Tesla conclui “tape-out” do chip AI5, mas chegou com 2 anos de atraso
A Tesla atingiu um marco importante no desenvolvimento do seu novo processador dedicado à condução autónoma, o AI5. Ainda assim, o avanço chega com um atraso significativo face ao calendário inicialmente prometido por Elon Musk.

O que significa o “tape-out”
O chamado “tape-out” marca o momento em que o design de um chip é finalizado e enviado para fabrico numa fundição de semicondutores. Neste caso, a produção deverá ser assegurada pela TSMC.
Apesar de ser um passo relevante, não representa o fim do processo. Seguem-se fases críticas como a fabricação física, testes em silício, validação e escalonamento para produção em massa. Num chip automóvel com exigências de segurança e fiabilidade elevadas, este ciclo pode demorar entre 12 a 18 meses.
Um calendário em constante derrapagem
O percurso do AI5 tem sido marcado por sucessivos ajustes. Em junho de 2024, Musk apontava para a introdução do chip nos veículos na segunda metade de 2025.
No entanto, ao longo de 2025 e início de 2026, as declarações foram-se contradizendo, com o design a ser dado como concluído, depois “quase pronto”, e agora finalmente enviado para produção.
A própria Tesla acabou por adiar a produção em volume para meados de 2027, obrigando a decisões estratégicas importantes. Entre elas, o lançamento do Cybercab com hardware atual e a introdução de uma solução intermédia, conhecida informalmente como “AI4.5”, nos modelos mais recentes.
Uma cronologia do AI5 que continua a mudar
O “tape-out” de hoje merece ser analisado lado a lado com as promessas anteriores da Tesla relativamente a este chip:
- Junho de 2024: Musk afirma que o AI5 estará nos veículos na “segunda metade de 2025.”
- Julho de 2025: Musk diz que o design do AI5 está “concluído” – muitos assumiram que isso significava o “tape-out.”
- Novembro de 2025: A Tesla adia a produção em massa do AI5 para meados de 2027, obrigando o Cybercab a ser lançado com o hardware atual AI4.
- Janeiro de 2026: Musk afirma que o design do AI5 está “quase concluído” — seis meses depois de ter dito que estava terminado.
- Março de 2026: A Tesla e a SpaceX anunciam o projeto “Terafab”, avaliado em 25 mil milhões de dólares, em Austin.
- Abril de 2026: A Intel junta-se ao Terafab para fabricar e encapsular os chips.
- 15 de abril de 2026: Conclusão do “tape-out” do AI5.
Dependência da cadeia de fabrico
O AI5 será produzido pela TSMC, enquanto o futuro AI6 está associado à tecnologia de 2 nm da Samsung. Contudo, dificuldades no rendimento desta nova geração de fabrico já terão provocado um atraso adicional de cerca de seis meses no AI6, empurrando a produção para o final de 2027.
Este contexto evidencia como a Tesla, apesar de desenvolver os seus próprios chips, continua fortemente dependente da maturidade tecnológica dos seus parceiros industriais.
Impacto no Cybercab e na condução autónoma
Do ponto de vista prático, o AI5 não chegará ao mercado num volume relevante tão cedo. A Tesla já confirmou que o Cybercab, com produção prevista para o segundo trimestre de 2026, utilizará o atual sistema AI4, presente nos Model 3, Model Y, Model S, Model X e Cybertruck.
A transição para o AI5 só deverá ocorrer quando existirem centenas de milhares de unidades prontas para integração em linha de produção, algo esperado apenas a partir de meados de 2027.

Uma promessa ambiciosa, mas desafiante
Musk já afirmou que o AI5 poderá ser até 10 vezes mais potente do que o AI4 e sugeriu ciclos de desenvolvimento de apenas nove meses para futuras gerações. No entanto, esse ritmo é altamente invulgar na indústria de semicondutores, sobretudo quando estão em causa alterações profundas de arquitetura.
O “tape-out” do AI5 confirma progresso, mas também expõe os desafios técnicos e industriais que a Tesla enfrenta na corrida à condução autónoma total.


















Ainda dão crédito ao que o musk diz?
Eu não, prefiro dar crédito aos que prometem mas não cumprem.
Sim, ele tem feito pouca coisa…
Sim, um tipo que é responsável por:
– modelo Y, modelo de carro mais vendido no mundo desde 2023, ~1 milhão/ano;
– Starship superheavy: foguetão mais potente do mundo (~89 MN de impulso);
– Reutilização de foguetões dezenas de vezes (Falcon 9), e Starship em testes;
– Starlink: mais de 10.000 satélites em órbita (maior constelação da história);
– Co-fundador da openAI;
– etc.
não merece credibilidade nenhuma.