Doomscrolling: como a tecnologia “hackeou” o nosso cérebro
Não é a primeira vez que abordamos o doomscrolling no Pplware. Mas notamos que cada vez está mais enraizado nos hábitos das pessoas, de miúdos a graúdos. Como tal, voltamos a falar num "hack" que fizeram ao nosso cérebro. Vamos falar no termo doomscrolling, palavra que descreve o comportamento de rolar compulsivamente notícias e publicações, muitas vezes de teor negativo, sem conseguir parar, mesmo que nos faça sentir pior.
Este comportamento surgiu com força durante a pandemia, quando as pessoas procuravam informação desesperadamente, mas prolongaram esse hábito mesmo depois.
Mecanismos psicológicos por detrás do gatilho
Um dos principais motivos pelos quais não conseguimos largar o ecrã está nos mecanismos de recompensa do cérebro. Pesquisas clássicas, como as experiências de B. F. Skinner com animais, mostram que quando uma recompensa é imprevisível, como acontece nas redes sociais, o apego aumenta.
As notificações, “likes” ou simplesmente conteúdos interessantes surgem de forma aleatória, criando um forte ciclo de reforço. Este padrão, chamado de reforço intermitente, é semelhante ao que acontece nas máquinas de jogo: nunca sabemos quando vem a próxima “recompensa”, por isso mantemos o comportamento por mais tempo.
Os algoritmos das plataformas também têm um papel-chave. Em vez de apresentarem conteúdos de forma neutra, aprendem com o que nos prende mais tempo e mostram-nos mais do mesmo. Em muitos casos, conteúdos que provocam emoções fortes, medo, desejo, indignação, ansiedade, geram mais interação, por isso são amplificados.
Efeitos no bem-estar e no cérebro
Consumir continuamente notícias más tem impactos reais:
- Pode reforçar pensamentos negativos e aumentar sentimentos de ansiedade e stress.
- Estudos apontam para ligações com medo de perder algo (fear of missing out), dependência de redes sociais e diminuição do bem-estar geral.
- A longo prazo, a exposição constante a estes estímulos intensos pode dificultar a regulação emocional e até alterar respostas do sistema de alarme do cérebro.
Este ciclo repetido pode criar uma sensação de impotência ou pessimismo em relação ao mundo, reforçando uma visão distorcida e mais negativa do que realmente acontece.
Porque é tão difícil parar
Há dois fatores psicológicos que tornam o doomscrolling tão resistente:
- Negativity bias: humanos têm uma tendência genética a prestar mais atenção a eventos negativos — uma herança evolutiva para detectar perigos.
- Ilusão de controlo: achamos que, se continuarmos a ver mais notícias, vamos estar mais informados ou preparados. Mas, na prática, isso não melhora a nossa compreensão global nem reduz a ansiedade.
Sinais de alerta
Se se aperceber que passa mais tempo a ler más notícias do que a interagir com a vida real, que se sente mais ansioso depois de se informar, ou que verifica o telemóvel mesmo sem vontade consciente, pode estar preso no ciclo de doomscrolling.
E há sinais claros que mostram esta atual adoração pelo "deslizar para baixo". Hoje, o TikTok domina na preferência das redes sociais, ao ponto de ter obrigado as outras redes a criar mecanismos que também viciem o utilizador, com a mesma técnica, o doomscrolling.
Como recuperar o controlo
Para travar este ciclo, especialistas recomendam:
- Definir limites de tempo de utilização diária das redes
- Escolher horas específicas para ver notícias (evitar assim que acorda ou antes de dormir).
- Substituir hábitos: ler um livro, conversar com amigos ou praticar atividade física em vez de rolar infinitamente.
Perceber que a tecnologia usa princípios psicológicos poderosos, e muitas vezes inconscientes, ajuda a gerir melhor o nosso tempo e bem-estar.


























So afecta quem alimenta
Áudio interessante. Qual a fonte? Feito por vocês com IA?
Audio e infografia foram feitos no notebooklm da google.
Podes adicionar sites, pdfs, artigos, links de videos do youtube para usar como fonte. Além de poderes “conversar”com a informação podes pedir este tipo de audio, infografia ou cards, questionários e apresentações sobre o conteúdo que carregaste na fonte. Muito útil para digerir informação.
Agora, tens que fornecer informação de qualidade, por exemplo neste artigo falaram de doomscrolling sem referir dopamina, é como falar de bebedeira sem referir o alcool xD.