Vai viajar? Saiba o que cada companhia aérea está a fazer com o aumento dos combustíveis
A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão está a abanar os alicerces da aviação comercial global. Os preços do querosene de aviação dispararam e as companhias aéreas não estão a ficar de braços cruzados. Eis o que cada uma está a fazer.
Num setor onde o combustível pode representar até um quarto dos custos operacionais, qualquer turbulência nos preços do petróleo faz-se sentir rapidamente nas contas das transportadoras aéreas.
Agora, com o conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão a abalar os mercados energéticos globais, a situação tornou-se insustentável para muitas companhias: o preço do querosene de aviação disparou de entre 85 e 90 dólares por barril para valores entre 150 e 200 dólares por barril em apenas algumas semanas.
As consequências refletem-se não apenas nos mercados financeiros, mas no bolso dos passageiros, cuja fatura das viagens tende a aumentar.

Crédito: ZERO
Medidas das companhias aéreas sobre o aumento dos combustíveis
Segundo um levantamento feito pela Reuters, dezenas de companhias aéreas em todo o mundo já anunciaram medidas de emergência, desde cortes de capacidade e sobretaxas de combustível, até à suspensão de previsões financeiras anuais e pedidos de apoio governamental.
Retrato global da situação, por companhia aérea
Eis a lista longa, que abrange todos os continentes, por ordem alfabética:
Aegean Airlines: A transportadora grega prevê um impacto "notável" nos resultados do primeiro trimestre, devido à suspensão de voos para o Médio Oriente e ao aumento dos preços do combustível.
AirAsia X: A companhia aérea malaia cortou 10% dos voos em todo o grupo e aplicou uma sobretaxa de combustível de cerca de 20% de forma generalizada.
Air Canada: A maior transportadora canadiana vai cortar quatro dos seus 38 voos diários para Nova Iorque, entre 1 de junho e 25 de outubro de 2026, especificamente nas ligações ao JFK.
Air France-KLM: O grupo vai aumentar os preços dos bilhetes de longo curso em 50 euros por viagem de ida e volta. A subsidiária KLM cancelou 160 voos europeus em abril.
Air India: Vai rever a sobretaxa de combustível para um modelo baseado na distância percorrida, em vez de um valor fixo.
Air New Zealand: Uma das primeiras a reagir ao conflito, a companhia aérea vai reduzir voos em maio e junho, aumentar tarifas e já suspendeu as previsões anuais de resultados.
Air Transat: Redução de capacidade de 6% entre maio e outubro, com cortes nas rotas para a Europa e as Caraíbas. Os voos para Cuba permanecem suspensos até outubro.
Akasa Air: A indiana introduziu sobretaxas de combustível entre 199 e 1300 rupias (cerca de 2 a 12 euros) em voos domésticos e internacionais.
Alaska Air: Retirou as previsões de lucro para o ano inteiro e alertou para um impacto severo nos resultados do segundo trimestre.
American Airlines: Aumentou as taxas de bagagem em 10 dólares (o equivalente a 8,55 euros) para a primeira e segunda mala, e em 150 dólares (o equivalente a 128,20) para a terceira, em voos domésticos e internacionais de curto curso. Também reduziu benefícios para passageiros em classe económica.
Asiana Airlines: A companhia aérea sul-coreana vai cortar 22 voos entre abril e julho.
Cathay Pacific: Emitiu obrigações de taxa fixa a três anos no valor de 2,08 mil milhões de dólares de Hong Kong (cerca de 227 milhões de euros) para reforçar a liquidez.
Cebu Air: A filipina reconhece que o aumento dos preços do combustível é uma "preocupação central" e está a rever estratégias de preços e rotas.
China Eastern Airlines: Aumentou as sobretaxas de combustível nos voos domésticos a partir de 5 de abril: 60 yuans (o equivalente a 7,51 euros) para voos até 800 km e 120 yuans (o equivalente a 15,03 euros) para distâncias superiores.
Delta Air Lines: Vai cortar a capacidade em 3,5% face ao plano inicial, aumentou as taxas de bagagem e suspendeu o crescimento de capacidade no trimestre atual.
EasyJet: Alertou para um prejuízo semestral antes de impostos entre 540 e 560 milhões de libras (cerca de 620 a 645 milhões de euros), incluindo 25 milhões de libras (cerca de 28,8 milhões de euros) em custos extra de combustível só em março.
Frontier Airlines: Está a rever as previsões anuais, uma vez que os preços do combustível aumentaram significativamente desde que as mesmas foram publicadas.
Greater Bay Airlines: Aumentou sobretaxas de combustível na maioria das rotas a partir de 1 de abril, com exceção das ligações à China continental e ao Japão.
Hong Kong Airlines: A companhia aérea aumentou as sobretaxas de combustível em até 35% desde 12 de março, com os maiores aumentos nas rotas para as Maldivas, Bangladesh e Nepal.
IAG (British Airways): O grupo disse, em março, que não planeava aumentar imediatamente os preços dos bilhetes, dado que cobriu grande parte do combustível com hedging de curto e médio prazo.
IndiGo: A maior transportadora indiana introduziu sobretaxas de combustível a partir de 14 de março: 900 rupias (o equivalente a 8,18 euros) para voos para o Médio Oriente e 2300 rupias (o equivalente a 20,89 euros) para a Europa.
JetBlue Airways: A diretora-executiva, Joanna Geraghty, garantiu aos funcionários que a empresa não vai à falência este ano. A transportadora entrou num acordo de financiamento de dívida de 500 milhões de dólares (cerca de 427 milhões de euros).
Korean Air: Entra em "modo de gestão de emergência" a partir deste mês de abril, face ao impacto dos preços do petróleo nos custos operacionais.
Lufthansa: O grupo vai retirar 20.000 voos de curto curso do programa até outubro, o equivalente a 40.000 toneladas métricas de querosene. Vai também imobilizar 27 aviões da subsidiária CityLine mais cedo do que o previsto.
Pakistan International Airlines: Aumentou as tarifas domésticas em 20 dólares (o equivalente a 17,09 euros) e as internacionais em até 100 dólares (o equivalente a 85,45 euros).
Qantas Airways: Adiou uma recompra de ações de 150 milhões de dólares australianos (cerca de 92 milhões de euros) e reviu em alta a estimativa de custos de combustível para o segundo semestre de 2026, passando de 2,5 mil milhões para entre 3,1 e 3,3 mil milhões de dólares australianos (cerca de 1,5 mil milhão de euros para entre 1,9 e 2 mil milhões de euros).
SAS: A escandinava cancelou 1000 voos em abril, depois de já ter cancelado "algumas centenas" em março.
Spirit Airlines: Pediu ao Governo de Trump centenas de milhões de dólares em financiamento de emergência para evitar uma possível liquidação.
Spring Airlines: A low-cost chinesa vai aumentar sobretaxas de combustível nos voos domésticos a partir de 5 de abril.
Southwest Airlines: Prevê lucros abaixo das estimativas no segundo trimestre. Já aumentou as taxas de bagagem em 10 dólares (o equivalente a 8,54 euros), passando para 45 dólares (o equivalente a 38,45 euros) na primeira mala e 55 dólares (o equivalente a 47 euros) na segunda.
TAP Air Portugal: A transportadora nacional reconhece que os aumentos de preços vão mitigar apenas parcialmente o impacto das alterações nos preços do combustível nas receitas.
Thai Airways: Vai aumentar as tarifas entre 10% e 15% para fazer face aos custos do combustível.
TUI: O grupo europeu de aviação e turismo cortou as previsões de lucro para o ano inteiro e suspendeu as orientações de receitas, tendo incorrido em cerca de 40 milhões de euros em custos extra em março.
SunExpress (Turkish Airlines / Lufthansa): A joint venture entre as duas transportadoras vai aplicar uma sobretaxa temporária de 10 euros por passageiro a partir de 1 de maio, nas rotas entre a Turquia e a Europa. A Turkish Airlines decidiu ainda não distribuir dividendos relativos ao lucro de 2025, optando por reter capital.
T'way Air: A low-cost sul-coreana planeia colocar parte dos tripulantes de cabine em licença sem vencimento em maio e junho.
United Airlines: O diretor-executivo Scott Kirby admitiu que os preços dos bilhetes podem ter de subir entre 15% e 20% para compensar o aumento do querosene. A empresa já implementou cinco aumentos de tarifas no primeiro trimestre e estima recuperar entre 40% e 50% do aumento dos custos no segundo trimestre, melhorando progressivamente até ao final do ano.
VietJet: A low-cost vietnamita ajustou a frequência de voos em algumas rotas devido a potenciais escassez de combustível.
Vietnam Airlines: A companhia aérea vai cancelar 23 voos semanais em rotas domésticas a partir de abril e pediu ao governo que elimine o imposto ambiental sobre o querosene.
Virgin Atlantic: Está a acrescentar sobretaxas de combustível às tarifas, mas o diretor-executivo, Corneel Koster, admitiu que a companhia vai continuar a ter dificuldades em regressar à rentabilidade este ano.
Virgin Australia: Prevê um aumento de custos de combustível entre 30 e 40 milhões de dólares australianos (cerca de 18,3 e 24,4 milhões de euros) no segundo semestre do ano fiscal, com uma redução de 1% de capacidade no quarto trimestre.
Volotea: A low-cost espanhola introduziu uma nova política de preços ligada aos custos do combustível, que pode adicionar uma sobretaxa pós-compra de até 14 euros por passageiro, por voo.
WestJet: A canadiana cortou a capacidade de lugares para junho e vai adicionar uma sobretaxa de combustível de 60 dólares canadianos (o equivalente a 37,53 euros) em algumas reservas, combinando também voos para reduzir custos.
O quadro que resulta desta compilação da Reuters mostra que não há uma única região do mundo onde a aviação comercial esteja imune ao choque energético.
Das grandes alianças europeias às low-costs asiáticas, passando pelas transportadoras americanas e australianas, o impacto é transversal.
Para os passageiros, fica claro que viajar de avião vai ficar mais caro, pelo menos enquanto o conflito no Médio Oriente continuar a pressionar os mercados energéticos globais.
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Para este ano mesmo antes da guerra os preços estavam já mais caros, eu já comprei e este ano comprei por uma companhia “Xinesa”, aproveito e vou visitar mais duas cidades uma para cada lado na China, e até ao momento ainda não falaram de aumento de preço / taxa, vamos aguardar como a viajem é mais para o final do ano pode ser que até lá já o Trump tenha sido corrido dos EUA/ presidência 🙂 🙂 🙂
comprei no inicio deste ano na TAP, para viajar em Outubro…ainda não obtive qualquer aviso por parte da companhia referente aumento de preço ou assim num bilhete já pago…
Se os combustíveis baixassem também não reduziam o preço do bilhete já pago.
nao porque quem ja pagau eles tambem nao vao aumentar!
não aumentam agora, mas quando os preços baixarem vais andar mais um ano ou dois a pagar o que não cobraram agora e ainda aproveitam para mamar durante mais uns tempos.
Nao andam sempre com a pancada do ambiente, desta vez ele agradece…
Se para ti o ambiente ambiente é uma pancada, vê-se logo que levaste com ela na cabeça.
As companhias que ofereçam uma saquinha de cacahuets a cada passegeiro e ninguém vai reclamar do aumento do preço.
Para os vícios ninguém reclama. Os hotéis cobram caro e estão todos com lotação esgotada.
acho que andas pouco de avião, a oferta mais standard nos dias que correm são duas bolachas biscoff
Para mim tem q ser bife do lombo e uma garrafa de 0,20 de Bucelas bem fresquinho.
Zé Fonseca A., tens toda a razão. Aliás, a última vez que voei com a Lufthansa — há cerca de 6 meses, Porto–Frankfurt — só me deram uma garrafinha de água e um pedacito de chocolate. E estamos a falar de uma companhia que não é low‑cost. Acho ridículo como o serviço tem vindo a encolher enquanto os preços seguem precisamente na direção contrária.
Vou fazer o caminho, espero que não aumentem o preço das sandálias senão vou apresentar queixa lá ao gajo de Compostela.
Como evoluiu o preço do Jet A1 (combustível, de origem fóssil, para avião):
– janeiro e fevereiro: 96 USD por barril (1 barril = 42 galões americanos, cerca de 159 litros).
– março os preços dispararam
– abril: chegou aos 209 USD por barril, está no fim do mês a cerca de 180 USD – subiu 87,5% (O preço varia , por região, entre 165 USD e 198 USD). Ou seja o Jet A1 está a custar 4,9 USD por galão.
Então é usar o SAF (o combustível sustentável para a aviação)! Só que o SAF está entre 12 USD e 15 USD … não é alternativa ao Jet A1.
O transporte aéreo tal como o conhecemos tem os dias contados. Antes de começarem a construir o novo aeroporto já o da Portela está largamente excedentario.
Houve aumento de combustíveis no mundo ? Há por aqui muitos convencidos que foi só em Portugal.