Estudante lançou câmara para a estratosfera: queria “fotografar” a energia do Universo
Um estudante de Fotografia conseguiu registar em filme analógico algo que normalmente escapa aos nossos olhos: a radiação cósmica. O projeto, batizado de HELIOS, é considerado a primeira obra fotográfica criada diretamente pela energia do espaço, sem recurso a câmara ou lente.
Aluno do 3.º ano de Fotografia na Arts University Bournemouth (AUB), no Reino Unido, Tom Liggett quis testar se seria possível captar a energia invisível do cosmos diretamente numa película fotográfica, sem qualquer equipamento ótico pelo meio.
Foi essa pergunta que deu origem ao HELIOS, um projeto que enviou negativos de filme selados até à estratosfera, presos a balões meteorológicos de alta altitude, dado a conhecer pela Sky At Night Magazine da BBC.
Como funcionou a experiência
Os negativos viajaram a mais de 37 km de altitude, bem acima das camadas atmosféricas que normalmente protegem a Terra de partículas de alta energia e de radiação ultravioleta.
Durante todo o voo, o filme permaneceu dentro de um saco à prova de luz, garantindo que qualquer marca posteriormente revelada resultasse apenas do contacto direto com radiação cósmica, luz UV-C e outras partículas energéticas.

Resultado do projeto HELIOS I e II. Fonte: Website oficial do estudante Tom Liggett.
No lançamento mais recente, Liggett deslocou-se até ao estado norte-americano de Nova Iorque, onde trabalhou com a equipa da Filmed In Space no desenho e na recuperação da carga útil.
O balão acabou por rebentar a mais de 30 km de altitude, com o equipamento a aterrar cerca de 80 km de distância, já no Connecticut, onde foi recuperado com sucesso.
Fotografias "forjadas" pelo espaço
Depois de revelado, o filme mostrou padrões abstratos e coloridos, criados pela interação direta da radiação com a emulsão fotográfica.
O estudante Liggett confessou que ficaria satisfeito mesmo com uma imagem quase em branco, mas os resultados obtidos foram muito além do esperado, descrevendo-os como imagens moldadas pela energia de buracos negros e pela radiação solar.
Embora já existam missões anteriores que enviaram filme fotográfico para o espaço, a AUB sublinha que o HELIOS é diferente, pois, em vez de tratar a radiação como um efeito indesejado a evitar, o projeto usa-a como o próprio elemento que forma a imagem.
Motivado pelos resultados, Liggett já planeia dar continuidade ao projeto, com o objetivo de enviar formatos de filme maiores e alcançar altitudes ainda mais elevadas, aprofundando esta forma pouco convencional de "fotografar" o invisível.


















