Preço do gasóleo dispara e já leva quase 10% do salário médio em Portugal
O preço do gasóleo continua a disparar em Portugal e esta segunda-feira marca um novo máximo histórico. Pela primeira vez, o gasóleo mantém-se cinco semanas consecutivas acima do patamar dos dois euros por litro.
De acordo com dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o preço médio do gasóleo deverá superar os 2,13 € por litro a partir de hoje.
Este é um recorde inédito, que ultrapassa o anterior ciclo de quatro semanas registado em abril, e também o período de três semanas entre junho e julho de 2022, altura em que a crise energética ligada à invasão da Ucrânia pela Rússia levou os preços a níveis semelhantes.
Não fosse isso suficiente, esta é a oitava semana seguida em que o gasóleo é mais caro do que a gasolina 95. Esta inversão já tinha acontecido antes, nomeadamente durante nove semanas ainda este ano e ao longo de 12 semanas em 2022.
Porque é que o gasóleo continua a subir?
A explicação está ligada à evolução das cotações internacionais dos produtos refinados.
Embora o mercado petrolífero global tenha sido pressionado na última semana pelo agravamento do conflito no Irão, nos Estados Unidos terminou a chamada driving season, a altura mais intensa de viagens de verão, reduzindo a procura por gasolina e aliviando o seu preço. Por sua vez, o gasóleo continua a subir.
Conforme informámos, para esta semana estava prevista uma subida de quatro cêntimos no gasóleo e uma descida de seis cêntimos na gasolina, antes da atualização das taxas de Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP).
No caso do gasóleo, essa atualização deverá suavizar o aumento final para cerca de três cêntimos por litro.
Para além do custo do petróleo, os preços dos combustíveis na Europa também são influenciados por:
- Disponibilidade das refinarias;
- Variações cambiais;
- Fiscalidade aplicada em cada país.
O impacto no bolso das famílias
Contas do Expresso indicam que uma família que consuma 60 litros de gasóleo por mês passa agora a pagar quase 128 euros, quando há um ano o mesmo consumo custava menos de 94 euros.
Fazendo as contas para um trabalhador com rendimento líquido médio em Portugal (1348 euros por mês), o gasóleo já absorve cerca de 9,5% do seu salário. Há um ano, com uma média salarial de 1298 euros, essa fatia era de apenas 7,2%.
Do outro lado da fronteira, em Espanha, o gasóleo consome hoje cerca de 6,6% do rendimento líquido mensal, contra 5,2% há um ano.
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