentir tremores ligeiros, que funciona como uma notificação normal, respeitando definições como o "não incomodar".
- O aviso "Tome Medidas", reservado para quem deverá sentir tremores moderados a extremos, que ignora as definições do telemóvel, ilumina o ecrã e emite um som alto para captar a atenção imediata.
Ao tocar em qualquer um dos alertas, o utilizador vê passos de segurança e um mapa com uma estimativa inicial da localização e magnitude do sismo.
Em caso de sismo, segundos podem fazer a diferença
Como os alertas viajam como sinais eletrónicos, conseguem chegar aos telemóveis antes das ondas sísmicas, que se propagam mais lentamente. Segundo a Google, esses segundos extra podem ser suficientes para sair de um escadote, afastar-se de objetos pesados ou simplesmente baixar-se e proteger-se antes de o abanão começar.
Um exemplo citado pela própria empresa é o sismo de magnitude 6,7 que atingiu as Filipinas em novembro de 2023. Na altura, o primeiro alerta foi enviado apenas 18,3 segundos depois de o tremor ter começado.
As pessoas mais próximas do epicentro chegaram a ter até 15 segundos de aviso, enquanto as que estavam mais distantes e sentiram um tremor moderado receberam até um minuto de antecedência. No total, quase 2,5 milhões de pessoas foram alertadas nesse episódio.
Embora o sistema não substitua os sistemas oficiais de alerta dos governos, funcionando apenas como complemento, o caso da Venezuela é mais uma prova de como um acelerómetro, presente em praticamente qualquer smartphone Android, pode ser reaproveitado para salvar vidas.
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Imagem: Javier Campos/AP, via NBC News





















Como eles não têm uma bola de cristal é óbvio que avisaram depois do sismo, simplesmente aques que receberam o aviso antes do sismo estavam longe do epicentro.
E não é isso que diz o título? Se calhas a não dar essa informação andava aqui meio mundo ao engano 😀
Sou a confirmar (é assim que se escreve nos docs oficiais) que fontes independentes confirmam que o sistema de alerta terramotos da Google deu o alerta “Baixar, proteger e guardar” segundos antes do terramoto (foram dois, gémeos). O efeito prático não se sabe, mas que alertou, alertou.
Com mais rigor:
1) A Google não adivinhou que ia haver um sismo
2) Os telemóveis que estavam acima do terramoto detetaram instantaneamente as ondas P, as primeiras vibrações (quando o sismo já tinha começado)
3) Os telemóveis avisaram os servidores da Google em milisegundos, que processou a informação e emitiram os alertas
4) Como o sinal da internet viaja à velocidade da luz e as ondas sísmicas à velocidade do som – quem estava perto do sismo recebeu o alerta e o abalo sísmico praticamente ao mesmo tempo ou com poucos segundos. “Mas quem estava a mais 100 km, como Caracas recebeu o aviso 15 a 30 segundos antes doi chão começar a tremer”.
Pequena retificação no ponto 4) – Tanto os sinais elétricos quanto os ópticos são ondas eletromagnéticas e propagam-se a velocidades próximas à da luz (~300.000 km/s no vácuo). No entanto, ao atravessarem meios físicos, a sua velocidade é reduzida devido às propriedades dielétricas do material.
Em condutores de cobre, a velocidade típica de propagação do sinal situa-se em aproximadamente 200.000 a 230.000 km/s (≈60–75% de c), enquanto na fibra óptica a luz propaga-se a cerca de 200.000 km/s (≈67% de c).
Correção quanto à velocidade das ondas sísmicas. As ondas sísmicas e as ondas sonoras são exatamente o mesmo tipo de onda – mas, enquanto as sonoras se deslocam no ar, a 0,34 km/s, as sísmicas deslocam-se muito mais rapidamente, num meio sólido (algumas também num meio líquido). Resumidamente, quanto a algumas das ondas sísmicas:
– P (primárias): as que chegam mais rápido: 5-6 km/s podendo chegar aos 15 km/s em rocha sólida
– S (secundárias): 3-7 km/s
– Ondas de superfície, as mais destrutivas: de 2 a 5 km/s
Acima: “Baixar, proteger e a-guardar”
Ontem já tinha ouvido na TV uma jornalista Venezuelana a reportar isso, os Tlf Android enviaram a visos segundos antes, pode ter feito a diferença ou não, mas se recebermos um aviso desses devemos levar a serio.
Segundos antes mas longe do epicentro, um sismo demora a cerca de 3 km/s logo quer dizer que se estiveres a 100km do epicentro só vais receber a onda do sismo cerca de 20 a 33 segundos mais tarde.
Venezuela é muito grande para ter uma ideia de uma ponta a outra cerca de 1.500 km (da fronteira com a Colômbia à fronteira com a Guiana) se o epicentro fosse num extremo só irias sentir o sismo no outro extremo passado 5 a 7 minutos.
O epicentro foi no município de Veroes, a capital da Venezuela fica a 170 Km por isso só sentiram lá depois de 60 segundos e chegou com uma intensidade de 5.
Só funciona se tiverem os dados móveis ligados, salvo erro
Em casa não é precisos dados nenhumas, basta o wifi
iPhone não apita