Por que razão os americanos têm carros tão grandes?
Nos Estados Unidos da América (EUA), uma pickup é um carro de família normal. O que a nós, europeus, pode parecer exagero, é apenas uma consequência lógica. Curiosamente, a Europa, que sempre se gabou de preferir o citadino ágil, está silenciosamente a render-se à mesma tendência.
Não é preciso visitar os EUA para saber que as estradas estão cheias de Fords F-150, Chevrolets Tahoe e Jeeps Grand Wagoneer. Ao lado destes, um carro europeu ainda parece um brinquedo.
Curiosamente, há motivos para os americanos só se contentarem com carros grandes, e vão desde o combustível e a infraestrutura até à segurança e psicologia de consumidor.
O combustível barato é dos motivos mais fortes
O fator mais determinante é o preço da gasolina. Segundo Ed Kim, presidente da consultora AutoPacific, nos EUA, o combustível é muito menos tributado do que em praticamente qualquer outro país do mundo.
No verão de 2024, um galão (ou 3,79 litros) custava cerca de 3,75 dólares nos EUA, enquanto no Reino Unido chegava a 6,98 dólares, em Singapura a 7,64 dólares, e em Hong Kong a 12,16 dólares.
Com gasolina barata, os consumidores americanos podem simplesmente dar-se ao luxo de conduzir veículos maiores e menos eficientes sem sentir tanto o impacto na carteira.
Estradas feitas para grandes carros
Além dos combustíveis, as estradas norte-americanas foram planeadas para acomodar veículos grandes, sendo largas, com estacionamentos generosos e vias dimensionadas para pickups.
Por lá, trata-se daquilo a que, em Portugal, chamamos "pescadinha de rabo na boca": os carros são grandes porque as estradas o permitem, e as estradas foram feitas assim porque os carros já eram grandes.
Na Europa, a situação é bem diferente. As cidades cresceram antes do automóvel, com ruas estreitas pensadas para peões e cavalos. Para este cenário, Portugal é um bom exemplo, pois tentar circular por certas estradas portuguesas num SUV de quase dois metros de largura é uma experiência memorável.
Aliás, é daí que surge, em parte, a popularidade de modelos como o Volkswagen Polo ou o Dacia Sandero no mercado europeu.

A expansão da videovigilância, em Lisboa, é uma das apostas mais concretas da autarquia em matéria de segurança urbana nos últimos anos.
A sensação de segurança
Outro fator relevante é a perceção de segurança. Muitos pais americanos preferem colocar os filhos adolescentes a conduzir SUVs ou pickups por considerarem que são mais seguros em caso de acidente.
De facto, o Insurance Institute for Highway Safety confirma que há fundamento nessa ideia, uma vez que veículos maiores e mais pesados oferecem geralmente melhor proteção em colisões, especialmente nas frontais.
Psicologia também tem peso
Depois, à medida que mais pessoas adquirem carros maiores, a pressão para acompanhar a tendência aumenta. Nas zonas suburbanas, com entradas de garagem espaçosas e estradas largas, o SUV é, naturalmente, a norma.
Por fim, à medida que a eletrificação avança, o tamanho começa a pesar menos na equação ambiental, com os híbridos e elétricos a permitirem manter dimensões generosas com menor impacto nas emissões.
Interesse pelos SUVs já chegou às estradas de Portugal e da Europa
Se o fenómeno parecia distante da realidade europeia, os números dizem outra coisa. Em 2025, o mercado automóvel português fechou com um crescimento de 7,3% nos ligeiros de passageiros, e os SUVs continuaram a reinar.
O Peugeot 2008 liderou as vendas durante grande parte do ano, com 6674 unidades matriculadas entre janeiro e outubro, um crescimento de 9,3% face ao período homólogo. O Dacia Duster, Renault Captur e Peugeot 3008 completam um top 10 onde os SUVs são maioria.
Esta tendência repete-se em toda a Europa. Em 2024, num mercado que praticamente estagnou, as vendas de SUVs subiram 4%, aumentando a sua quota. Em sentido inverso, os citadinos clássicos encolhem ano após ano.
A diferença para os EUA continua, no entanto, a existir. Os SUVs que os portugueses compram são compactos. Afinal, o 2008 ou o Sandero estão longe de uma Chevrolet Tahoe. Por cá, as estradas estreitas e o combustível caro ainda funcionam como travão.
Não obstante, a direção parece apontar para cada vez menos citadinos, cada vez mais carroçaria alta e cada vez mais espaço a bordo.
À medida que os anos passarem, os americanos que visitarem Portugal poderão não estranhar assim tanto o que virem nos estacionamentos.






















Quem se está a render à mesma tendência são só as mulheres. Antes só queriam carros cute agora é cada carro “gordo” que mal se vê o condutor.
Estás muito enganado, a quantidade de homens que querem SUVs é muito grande…
“só as mulheres” LOOOL
…não digo “são só as mulheres”, mas 99% são as mulheres que decidem:)
Os americanos tem o síndrome dos carros grandes, para compensar o tamanho do cérebro e orgão sexual.
Americanices…
Em Portugal, o tuga vai pelo mesmo caminho… síndrome de cabecinha pequenininha… e apanham-se num carro grande e a estrada é toda deles!
Tuguices…
É normal, o SUV faz a felicidade absoluta da parolada. E como os USA são o país mais azeiro-teiro do mundo, a escolha deles não podia ser outra.
Rui Azevedo, então por esse seu prisma, quanto mais pequeno é o carro, maior é o cérebro e a zona sexual… ora ora, então os homens e mulheres que andam de “mata velhos” e smart devem ser super mega inteligentes e abonados. Grande raciocínio o seu…também deve ser dos que anda de smart e estaciona em cima dos passeios ou nos lugares para motociclos…
E são mesmo inteligentes. Sabem usar na perfeição o quase nenhum dinheiro que têm nos bolsos para se deslocarem quando precisam.
Porque podem!!, carro grande = motor grande e potente e a gasolina não é problema para eles!!!
Quase metade dos Americanos são obesos, por isso precisam de muito mais espaço, ou não cabem no veículo.
Nem mais
Metade são obesos, a outra metade sofre de obesidade mórbida e alguns dos restantes, contados pelos dedos, vão para Hollywood.
Por mim podem vir à vontade. Assim tenho sempre lugar garantido no estacionamento do el corte ingles. Antigamente era uma chatice, encontrar um lugar disponível era mais difícil que encontrar uma agulha no palheiro.
Experimentem meter 4 “average americanos” num carro europeu ou japonês….
Serão precisos quatro carros…
Há várias razões para os carros nos EUA serem grandes… 1º as estradas, 2º eles fazem “road trips” à séria, 3º a sensação de segurança, 4º o combustível é (era) significantemente mais barato, 5º a obesidade dos americanos.
Fantástico, deste 5 tiros de olhos fechados, e acertaste os 5 alvos 😀
Na realidade tudo isso é correto mas tem uma origem no primeiro ponto: quando os primeiros colonos chegaram ao que agora é a américa do norte, havia todo um gigante terreno muito plano para usar, logo construíram tudo “à grande” (ao contrário da europa). Daí que fazem grandes distâncias e têm muito espaço, logo podem ter veículos com muito espaço. Na europa foi tudo ao contrário, construiram tudo em cima dos outros e em muitos países como portugal, tudo é pensado à pequenino e poupado…
Portugal é tudo pequenino? Nós somos o 2º país com em termos de rede de autoestrada por habitante na Europa.
Lol, a “verdadeira” razão ou pelo menos aquela que mais contribui é fiscal. São equiparados aos “trucks” e já não me recordo toda a trama, mas ficaram isentos por serem de “trabalho”.
Um vídeo que explioca isto muito bem. https ://www.youtube.com/watch?v=1zzE-Qw5W9c
E mais especifico sobre o tema. https ://www.youtube.com/watch?v=l8Rt3zN9YY8
A culpa não é dos fabricantes…
Eles só seguem as tendências dos mercados..
Se há espaço e dinheiro, as coisas crescem.
O Médio Oriente é igual… aqui nem se fala do Nissan patrol, là a última geração pesa quase 2.7 toneladas, em Portugal era preciso carta de condução de camionista…
Eu comprei um suv grande para a minha mulher por questões de segurança . Ela infelizmente conduz muito mal, assim em caso de colisão frontal tem mais hipoteses de não se ferir ou pior.
Claro claro. A tua esposa… LOOOL
E são muito mais eficientes a matar peões.
Um suv de várias toneladas se levar com outro suv de lado na porta ficam mortos na mesma!
América é muito isto, super size me e looking good e pouca substancia mas não percebem que são javardos para o planeta e desperdiçam recursos. A única coisa que ainda tolero é os carros antigos americanos ficarem bem nos filmes americanos mas não invejo nada a américa de hoje.
Os américas resolvem já isso. Passam a andar todos de tanque M1 Abrahams. É só a mesma lógica que levou os quadrúpedes a adoptar o SUV.
Depois ainda obrigam os jovens a irem para a guerra para terem o tal petróleo barato para alimentar estes monstros que não param de aumentar de tamanho, é tipo uma corrida ao carro maior até se destruirem todos nas estradas.
Gringo, isso é uma visão mega simplista da américa. Culturalmente eles querem é as coisas a funcionar e rápido, querem conforto:. A questão é que tradicionalmente lá o conforto é barato, e na europa, fruto das políticas, tudo é caro:
– não estão como nós a cada segundo a ligar / desligar luzes (só por questões económicas, se tivessemos a energia super barata, também ficava tudo ligado)
– por $500.000 consegues uma casa periférica 5x maior que uma na europa (construção, custo do terreno, etc). Na europa até aos elétricos, um europeu achava um carro com 110-200 cv um carro “potente”, nos EUA isso está na classe de utilitário honda básico…. No entanto esse carro europeu era mais caro que um de 300 cv nos EUA. O mesmo com o combustível. Dou exemplo há uns anos, dum Chevrolet que andei nos EUA, perto de 200cv, “full extras” (AC, câmara traseira, caixa automática, gps, etc), estava bastante bem construído (= VW) e custava menos de METADE dum VW equivalente na europa. Na Europa pelo mesmo preço, tinha um amigo meu um VW Golf 1.4 todo “despido” e caixa manual, nem se arrastava…
A questão é que na europa, se tivessemos o mesmo custo de vida e salários médios dos EUA, faríamos o mesmo ou quase. É verdade que a nível de direitos sociais e ambientais vamos 1000 anos à frente dos EUA, mas fora isso faríamos o mesmo.
Os americanos querem conforto ok mas nunca terão o conforto que precisam mesmo que é o mental, nunca terão paz, armas e drogas e violência por todo o lado, prefiro 1000 vezes a Europa que a américa. Agora repara na palavra economia, não deviamos de estar a economizar recursos em vez de os desbaratar em nome do lucro? O sonho americano é uma ilusão e um fardo para o planeta.
a perspectiva da “economia” é muito relativa, tal como ideiais políticos, etc, senão vê:
– as armas, esbanjar recursos, etc trazem dinheiro a muitas pessoas e vão viver bem (mas vão arranjar problemas a outras e ambiente). Sob o ponto de vista dessas pessoas, isso é positivo;
– se não há armas e poupas recursos, as empresas que fornecem esses recursos (água, energia, etc) para obterem o mesmo dinheiro vão-te vender o kWh ou m3 muito mais caro. No final poupas o ambiente, mas vives com o cinto apertado e pagas tanto ou mais. O ambiente agradece, mas tu sofres mais. Dependendo do ponto de vista, é melhor…ou pior.
– num estado capitalista, quem trabalha árduo ganha muito dinheiro, o resto sofre; num estado socialista, quem trabalha árduo ganha normal ou mal, porque anda a sustentar os outros para terem casa, SNS, comida, energia, etc.. Dependendo de que lado estás, podes achar um sistema melhor ou pior!
A verdade é que um estado equilibrado (como outrora a França ou Holanda foram) seria o ideal; mas atualmente a maioria da europa tem leis demasiado socialistas e os EUA demasiado capitalistas. A única coisa boa é que a europa ainda é bastante pro-ambiente e pelo menos o ambiente ganha no meio disto tudo.
Essa obsessão destructiva por dinheiro não traz felicidade duradoura e a pobreza dos outros é tambem a tua pobreza, há que regar o jardim e deixa-lo apanhar sol!
Esqueceste-te de dizer que nos USA não há ensino gratuito, fora o público obrigatório, não há sistema de saúde pública, as pessoas que não têm dinheiro para seguros de saúde morrem à porta dos hospitais , e é simplesmente proibida a habitação social. Há multidões a viver em tendas ou dentro de carros à volta das grandes cidades.
algumas adições, os americanos são grandes e pesados, um carrinho não teria potência para carregar uma familia deles.. os commutes e as viagens são grandes, é normal um commute de 2h para cada lado, a cumprir limites de velocidade e com muito tempo parados em filas, as viagens são bem longas, dentro de um estado podes ter viagens de 6h.. os carros são relativamente baratos para os rendimentos, impostos baixos e carros maioritariamente a gasolina além de muito fabrico nacional ditam os preços baixos..
e para mim o ponto mais importante, segurança, os pesados não têm regras apertadas como cá, têm uma potência enorme e mais vezes ultrapassam limites de velocidade que os restantes veiculos, com carros pequenos corres até o risco de nem ser visto, além disso em interstates não é incomum haver acidentes com animais de grande porte em especial veados mas em alguns estados podem até ser alces, num carro pequeno o carro ficaria completamente destruído..
há muitos fatores
Filas com muitos kms de carros parados a fumegar é precisamente o modelo de negócio dos capitalistas, e aquele que impingiram aos portugueses, que nesse aspecto são burros como uma porta. E foi o modelo rejeitado pelos holandeses de Amsterdão e pelos dinamarqueses de Copenhaga, que têm um QI muito mais alto que o nosso.
Quando tudo é longe e não tens rede de transportes suficiente é assim. Na América chamam-lhe as driving cities, pesquisa antes de dizeres asneiras
Quando se planeiam cidades para ser tudo longe, e ainda por cima sem rede de transportes, isso para mim é ser-se burro. E mais burro ainda é quem concorde com o modelo e o quer importar para a Europa.
O planeamento é bem feito, as cidades têm espaço, têm escoamentos para evitar flash floods, têm boas fundações, tudo tem estacionamento, os prédios altos são tipo 1 por bloco. A rede de transportes reflete a própria cultura non walking dos Americanos, por isso as cidades estão ajustadas ao seu povo. Não é serem burros, é fazerem as coisas para eles
Conspicuous consumption!