Tesla expande FSD na Europa: Dinamarca é o 4.º país a aprovar o sistema
A Dinamarca concedeu uma aprovação provisória ao sistema "Full Self-Driving" (FSD) Supervised da Tesla. Com esta decisão, o país torna-se a quarta nação europeia a dar luz verde ao software de assistência à condução da tecnológica norte-americana num espaço de aproximadamente dois meses. Junta-se aos Países Baixos, Lituânia e Estónia.
Dinamarca aprovou o FSD da Tesla
A autoridade rodoviária dinamarquesa, Færdselsstyrelsen, confirmou que a validação surge após o reconhecimento da certificação inicial emitida pela congénere neerlandesa RDW a 10 de abril. Contudo, o organismo fez questão de sublinhar que realizou uma avaliação técnica independente antes de emitir o parecer final.
A decisão dinamarquesa assenta numa visão de complementaridade tecnológica para a segurança nas estradas. "Após uma análise e avaliação exaustivas da documentação técnica, a Færdselsstyrelsen concorda com a avaliação da RDW de que o sistema contribuirá positivamente para a segurança rodoviária, auxiliando o condutor durante a condução", esclareceu a autoridade em comunicado oficial.
Apesar do voto de confiança, o regulador demarcou claramente as fronteiras operacionais da tecnologia. Relembrou que o FSD não transforma o veículo num automóvel totalmente autónomo. "O sistema não torna o carro autónomo. O condutor continua a ser totalmente responsável pela condução", reforçou a entidade.
FSD Supervised now approved in Denmark 🇩🇰
Rollout will begin soon pic.twitter.com/Xpxwcme10k
— Tesla Europe, Middle East & Africa (@teslaeurope) June 9, 2026
Cada vez mais países na Europa aceitam
Esta aprovação reveste-se de particular importância dado o histórico recente da Dinamarca. O país tinha manifestado reticências a nível europeu. Estas foram partilhadas por outros Estados nórdicos, relativamente à gestão do limite de velocidade pelo software e ao desempenho em estradas com gelo.
Embora o modelo de reconhecimento mútuo avance a nível nacional, o processo de homologação global na União Europeia continua num impasse. A Comissão Europeia e o Comité Técnico de Veículos a Motor têm agendadas novas discussões para o final de junho. Os analistas apontam que uma votação em toda a comunidade do bloco europeu só deverá ocorrer no final do ano.
O cenário ganha contornos competitivos relevantes numa altura em que fabricantes como a Mercedes-Benz e a BMW recuaram nos seus sistemas de Nível 3 na Europa. Focam-se em soluções de Nível 2+, o que deixa a Tesla numa posição de destaque no mercado europeu de assistência à condução.



















Para quem sonha com o sistema de condução totalmente autónomo (de facto e não de nome), de nível 4 ou 5 de automação, na Europa:
– O FSD Supervisionado, da Tesla, de que se está a falar é de nível 2 (“eys-on”)de automação. Significa que o veículo não é totalmente autónomo: o condutor continua a ser o responsável legar pelo veículo a 100% do tempo, deve manter os olhos na estrada e estar pronto a intervir a qualquer momento (o que é monitorizado com as câmaras internas do carro.
O recuo da Mercedes-Benz e da BMW do nível 3 (eys-off”) para o que chamam 2++/”eys-on vançado”), nos EUA e na Europa:
– Nos EUA, a ativação do nível 3 custava uma subscrição de 2.500 USD ano e só podia ser utilizado em algumas autoestrada do Nevada e da Califórnia, de dia, com bom tempo, em situações de trânsito lento (abaixo dos 40 km/h. Em caso de acidente, a responsabilidade passava a ser da marca, o que tornou os seguros um pesadelo logístico e legal. Como, por isto, a Mercedes vendia poucos carros, a Mercedes suspendeu a venda de novos modelos de nível 3, com câmaras Lidar.
– Na Alemanha a história é idêntica, para a Mercedes e a BMW. O nível 3 custava entre 6.000 e 9.000 €, e embora o limite tivesse passado para 95 km/h, as condições eram: tinha de ser de dia, sem passagens molhadas e em autoestradas previamente mapeadas ao centímetro. Para permitir o nível 3 (em que a marca assume a culpa em caso de acidente) o carro precisa de um sistema ultra-complexo, com câmaras líder caríssimas.
Por isso, na Europa, os carros não vão sair do nível 2 (“eys-on”), nos próximos anos, com disputa se é 2++ ou 2+++. Nos EUA a Tesla continua a falar do FSD não Supervisionado, passando do nível 2 para o 4 (saltando o 3), mas é só conversa, não há nada de concreto.
Se por algum motivo, este tipo de carros ficarem comprometidos, em termos de cibersegurança e alguém conseguir obter o controlo dos mesmos, nem quero imaginar o estragos que poderam fazer.
Para mim é irrelevante a classificação do FSD: o que sei e experimentei num Tesla modelo 3 em Amesterdão é que o sistema é absurdamente preciso e extremamente seguro! É algo que beira a magia e depois de ter essa experiência de condução fica difícil aceitar tanto entrave na sua adoção. Para quando em Portugal?
A preocupação sobre viver segurança não pode ser descartada: mas essa preocupação também está presente em grande parte das tecnologias atuais: centrais nucleares, redes elétricas, telecomunicações,…
Este software já está em alpha há uma década.