Por que razão um carro pode ser vendido em Portugal, mas não na Austrália?
Antes de qualquer carro novo poder chegar às estradas, existe um longo caminho de testes, documentos e aprovações que poucos condutores conhecem. Entenda como funciona o processo e por que razão um carro pode ser vendido em Portugal, mas não na Austrália.
A palavra "homologação" surge frequentemente nas conversas sobre automóveis, mas poucos sabem ao certo o que significa na prática.
Mais do que um mero carimbo burocrático, trata-se de um processo extenso e exigente que envolve testes, regulamentos e uma montanha de documentação. Sem ele, nenhum carro novo pode sair da linha de produção nem ser colocado à venda, seja em que lugar do mundo for.
Por ser um processo desconhecido de muitos condutores, a Škoda deu a conhecer os bastidores deste processo, explicando como funciona internamente e o que está verdadeiramente em jogo.
Um autêntico puzzle de aprovações
O processo de homologação não começa no carro completo, mas muito antes, nos componentes individuais. Há cerca de 50 peças que têm de ser homologadas diretamente pelos fornecedores, incluindo vidros, cintos de segurança, faróis e pneus. Só após a validação destes elementos é possível avançar para a fase seguinte.
Com os componentes aprovados, a marca passa para as chamadas aprovações de sistema, que testam o veículo como um todo. Aqui, são verificados cerca de 60 regulamentos globais e normas da União Europeia (UE), num processo que varia consoante:
- O tipo de motor - gasolina, diesel, híbrido plug-in ou totalmente elétrico;
- O nível dos sistemas de assistência ao condutor;
- As características de segurança utilizadas.
Todo este processo é realizado em parceria com um serviço técnico independente, a entidade autorizada pela autoridade competente de aprovação.
Em Portugal, a entidade responsável pela aprovação de tipo de veículos é o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), que funciona como autoridade de aprovação nacional, podendo designar organismos técnicos para realizar os testes.
Não obstante, muito deste trabalho é feito a nível europeu, já que a aprovação de tipo da UE é válida em todos os Estados-membros, ou seja, se um carro for homologado em Espanha ou na Alemanha, é possível pedir a transposição para homologação nacional, podendo ser vendido em Portugal sem necessidade de repetir o processo.
Para exemplificar a complexidade do processo, Lukáš Novotný, coordenador de homologação de veículos da marca checa, explicou alguns dos detalhes verificados:
- Altura a que os faróis estão posicionados;
- Resistência das fixações dos cintos de segurança;
- Se os guarda-lamas cobrem corretamente as rodas para evitar projeção de sujidade.
A isto acrescem os exigentes testes de colisão e as medições de emissões poluentes do motor.
A certidão de nascimento de um carro
O culminar de todo este trabalho é a EU Whole Vehicle Type Approval, a aprovação de tipo de veículo a nível europeu. A documentação resultante pode chegar às 200 páginas, e as aprovações individuais, como as relativas a emissões, podem aumentar esse número ainda mais.
Com esta aprovação em mãos, cada veículo fabricado recebe um Certificate of Conformity (COC), que funciona como uma verdadeira certidão de nascimento do automóvel.
É este documento que torna possível o registo inicial e a atribuição de matrícula. Sem o COC, o carro não existe legalmente.
- COC do Škoda Octavia
- COC do Škoda Octavia
De ressalvar que os requisitos legais variam de mercado para mercado, pelo que é exigido para vender um carro na Europa não é o mesmo que se exige na Austrália ou nos países do Golfo Pérsico.
Esta variabilidade obriga as fabricantes a adaptarem os seus processos de homologação consoante os territórios onde pretendem comercializar os seus modelos.
O trabalho não acaba com o lançamento do carro
Os veículos continuam a evoluir após o início da produção em série, com rondas anuais de alterações técnicas integradas nas atualizações de modelo.
Sempre que uma dessas alterações seja relevante para a homologação, o que nem sempre acontece, todas as aprovações afetadas têm de ser revistas e atualizadas.
Por exemplo, quando surge uma nova variante de um modelo, não é necessário recomeçar do zero, bastando solicitar uma extensão da aprovação existente.

Um motor novo, por sua vez, implica novas medições de emissões e ruído. Além disso, se esse motor representar a versão mais pesada da gama, são também obrigatórios novos testes de colisão e de sistema de travagem.
A importância da burocracia
A homologação pode parecer um processo administrativo enfadonho, mas, na realidade, é a garantia de que cada carro que circula nas estradas cumpre requisitos mínimos de segurança, emissões e fiabilidade, testados e verificados de forma independente.
É, no fundo, o mecanismo que assegura que o automóvel que compramos foi construído para proteger quem o conduz, quem nele viaja e quem partilha a estrada com ele.























Boa tarde. Carros verdadeiramente “mundiais”, ié que se vendam sem alterações profundas num número significativo de países, há poucos. As regras variam entre países, continentes, culturas e estas condicionam a viabilidade de um determinado modelo de uma qualquer marca, produzida como exemplo na República Checa, poder ser vendido na Austrália. Curiosamente (ou talvez não) o inverso também se passa. No seguinte exemplo, o país fabricante é Portugal, a marca é a Toyota e o modelo, produzido na fábrica da Caetano em Ovar é o modelo 70, que até recentemente tinha um motor V8 e que, por conta das suas emissões, não é vendido em Portugal e na Europa.
“e as medições de emissões poluentes do motor”
Não era só a Europa que queria salvar o mundo ?
Ninguém quer salvar o mundo. A Europa só quer ganhar o campeonato da moralidade nem que seja a custa da pobreza da população.
Da pobreza ? Ao incentivarem carros para pobres que ficam muito mais baratos que outros ? Não estou a ver como.
Em portugal so podem vender carros que aceitem dobrar o preco em impostos. Se sao 20 passam logo a 40 e se comprar fora levam multa do estado que é I ilegal segundo a UE. Portugal e uma faixa de gaza governada por um Hamas nao relogioso
Nos elektros é ao contrário. São vendidos a metade do preço.
Se é mais barato é bom. Ninguem diz que não a 50% de desconto
Onde posso encontrar a metade do preço ?
Defender burocracia é coisa que não consigo “encaixar”. Pode e deve haver regras..mas ter haver extra regulamentação é um atraso gigante com prejuízo para os consumidores. alem de fomentar a corrupção, atrasa desenvolvimento atrasa progresso. as questões do clima então, é uma coisa puramente ideológica e desligada do mundo real. Porque não se vira as coisas ao contrario? Estão aqui as regras, todos tem de cumprir, se descobrimos que alguem não está a cumprir a regra x, tem uma punição grave eventualmente criminalmente a gestão caso seja muito danosa… Mas não…vivemos no mundo onde os burocratas querem definir tudo o que a plebe pode fazer… e a plebe com mais informação como nunca antes na historia da humanidade, vai concordando….
Não é exatamente isso que fazem ?
Imagina que isto com regras está assim, pensa um bocadinho e volta a imaginar um mundo como tu achas que devia funcionar, o problema é que há sempre alguém que vai dar a volta as regras, experimenta ir para uma grane cidade na Ásia e vais perceber que os burocratas Europeus estão a tentar evitar termos de viver em ambientes como aqueles, até lá na Ásia já estão a tomar medidas para reduzir os níveis e poluição.
Na Ásia há respeito pelo outro, na Europa quanto mais regras menos respeito.
Não, não é puramente ideológico. Existe algum “excesso”, aceito, mas compara, p.e., a EU com os USA. Nos USA é o degredo total. Não há proteção ambiental, não há regulamentações, não há proteção do cidadão comum face aos grandes grupos económicos. E isso também nos afeta, quer nós ou a EU queiramos. O desenvolvimento, progresso e crescimento económico não podem:
1 – Ser desculpa para tudo
2 – Sobreporem-se ao real desenvolvimento da sociedade e dos seus cidadãos
3 – Fazer a economia crescer no global alavancado nos grandes grupos económicos quando o cidadão comum vê a sua situação piorar.
A burocracia tem de existir. Sim, na EU é desesperante por vezes. Dou exemplo da construção. Por cá é um calvário construir uma casa. Nos USA basta construir e quando estiver pronta (e também em algumas “fazes”) vai um técnico credenciado avaliar. Se estiver tudo bem e dentro do projeto, feito e pega lá o papel. Mas também esses sistema se mostra duvidoso quando vemos que a qualidade da construção nos USA se encontra aliada à quantidade de técnicos que são pagos para fechar os olhos. Cada vez mais as casas são construídas por mega empresas que conseguem ter a qualidade mais miserável e pagar luvas em todos os passos do sistema, deixando os cidadãos com casas que em muitos casos nem para galinheiros serviriam.
Tem de haver um certo equilíbrio, tem de haver gente séria e tem de haver governos com mão forte para fazer cumprir. Claro que quando o exemplo de vigarice vem de cima, estamos é lixados…
Na EU é desesperante ? o que dizer da Austrália e dos EUA ?
Na construção por cá é igual, pode é não ser no mesmo tempo, porque tal como lá, é preciso licença de construção, e essa cá demora mais.
Há também a questão de que nem sempre as marcas pedem a homologação dos modelos. Um carro que se dê bem nos USA pode não ter mercado por cá e as marcas não se dão ao trabalho e custos de efetuar o processo de homologação.