Geração das redes sociais quer voltar aos anos 2000 para ouvir música em paz
Durante anos, o argumento pareceu irrefutável: porquê carregar vários dispositivos se o smartphone faz tudo - música, podcasts, fotografias e redes sociais, num único ecrã, sempre à mão. Contudo, uma geração que cresceu com o smartphone como extensão do corpo começa, agora, a questionar essa omnipresença, e a resposta de muitos passa por um dispositivo que parecia condenado a peça de museu: o leitor de música.
O problema não é a música, mas tudo o resto que vem com ela, quando a ouvimos num smartphone. Abrir uma aplicação de streaming no telemóvel é, na prática, abrir uma porta para um labirinto de notificações, mensagens por responder e o scroll infinito das redes sociais.
O que começa como um gesto simples transforma-se rapidamente numa sessão involuntária de consumo digital, perdendo-se pelo caminho a experiência de ouvir música, simplesmente.
Segundo Ben Wood, analista-chefe da CCS Insight, há uma tendência crescente, sobretudo entre utilizadores mais jovens: a vontade de reduzir a dependência do smartphone e evitar ser arrastado para outras atividades, como o doomscrolling nas redes sociais.
Ter um dispositivo dedicado à música, como um iPod, é uma boa forma de diminuir a dependência do smartphone e evitar envolver-se noutras atividades, como navegar indefinidamente nas redes sociais, quando o que realmente se quer é ouvir música.
Na sua perspetiva, esta mudança é impulsionada por preocupações com a saúde mental e o bem-estar, numa geração cada vez mais consciente do custo cognitivo de estar permanentemente conectada.
Dispositivos dedicados à música não morreram
Ao contrário do que se poderia pensar, o mercado de leitores de música portáteis nunca desapareceu por completo. Marcas como a Sony, com a sua linha Walkman NW-A, continuaram a lançar dispositivos que apostam apenas no áudio.
Estes dispositivos têm características que os distinguem, com muitos a funcionarem sem ligação à Internet por predefinição ou com conectividade propositadamente limitada.
Além de não terem Instagram nem YouTube, não têm notificações de e-mail. Na sua essência, são novamente apenas máquinas para ouvir música.
No segmento mais acessível, os leitores MP3 genéricos continuam a ser vendidos em todo o mundo, especialmente para uso desportivo, em contextos educativos ou simplesmente por quem prefere não expor o telemóvel ao suor e ao impacto de um treino.
De facto, se lhe apetecer ir dar uma corrida, pode fazê-lo sem levar o smartphone, garantindo também que o seu momento de atividade física não é interrompido pelo digital.

O iPod está a voltar, discretamente. Quatro anos depois de a Apple ter descontinuado o leitor de música digital, as vendas de usados estão a disparar, em parte, devido ao interesse dos jovens. Crédito: Lorna Petty/Associated Press
O fator nostalgia repesca o retro
A dimensão cultural é curiosa, pois o regresso do interesse pelos leitores de MP3 e MP4 insere-se numa tendência mais ampla de revalorização do analógico e do retro: as cassetes voltaram, o vinil nunca saiu, e as câmaras descartáveis estão na moda entre os mais jovens.
De facto, há um certo romantismo na ideia de um dispositivo que faz uma coisa só.
O renascimento do interesse pelo iPod, especificamente - descontinuado pela Apple em 2022 - é um sintoma desta mudança: jovens que nunca o usaram procuram-no agora em mercados de segunda mão, atraídos não apenas pela estética retro, mas pela promessa de ouvir música de forma concentrada, com playlists escolhidas por si e não por algoritmos.
O mesmo espírito aplica-se aos leitores dedicados em geral.
No fundo, o que está em causa é uma redefinição do que significa ouvir música. Num mundo que oferece cada vez mais estímulos, essa simplicidade não é uma limitação, pode ser um luxo. E, aparentemente, há cada vez mais pessoas dispostas a pagá-lo.
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Normal ja estão fartos de serem enchidos de publicidade até em versões premium. Algumas empresas já tentam meter publicidade mesmo a pagar. A publicidade agressiva em serviços gratuitos como no Youtube esta a tornar-se cada vez mais agressiva e com mais anúncios… E sim estou do YOutube nas TVs, a publicidade é diferente.
Estão a pressionar as pessoas a aceitarem multiplas publicidades, agressivas e que não têm nada a ver.
Fora disso, muitos até estão a converter os planos pagos com publicidade introduzida… as pessoas vão começar a ficar fartas e voltar ao que era antigamente.
Não tem mal nenhum ouvir 1 anuncio ou 2 anuncios, desde que não sejam muito longos, mas mais que isso é abusar em certos aspectos e dependendo do tipo de plano grátis ou pago…
A nova geração tem grandes preocupações… a mim por exemplo preocupa-me mais o fim do mês do que o fim do mundo. Eu oiço o dia inteiro música na aplicação apple music… a música que eu escolho sem interferência do algoritmo… o algoritmo sou eu que o faço! E tenho uma opção que só quem tem connects com a NASA é que sabe usar… desligar notificações!
+100
És um comediante, um mau, mas comediante…
Obrigado pelo elogio… assim fico ao nivel do melhor que se faz em portugal
Fones com fio voltam a moda, agora o iPod…
Se alguém usa fones, telemóveis ou o que quer que seja por moda só tenho a lamentar.
Eu cá gosto de ter a melhor relação qualidade/preço e aí os wireless não têm qualquer hipótese.
Música em paz era nos anos 80.
Wtf isso não faz sentido absolutamente nenhum LOL.
Se eu gostava de ter novamente essa idade? Isso é outra conversa, mas não tem nada a ver com música.
Eu oico musica no meu iphone sem problemas sem publicidades. Apple music hi fi com qualidade flac e nunca foi tao bom….as redes sociais não me distraem mas sao essenciais para negocio onde tenho todo o rendimento mensal, para combinar coisas com amigos e arranjar namoradas e do melhor que ha. Antes das redes sociais tinha de ir para uma discoteca barulhenta encontrar uma, agora arranjam se 5 suecas no tinder sem sair de casa. E muito bom
Pena não arranjares uma gramática.
Queres ver que antes das redes sociais, não havia negócios e as pessoas, não tinham vida social.
Grande chiclas, Dá-Le!
Tenho musica em bonines de fita que não é de muita qualidade, mas nos anos 70 era o que era, “gira discos” e uma boa coleçção de vinil, Cassetes, CDs e MP3.
Fiquei-me por aí.
Telemóvel é para fazer muita coisa mas filmes, vídeos, Facebook, rádios, musica não utilizo.
Qual é o drama? Há mais de 10 anos que praticamente só ouço música no spotify e não me perco. Agora quero ver a malta ir correr ou andar de bike com uma grafonola de manivela às costas… lol
Concordo e entendo a nova tendência de utilização de auriculares e headphones, com fios. Mas não entendo esta. Sempre podem desativar as notificações e utilizar apps de música offline, no telemóvel.