Turbulência poderá acabar nos aviões. Alemanha testa asas que mudam de forma durante o voo
A turbulência continua a ser um dos momentos mais desconfortáveis de um voo, capaz de gerar ansiedade e inquietação mesmo entre passageiros experientes. Agora há nova tecnologia que poderá acabar, de vez, com a turbulência.

Apesar de ser amplamente conhecida como segura e incapaz de comprometer a integridade dos aviões, a sensação de instabilidade está longe de ser agradável. Uma nova tecnologia poderá transformar esse cenário e reduzir significativamente o impacto destas perturbações em pleno voo.
Design HyTEM substitui flaps e ailerons por deformação contínua da asa
Engenheiros alemães testaram asas de aeronaves que mudam fisicamente de forma durante o voo, mesmo em situações de perturbação, turbulência, para se adaptarem às condições em mudança e tornarem as aeronaves mais eficientes, seguras e fáceis de controlar.
O German Aerospace Center (DLR), uma das maiores instituições de investigação em engenharia e ciência da Europa, testou o sistema com a sua aeronave experimental não tripulada PROTEUS no início de abril de 2026.
Para o projeto, denominado morphAIR, os cientistas equiparam o PROTEUS com um conjunto de asas convencional e outro com asas deformáveis. Os testes foram realizados no Centro Nacional de Testes Experimentais para Sistemas de Aeronaves Não Tripuladas.
A asa deformável pode alterar a sua forma durante o voo, permitindo adaptar-se de forma ótima a diferentes condições de voo.
Destacou Martin Radestock, do Instituto de Sistemas Leves do DLR.

O projeto de investigação interdisciplinar «Morphing Technologies & Artificial Intelligence Research Group» (morphAIR) tem como objetivo demonstrar a melhoria do desempenho de voo através de asas que mudam de forma e determinar a sua contribuição para aumentar a eficiência das aeronaves de asa fixa.
Uma conceção de asa inovadora
O projeto centra-se no desenvolvimento de asas capazes de adaptar continuamente a sua forma no ar. Para responder a este desafio, os cientistas conceberam conjuntos de asas feitos inteiramente de compósitos reforçados com fibras.
Entretanto, o par de asas deformáveis possui uma secção de bordo de fuga flexível, possibilitada por um sistema Hyperelastic Trailing Edge Morphing (HyTEM). Este sistema permite que a asa se deforme de forma contínua e sem descontinuidades.
Permite ainda que as asas reajam de forma dinâmica à turbulência, ao fluxo de ar e às condições variáveis. Radestock explicou que o HyTEM substitui os flaps por vários pequenos atuadores distribuídos ao longo da envergadura.
Estes podem ajustar com precisão os perfis da asa em dez pontos sem criar lacunas entre secções. Além disso, a sustentação, o arrasto induzido e o controlo da aeronave podem ser influenciados de forma direcionada, o que representa uma grande vantagem para a aerodinâmica e a mecânica de voo.
Afirmou Radestock, acrescentando que a forma contínua reduz o arrasto do perfil.
Para além da eficiência, o sistema também melhora a segurança ao distribuir o controlo ao longo da asa. Em termos simples, em vez de partes móveis separadas, toda a asa funciona como uma única superfície adaptativa.
Em conjunto com um sistema de controlo de voo assistido por inteligência artificial, a configuração deformável consegue gerir movimentos complexos da asa e adaptar-se continuamente durante o voo. Foi concebida para tirar pleno partido das capacidades únicas de movimento desta estrutura.

IA vs. aerodinâmica
O sistema deteta quando a aeronave se comporta de forma diferente do esperado durante o voo e atualiza continuamente o seu modelo. Durante o desenvolvimento, os investigadores simularam cenários de falha, permitindo ao sistema aprender a manter um voo estável mesmo quando partes da asa estavam comprometidas.
Ao contrário dos sistemas convencionais de controlo de voo, esta abordagem adaptativa consegue coordenar de forma ótima os muitos atuadores distribuídos, aproveitando ao máximo o potencial aerodinâmico da estrutura deformável e melhorando simultaneamente a tolerância a falhas.
Revelou a equipa do DLR.

A equipa desenvolveu também um método para reconstruir a distribuição de pressão na superfície usando apenas um número reduzido de sensores, fornecendo uma imagem quase instantânea do estado aerodinâmico.
O sistema foi capaz de detetar perturbações locais, interpretá-las e ajustar a forma da asa em conformidade. A deteção, a tomada de decisão e a resposta física foram integradas em tempo real.
Os testes confirmaram que tanto asas convencionais como deformáveis podem ser integradas e operadas na mesma plataforma.
Os ensaios serviram sobretudo para demonstrar a aeronavegabilidade básica e a integração do sistema, constituindo uma base importante para futuras campanhas de medição e investigações.
Concluiu o DLR em comunicado.


















Será que estão a ter em conta que todo o material deformável ao fim de um tempo vai partir ?
Nada é eterno quando mais deformações mais frágil vai ficar o material, é como dobrar um fio de cobre ele dobra e regressa ao estado original N vezes mas um dia vai partir…