O ecrã de bloqueio sempre foi a primeira e mais importante linha de defesa no smartphone. Contudo, uma nova falha descoberta no WhatsApp deita por terra essa proteção. Sem recorrer a ferramentas, qualquer pessoa com acesso físico ao smartphone consegue contornar o bloqueio de segurança e explorar a galeria de imagens.
O vetor utilizado para contornar o sistema não exige conhecimentos técnicos avançados. Tudo começa com a receção de uma videochamada, funcionalidade que os sistemas operativos móveis permitem atender de imediato sem obrigar à inserção do PIN ou à autenticação biométrica. A partir dessa janela inicial, um conjunto simples de ações dentro da própria interface desencadeia uma quebra evidente nas regras de privacidade impostas pelo sistema.
Uma chamada traz a falha do WhatsApp
Durante a realização da chamada de vídeo, o processo passa pela utilização das ferramentas visuais integradas no serviço. Ao aceder ao menu de efeitos e transitar para a área de fundos virtuais, surge a funcionalidade de criação com recurso à Meta AI. Esta ferramenta disponibiliza opções para personalizar a transmissão, incluindo a edição rápida de ficheiros de imagem para aplicar nos cenários durante a conversa.
É precisamente neste ponto crítico que a barreira de segurança falha. Ao selecionar a opção para editar imagem, a aplicação abre de imediato o acesso total à galeria fotográfica do smartphone, ignorando que o ecrã permanece bloqueado. O comportamento foi validado com os Google Pixel com versões recentes do Android e as respetivas correções de segurança instaladas, permitindo navegar livremente pelas fotografias locais sem pedir credenciais.
Be aware that your photos can be accessed without unlocking your phone when you receive a WhatsApp video call on Android.
This is in plain sight. It’s not hidden, not a secret feature. Not a hack.
This has already been reported to Meta and Google.#Privacy #Security #Android17 pic.twitter.com/F7wulhNiZ1— Jose Rodriguez (@VBarraquito) September 1, 2026
As diferenças entre marcas e a proteção no iOS
Apesar da gravidade aparente, a falha não afeta todos os modelos de forma idêntica, dependendo da forma como cada fabricante implementa a gestão de permissões. Enquanto alguns smartphones manifestaram este comportamento anómalo, outros equipamentos de marcas conseguiram travar a intrusão. Nesses testes bem-sucedidos, o sistema devolveu de imediato o utilizador ao ecrã inicial bloqueado assim que foi solicitado o acesso aos ficheiros.
No universo Apple, a situação assume contornos bastante diferentes. O iOS recorre à plataforma nativa CallKit para gerir a receção e apresentação de chamadas, impedindo que aplicações de terceiros mantenham menus ou permissões ativas sobre o ecrã trancado. Esta abordagem arquitetural protege os utilizadores de iPhone, que ficam assim salvaguardados contra esta falha de segurança.
A falha já foi reportada diretamente à Meta e à Google para que seja distribuída uma correção definitiva através dos canais habituais. Até que surja uma nova versão, o melhor comportamento passa por redobrar os cuidados com o smartphone. Manter o sistema atualizado e evitar deixar o telefone sem vigilância direta em espaços públicos continua a ser a forma mais eficaz de proteger a privacidade dos dados pessoais.



















