A histórica marca espanhola poderá estar a aproximar-se do fim. A Volkswagen admite que a continuidade da SEAT está em avaliação, embora sublinhe que ainda não existe uma decisão definitiva.
SEAT poderá desaparecer, mas não já
As notícias mais recentes apontam para uma possível retirada gradual da SEAT no final da década. Alguns relatos indicam 2029 como data-limite, mas a posição oficial é mais cautelosa.
Segundo a empresa, vários cenários continuam em aberto para depois de 2030, incluindo o eventual abandono da marca.
Até lá, o atual plano comercial será mantido. A SEAT prevê lançar versões mild-hybrid do Ibiza e do Arona em 2027, além de continuar a atualizar os modelos existentes.
Eletrificação torna novos modelos difíceis de justificar
O problema não está apenas nas vendas. A eletrificação exige investimentos elevados no desenvolvimento de plataformas, baterias e novos automóveis.
A Volkswagen reconhece que as regras ambientais, os custos da transição elétrica e as condições do mercado tornam cada vez mais difícil justificar uma nova geração de veículos SEAT.
A decisão dependerá também da procura dos consumidores e da evolução da legislação europeia. Para já, a fabricante não fecha nenhuma porta.

CUPRA ganha espaço dentro do grupo
Enquanto o futuro da SEAT permanece incerto, a CUPRA continua a crescer. Criada como marca independente em 2018, já entregou mais de um milhão de veículos.
A CUPRA é agora considerada o principal motor de crescimento e rentabilidade da SEAT S.A. A estratégia passa por atingir uma quota de 3% na Europa e reforçar a presença noutros mercados internacionais.
Esta evolução poderá levar à transferência de modelos, estruturas comerciais e recursos da SEAT para a sua antiga submarca desportiva.
Fim da marca não significa encerramento da empresa
Existe uma diferença importante entre a marca SEAT e a SEAT S.A., empresa responsável tanto pela SEAT como pela CUPRA.
Mesmo que o nome SEAT desapareça dos automóveis, a empresa e a fábrica de Martorell deverão continuar a desempenhar um papel estratégico no Grupo Volkswagen.
A unidade espanhola está a liderar a industrialização da plataforma elétrica MEB21 e a produção de uma nova família de veículos elétricos urbanos. A administração prevê mesmo que estas responsabilidades possam permitir aumentar o emprego nos próximos anos.

Recorde de vendas esconde quebra acentuada nos lucros
Em 2025, SEAT e CUPRA entregaram conjuntamente 657.400 veículos, o melhor resultado da sua história. As receitas atingiram 15,3 mil milhões de euros.
Contudo, o resultado operacional caiu para apenas um milhão de euros, depois dos 633 milhões registados no ano anterior. Os custos dos produtos, a forte concorrência e as tarifas europeias sobre o CUPRA Tavascan produzido na China pesaram nas contas. Grupo Volkswagen
Uma história iniciada em 1950 poderá estar perto do fim
Fundada em 1950 e integrada no Grupo Volkswagen desde 1986, a SEAT tornou-se um dos maiores símbolos da indústria automóvel espanhola.
O seu eventual desaparecimento marcaria o fim de uma história com mais de oito décadas. No entanto, não significaria necessariamente o encerramento de Martorell nem o desaparecimento da SEAT S.A.
A fábrica, os trabalhadores e a capacidade industrial poderão continuar — mas provavelmente com a CUPRA a ocupar definitivamente o lugar de destaque.



















