Tesla incluída na lista de 18 empresas alvo do Irão que ameaça operações no Golfo
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) incluiu a Tesla entre 18 empresas dos EUA cujas operações no Médio Oriente estão a ser ameaçadas de ataque, em retaliação pelos assassinatos de líderes militares iranianos. A ameaça inclui um prazo explícito: 20h00, hora de Teerão, a 1 de abril.
A Tesla tem vindo a expandir-se rapidamente no Golfo ao longo do último ano, com showrooms, centros de serviço e mais de 30 estações Supercharger atualmente em funcionamento nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Qatar, todos diretamente na linha de fogo.
A ameaça do IRGC
Num comunicado publicado através da Sepah News, o seu órgão oficial, o IRGC declarou que “por cada assassinato, uma empresa dos EUA será destruída”, e avisou que 18 empresas americanas devem “esperar a destruição das suas respetivas unidades” a partir de quarta-feira à noite.
A lista completa inclui Cisco, HP, Intel, Oracle, Microsoft, Apple, Google, Meta, IBM, Dell, Palantir, Nvidia, JPMorgan Chase, Tesla, General Electric, Boeing, Spire Solutions e a empresa de IA G42, sediada nos Emirados Árabes Unidos.
A justificação do IRGC centra-se na alegação de que estas empresas tecnológicas e de IA desempenham um papel direto no “planeamento e rastreamento de alvos” para ataques militares dos EUA-Israel contra o Irão.
A ameaça surge após o alegado assassinato do brigadeiro-general Jamshid Eshaghi, chefe de orçamento e assuntos financeiros do estado-maior das forças armadas do Irão, num ataque EUA-Israel.
O comunicado foi além de um aviso geral. O IRGC instou os funcionários das empresas mencionadas a abandonarem imediatamente os seus locais de trabalho e aconselhou os residentes que vivem num raio de um quilómetro de instalações associadas a estas empresas a evacuarem para áreas mais seguras.
O que a Tesla tem no Golfo
Ao contrário da maioria das empresas tecnológicas da lista, que operam sobretudo centros de dados, escritórios e infraestruturas cloud na região, a Tesla possui uma presença física particularmente visível e distribuída nos países do Golfo.
Nos Emirados Árabes Unidos, a Tesla opera showrooms e centros de serviço no Dubai (Sheikh Zayed Road), com presença adicional em Abu Dhabi e Sharjah. A empresa tem estações Supercharger em locais de grande afluência, incluindo Dubai Mall, Mall of the Emirates, Yas Mall e Al Maryah Island, além de várias rotas interurbanas.
Na Arábia Saudita, a Tesla expandiu-se de forma agressiva desde a sua entrada no país no início de 2025. A empresa opera agora um Tesla Centre completo em Riade, um segundo centro inaugurado recentemente em Jeddah no Jeddah Auto Mall, e uma localização temporária em Dammam.
A sua rede Supercharger abrange 48 carregadores distribuídos por quatro cidades sauditas, incluindo locais como Mall of Arabia, U Walk e Al Nakheel Mall.
No Qatar, a Tesla expandiu as vendas do Cybertruck no ano passado e opera infraestruturas Supercharger em Doha.
No total, a rede da Tesla no Golfo inclui showrooms, centros de serviço e mais de 30 estações Supercharger nos três países, todos locais acessíveis ao público e voltados para clientes.
Tesla já responde à instabilidade regional
A ameaça surge numa altura em que a Tesla já está a lidar com o impacto do conflito alargado nas suas operações no Golfo. No início deste mês, a empresa ativou carregamento gratuito em todas as suas mais de 30 estações nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Qatar — uma medida de resposta a crises semelhante à adotada durante desastres naturais nos EUA.
A decisão foi tomada após um proprietário de Tesla nos Emirados apelar publicamente à empresa por apoio, numa altura em que ataques iranianos visavam áreas civis e infraestruturas nos países do Golfo.
Elon Musk já afirmou anteriormente que a Tesla disponibiliza carregamento gratuito em períodos difíceis para apoiar as comunidades afetadas.
A Tesla tinha levado o Cybertruck para o Médio Oriente poucas semanas antes da escalada do conflito, organizando um evento de entrega em massa de 63 unidades no deserto de Al Marmoom, no Dubai, em janeiro.
Porque se destaca a Tesla nesta lista do Irão?
A lista do IRGC é dominada por empresas tecnológicas e de defesa — como Palantir, Microsoft e Google — com contratos de defesa conhecidos e capacidades de inteligência baseadas em IA. Boeing e General Electric têm ligações evidentes ao complexo militar-industrial.
A inclusão da Tesla é notável porque não possui contratos de defesa nem operações militares. A presença da empresa no Golfo é inteiramente comercial: veículos elétricos, Superchargers e produtos energéticos. No entanto, os ativos físicos da Tesla estão entre os mais visíveis e acessíveis de qualquer empresa na lista. Uma estação Supercharger ou um showroom não é um centro de dados protegido ou uma instalação militar — é um local aberto ao público.
Ainda assim, o CEO da Tesla, Elon Musk, está fortemente ligado ao Presidente dos EUA, cuja administração é amplamente vista como tendo iniciado esta guerra contra o Irão. Musk financiou a eleição de Trump com mais de 200 milhões de dólares em doações. O CEO da Tesla tem-se mantido em grande parte em silêncio sobre o esforço de guerra, que é amplamente impopular nos EUA.
O aviso de evacuação num raio de um quilómetro emitido pelo IRGC sublinha a natureza da ameaça. Várias localizações de Superchargers da Tesla no Golfo situam-se em grandes centros comerciais e zonas comerciais — precisamente o tipo de áreas civis densamente povoadas onde qualquer ataque causaria danos colaterais significativos.























E para quando foi anunciado o início dos ataques às 18 empresas dos EUA? Hoje, dia 1/04, às 17:30, hora de Portugal (UTC+1).
E as empresas, financeiras e tecnológicas, estão a executar planos de evacuação? Nenhuma comentou publicamente. As chamadas “fontes internas” dizem que ordenaram a saída de cidades como Dubai, Abu Dhabi e Manama, suspenderam as operações presenciais nessas cidades e a realização de trabalho remoto.